Cristãos-Novos: Judeus-Velhos

O Judeu Luso-Espanhol, Sefardita,

na Estrutura Social

do Nordeste do Brasil.

Os Ximenes de Aragão,

os Drumond de Andrade

e os

Feitosa

Pedro de Albuquerque © FBN – 579.975

Cel. Lourenço Alves Feitosa e Castro. Aos 25 anos em passagem pelo Rio de Janeiro; quando de uma licença do serviço militar na Guerra do Paraguai. Pouco antes de retornar ao teatro de operações, na coluna do Gal Portinho no 17° Batalhão de Voluntários da Pátria. Na infância, morou em Fortaleza na casa do Cel. Castro Paiva; primo ou tio do seu pai. Tendo como preceptor o renomado Prof. Spíndola. No verso desta foto, dedicada ao Cel. Castro Paiva, o Cel. Lourenço assina-se: Peretti. Mais adiante, ao tratarmos dos Ximenes de Aragão, tem-se esclarecido a origem deste sobrenome.

Para melhor abalizar as opiniões aqui emitidas, eu procedi à atualização deste artigo depois de oito meses de publicado. Contando, neste período, 9.000 pontos ou acessos dos 40.000 pontos alcançados por este blog, com todas as suas matérias. Com esta nova  atualização o “blog” conta 70.000 pontos, sendo 40.000 somente referentes a este artigo. Surpreende, notadamente a mim, o interesse a que veio despertar por tratar de matéria de rigor específico.

Assim o faço com notas tiradas a alguns trabalhos de Francisco Antonio Dória. Emérito professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Matemático. Filósofo. Membro da Academia Brasileira de Filosofia, titular da Sociedade Brasileira de Genealogia e da Sociedade Brasileira de Genealogia Judaica.

Francisco Antônio Doria. Matemático , Filósofo e Genealogista. Recebeu seu BS em Engenharia Química da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Brasil, em 1968 e, em seguida, obteve seu doutorado do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas, assessorado por Leopoldo Nachbin em 1977. Dória trabalhou durante algum tempo no Instituto de Física da UFRJ. Professor de Fundamentos da Comunicação na Escola de Comunicações, também da UFRJ. Dória é professor visitante na Universidade de Rochester, Nova Iorque. Da Universidade de Stanford, Carolina como Senior Fulbright Scholar e da Universidade de São Paulo. Colaborador de Newton da Costa, um lógico brasileiro e um dos fundadores da lógica paraconsistente. Atualmente é emérito professor das Comunicações da UFRJ e membro da Academia Brasileira de Filosofia. Presidente do Instituto Brasileiro de Genealogia e Membro do Instituto Brasileiro de Genealogia Judaica.

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FRANCISCO DORIA – CAFÉ HISTÓRIA

Eu sempre fui entusiasta da sua obra por sua precisão de dados e, notadamente, por minudenciar a não deixar escapar detalhe sequer em sua exauriente investigação: uma lenda, uma carta, um parágrafo ou um fragmento o qual possa firmar qualquer evidência.

“D. Afonso V

confirma escambo

ao Dr. Lopo Gonçalves,

desembargador régio, e

a seu pedido, de umas casas

na rua Nova da Judiaria Grande

da cidade de Lisboa,

feito a Mécia da Costa,

sua mulher,

herdeiros e sucessores.”

…. JUdiaria Grande

Acima, mapa de localização da casa

de Lopo Gonçalves de Leão em Lisboa,

avô de Lopo de Albuquerque: “o Bode”;

pai de Brites e de Jerônimo.

 

Tratando-se o seu trabalho de fonte fidedigna, do maior socorro, à acuidade de um acadêmico ou historiador ou, mesmo, de um escritor. Assim, colacionei, desde a edição inaugural destes estudos, à margem direita desta página, o link ALBUQUERQUE – ÁRVORE GENEALÓGICA.

Estabelecemos correspondência. Autorizou-me, Francisco Dória, a proceder às necessárias atualizações com extratos de algumas das suas valiosas dissertações; cujos arquivos digitais ele me repassou. Posto isto, eu festejo hoje, nesta quarta-feira 11 de Maio de 2011, a sua colaboração.

Enquanto isto, Jacques Ribemboim, presidente da antiga sinagoga ashkenazita do Recife. No antigo gueto da Boa Vista. Onde viveu Clarice Lispector. Indicou-me o livro Nordeste Semita da autoria de Caesar Sobreira: vencedor do Concurso Nacional de Ensaios: Prêmio Gilberto Freyre de 2008/2009.

Tel Aviv, Israel. Pedro de Albuquerque e o seu amado mestre Howard Moorley Sachar: pupilo de Cecil Roth, fundador da Academia de História Judaica de Oxford. Sachar, autor de imprescindível obra, foi    assessor especial para assuntos do Oriente Médio de três presidentes da república dos Estados Unidos da América do Norte, inclusive de Bill Clinton. Cecil Roth, na II Guerra Mundial, foi membro da resistência e o agente especial do MI6 que organizou a retomada da cidade de Florença, Itália, pelo Gal. Montgomery.

Tel Aviv, Israel. Pedro de Albuquerque e o seu amado mestre Howard Moorley Sachar: pupilo de Cecil Roth, fundador da Academia de História Judaica de Oxford. Sachar, autor de imprescindível obra, foi assessor especial para assuntos do Oriente Médio de três presidentes da república dos Estados Unidos da América do Norte, inclusive de Bill Clinton. Cecil Roth, na II Guerra Mundial, foi membro da resistência e o agente especial do MI6 que organizou a retomada da cidade de Florença, Itália, pelo Gal. Montgomery. Assim, como foi de inestimável valor a colaboração de José Albouker, líder da Resistência na Argélia. Coordenou, junto ao Gal. Mark Clark, o desembarque das forças aliadas no Norte da África; como dos registros de Sachar.

Penso dever abrir a minha correspondência com Howard Sachar, de quando começamos a nos escrever em dezembro de 2007. Depois disto, estabelecemos fortes laços de amizade; sem mais formalismos: “Dear Senhor De Albuquerque. It was with pleasure and fascination that I read your letter, and the article that appeared in the Hadassah Magazine, as well.  You have a distinguished pedigree, and an even more distinguished vocation as a historian of your people’s past.  I wish I had known of you the last time I visited Brazil (I think it was in the mid- or late-l980s).  I would have sought you out… sic…”

Diante deste trabalho de indispensável leitura para o resgate da identidade histórica do Nordeste do Brasil, refém da estéril historiografia oficial, sempre a serviço dos aparelhos ideológicos de dominação social, eu procedi às atualizações desta minha crônica com citações e referências do ensaio de Caesar Sobreira. As quais vêm corroborar, em aspectos historiográficos e sociológicos, a minha livre dissertação.

Discorrer sobre a presença do judeu luso-espanhol, sefardita, na formação étnica e na estrutura social do Nordeste do Brasil, não é tarefa simples. Dado aos prejuízos causados pela Inquisição Católica Romana: a culminar nos horrores nazistas do Holocausto.

Há um sem número de famílias de ascendência sefardita: os mesmos cristãos-novos. As quais de tudo faziam para esconderem-se do crivo inquisitorial na vida sócioeconômica. Contando, para garantir a sobrevivência, com a endogamia e a sistemática escolha de filhos e filhas para a vida clerical forçada. Isso, tanto para obnubilar a ascendência judaica, como para defesa do tráfico de influências e de informações privilegiadas: necessárias no combate à Inquisição.

Este artigo focaliza dois grupos familiares. Ambos de imbricada consanguinidade e de complexo parentesco colateral. Em verdade, dois clãs distintos: os Feitosa dos Inhamuns e os Ximenes de Aragão da Serra da Ibiapaba: Ceará. Por haverem mantido a estrutura de clã até a primeira metade do Século XX.

Tendo como marca patente, em comum, a endogamia: esta última característica antropológica dos judeus ibéricos. Tal como registra Gilberto Freyre: mestre de Caesar Sobreira. Evidente que o trabalho de Freyre se reporta ao judeu ibérico, já que o judeu ashekenazita somente chegou ao Brasil depois do primeiro quartel do Século XX.

Ressaltando, Sobreira, nos oferecer Gilberto Freyre um sem número de casamentos entre primos e primas: mesmo de tios com sobrinhas e de tios avós com sobrinhas netas. Tal como faziam os Paes e, ou, os Pais Barreto, os Cavalcanti de Albuquerque, os Wanderley e os Souza Leão: estes últimos os mesmos, ou quase mesmos, Carnerio Leão ou Carneiro da Cunha. Costume a que se aferraram os Feitosa.

Há outros grupos familiares, a exemplo dos Albuquerque, os quais tiveram a sua estrutura de clã prematuramente rompida; em conseqüência das perdas com a Guerra dos Mascates: 1710. Também, em 1817 e em 1824, com a sucumbência da Confederação do Equador. Sendo estes episódios: as causas do empobrecimento e da desagregação de muitos dos ramos descendentes. A ascendência deste grupo é igualmente tratada, neste ensaio, por ser basilar da estrutura genealógica de imbricada parentela.

Os Feitosa, com origens no Norte de Portugal: rincão de massiva ancestralidade judaica. Como registra Caesar Sobreira. Com passagem por Sirinhaén: Pernambuco. Onde se consorciaram aos Pais, ou Paes, Barreto. Na propriedade de partidos de cana-de-açúcar e de currais de gado no São Francisco. Região da cidade de Penedo, no atual Estado de Alagoas, a provocar especial interesse.

Despontando João Alves Feitosa: o mesmo João Cavalcanti. Pioneiro da pecuária vacum no Brasil. Patriarca da aristocracia pastoril. A melhor dizer: da “bovinocracia”. Chegado à colônia em 1650. Em companhia do seu irmão José Alves Cavalcanti. Recebendo, em 1680, sesmarias de 40 léguas em Araripecico: região da cidade de Penedo. 

Carta patente de Francisco Alves Feitosa. Expedida pelo governador de Pernambuco. Arquivo do Projeto Barão de Mauá.

Carta patente de Francisco Alves Feitosa. Expedida pelo governador de Pernambuco. Arquivo do Projeto Barão de Mauá.

O seu filho Lourenço Alves Feitosa, o qual não deixou descendentes, fez-se ao Ceará, em companhia do seu sobrinho Francisco, pai de Pedro Alves Feitosa: casado com Ana, filha de Antônio Cavalcanti de Albuquerque. Mais conhecido por ” O da Guerra”. Braço direito de Matias de Albuquerque: assassinado a mando de João Fernandes Vieira.

Por seu turno, Antônio era filho de Catarina de Albuquerque e Filippo Cavalcanti. Sendo, pois, Antônio neto e Ana, esposa de Pedro, bisneta de Jerônimo de Albuquerque, com a tabajara Muyrah Uby e de Giovanni Cavalcanti com Ginevra Manelli de Acciaiuoli. Lourenço acumulou o patrimônio inédito de 23 sesmarias ( cf. Tomaz Pompeu, Sesmarias Cearenses).

As quais passaram ao domínio de Francisco. Ressabido determinar a lei o máximo de 4 concessões para cada requerente. Para bem saber da ascendência de Francisco Alves Feitosa (filho de João Alves Cavalcanti, o mesmo João Alves Feitosa; este, filho de Paulo Cavalcanti de Albuquerque). Francisco casado com Catarina Thereza da Rocha Cardosa de Resende e Macrine. GENEALOGIA DE FRANCISCO ALVES FEITOSA. Mas, a partir da pontuação “136“. Contando, na direta  ascendência: Paulo Cavalcanti de Albuquerque.

LEGENDA

José Albouker. Natural do  Marrocos. Líder da Resistência Francesa na Argélia. Coordenador do desembarque das Forças Aliadas no Norte da África. Depois da II Guerra Mundial, tornou-se neurocirurgião e, passando-se à França, fez-se proeminente político.

No que concerne à sequência de matrimônios de Francisco Alves Feitosa, Catarina da Rocha Cardosa de  Resende e Macrine, ou Macrina, foi a sua primeira esposa. Como observa Borges da Fonseca, em sua “Nobiliarquia Pernambucana de 1748 a 1777″. A ser reeditada, ainda, neste ano de 2013, pela Fundação Gilberto Freire. 

João Cavalcanti de Albuquerque casou no sertão de Inhamuns, Capitania do Ceará, com D. Maria Alves Vieira, filha do capitão-mor Francisco Alves Feitosa e de sua primeira mulher Catarina: neta por via paterna de João Alves Feitosa, o mesmo João Alves Cavalcanti, do Araripecico, Penedo,  e sua mulher Ana Gomes Vieira. 

Passando Borges da Fonseca ao registro da presença de Arnaud de Holanda Cavalcanti, em 1775, nos Inhamuns; como testemunha do casamento da filha de Francisco Alves Feitosa com João Cavalcanti de Albuquerque. Este, filho de Antônio Cavalcanti de Albuquerque herdeiro do Engenho Araripe, em Igarassu, Pernambuco: vendido a Duarte Ximenes de Aragão; mais adiante tratado. 

Selo

Mas, o quê estaria a fazer um próspero senhor de engenhos de Pernambuco nos sertões dos Inhamuns; não fosse a estreita consanguinidade e a relevância, para o clã, do enlace matrimonial? A viagem para os sertões do Ceará, ainda hoje é do aiomr incômodo. 

Comprar gado, nem pensar. Um rico senhor do açúcar jamais procedia a viagens com tais propósitos. Além do mais, vivia-se nos Inhamuns a época áurea da pecuária vacum. Com a venda de bois mansos e muares para as Minas Gerais; em pleno ciclo da mineração: razão da riqueza dos Feitosa. Pouco tempo fazia, que a Vila Rica do Albuquerque, fundada pelo governador geral no Rio de Janeiro, Antônio de Albuquerque Coelho, procedente de Angola, sobrinho neto de Jerônimo. Vila Rica passou a chamar-se de Ouro Preto.

Este Arnaud era casado com uma irmã de Antônio, o pai do noivo, portanto, neto de Filippo Cavalcanti e de Catarina, filha de Jerônimo de Albuquerque. No caso, se não tratando de Arnaud de Holanda, o sócio de Sebal Lins Dorndorf, casado com uma filha de Filippo e Catarina. Mas, do seu neto. 

Sobre este relacionamento familiar, Maria Cristina Cavalcanti de Albuquerque, em seu romance “Memórias de Isabel Cavalcanti” alude a uma carta da sua filha, datada de 15 de abril de 1759. Na qual, Isabel narra dois episódios. Sendo um da visita de Pedro ao seu engenho Nazaré, em Pernambuco  e da sua visita à casa do genro nos Inhamuns:

No dia de hoje, recebemos a visita de minha filha Ana Cavalcanti, acompanhada do marido Pedro Alves Feitosa. Ele comanda as vastas terras dos Inhamuns. Fizeram uma viagem exaustiva e trouxeram numerosa criadagem.”

“Neste último ano eu consegui pagar uma velha promessa à minha filha Ana Cavalcanti de Nazaré. Como sabeis, Ana casou com Pedro Alves Feitosa, enquanto Bernardina esposou Manoel Ferreira Serro. Ambos filhos de Francisco Alves Feitosa e de dona Catarina da Rocha Cardosa de Resende e Macrina. São os principais mandantes de uma imensa área dos sertões do Ceará, destinada à criação de rebanhos de gado. Pedro é capitão mor dos Cariris Novos e juiz ordinário da freguesia de Nossa Senhora do Monte nos Inhamuns.”

” A família Feitosa é, certamente, a mais importante do lugar. Possuiu, não é exagero meu, mais de uma centena de fazendas, algumas delas de grandes dimensões. Meu genro confessou-me possuir, pessoalmente, quarenta e duas propriedades distintas, cerca de trezentos e cinqüenta escravos, várias dezenas de vaqueiros brancos ou cabras, uma centena de moradores. Diz-lhe ser possível reunir, em curto prazo, um exército de um mil e quinhentos homens.”

” A defesa do nome e da honra da família é levada ao extremo. Ao modo dos antigos Albuquerque. Por falta de hábitos mais urbanos, os varões cultivam a guerra como divertimento predileto.”

” Esse aparato bélico coexiste com uma vida doméstica muito simples e serena. Na casa de Ana, como nas moradas dos principais do lugar, os móveis são escassos e rústicos. Os hábitos austeros e nobres, a comida farta e sempre igual. Os objetos de adorno, os livros  as roupas finas são guardadas como raridades. A presença dos mascates, como a dos padres, dá-se de modo esporádico.”

Reeditada pela Fundação Gilberto Freyre, a Coleção Borges da Fonseca. Compilação e atualização de Cândido Pinheiro, médico e pesquisador do Ceará. O primeiro dos dez volumes tem por título “Albuquerque, a herança de Jerônimo o Torto”. O livro resgata a genealogia mais abalizada de imbricada consanguinidade dos troncos nordestinos descendentes diretos de Lopo de Albuquerque: os Cavalcanti de Albuquerque, Albuquerque Melo, Albuquerque Maranhão, Feitosa, Ximenes de Aragão e Albuquerque Arcoverde. O compêndio traz, ainda, a notícia do casamento do rei Ramiro II de León com Artiga Alboazar, irmã do líder berbere do Gharb Al Andalus: origem ancestral dos Albuquerque. Os berberes, na releitura que faz Joana de Mello  da obra de Ricardo Severo  em contraposição à de Alexandre Herculano, são semitas de ascendência púnica: fenícios de Cartago. Árabes e judeus miscigenados com as tribos negras do norte da África, notadamente, do Sudão e da Etiópia. Gharb é o vernáculo árabe referente a ocidente. Compreendia as regiões de Coimbra, Foz do Tejo, Alto e Baixo Alentejo e o Algarve. Os seus líderes, sempre resistiram à centralização do poder pelos califas de Córdoba. O episódio do casamento de Ramiro II e Artiga, também conhecida por Zahra, ou Zayra, é narrado no "Catálogo dos Bispos do Porto": edição de 1623.

Trato minucioso da ascendência e descendência de Francisco Alves Feitosa. Reedição da Fundação Gilberto Freyre, a Coleção Borges da Fonseca. Compilação e atualização de Cândido Pinheiro, médico e pesquisador do Ceará. O primeiro dos dez volumes tem por título “Albuquerque, a herança de Jerônimo o Torto”. O livro resgata a genealogia mais abalizada de imbricada consanguinidade dos troncos nordestinos descendentes diretos de Lopo de Albuquerque: os Cavalcanti de Albuquerque, Albuquerque Melo, Albuquerque Maranhão, Feitosa, Ximenes de Aragão e Albuquerque Arcoverde. O compêndio traz, ainda, a notícia do casamento do rei Ramiro II de León com Artiga Alboazar, irmã do líder berbere do Gharb Al Andalus: origem ancestral dos Albuquerque. Os berberes, na releitura que faz Joana de Mello da obra de Ricardo Severo em contraposição à de Alexandre Herculano, são semitas de ascendência púnica: fenícios de Cartago. Árabes e judeus miscigenados com as tribos negras do norte da África, notadamente, do Sudão e da Etiópia. Gharb é o vernáculo árabe referente a ocidente. Compreendia as regiões de Coimbra, Foz do Tejo, Alto e Baixo Alentejo e o Algarve. Os seus líderes, sempre resistiram à centralização do poder pelos califas de Córdoba. O episódio do casamento de Ramiro II e Artiga, também conhecida por Zahra, ou Zayra, é narrado no “Catálogo dos Bispos do Porto”: edição de 1623.

A partir desta consulta, desvenda-se o estreito parentesco de Francisco Alves Feitosa com Felipe de Pais Barreto: protagonista da parábola familiar O Nome e o Sangue” de Evaldo Cabral de Mello. Dado à comum ascendência na linhagem dos Sá e Albuquerque; o quê tantas agruras causou a Felipe, por serem reconhecidamente cristãos-novos. Este parentesco, tal a comum ascendência dos Feitosa e dos Cavalcanti de Albuquerque, são minunciosamente tratados no compêndio acima ilustrado.

Alcançando-se melhor compreensão das denúncias de Evaldo Cabral, com a leitura do ensaio Prosopopéia. Deste mesmo “blog” e, notadamente, com o cruzamento dos dados do “link”, também à margem direita desta página: ALBUQUERQUE – ÁRVORE GENEALÓGICA. Dado o parentesco ancestral.

Califato_de_Córdoba-1000

O Garb al Andaluz correspondia à parte atlântica do Califado de Córdoba. O quê viria a dar origem ao Condado Portucalense. sendo o seu primeiro titular Hermenegildo Gonçalves casado com Mumadona Diaz. Pais do primeiro rei de Portugal: Dom Dinis.

Há lendas da origem dos Feitosa, em duas irmãs e dois irmãos, refugiados da Inquisição, chegados ao Brasil na segunda metade do Século XVII. Outra, de uma viúva, por igual época chegada com dois filhos. Em um ponto estas lendas coincidem: os nomes dos irmãos: João Alves Feitosa e José Alves Cavalcanti que se assentaram na região de Penedo, então Pernambuco, hoje Estado de Alagoas. 

A verdade, entretanto, é que se não sabe das razões destes dois Cavalcanti adotarem o topônimo Feitosa: uma pequena freguesia do Concelho de Ponte de Lima, Distrito de Viana do Castelo; Portugal. Apelido o qual somente passou a tomar vulto a partir de 1817; com a derrocada da revolução emancipacionista. A  qual viria a desencadear a revolução de 1824: a Confederação do Equador. Razões do secular mito dos Feitosa acoitarem criminosos. Detalhes os quais escaparam aos historiadores cearenses Nertan Macedo e Raimundo Girão. 

LEGENDA

Henry Koster: Viagens ao Nordeste do Brasil. Compêndio máximo para a interpretação da verdade histórica. Reeditado pela Fundação Joaquim Nabuco, de Pernambuco, sob a orientação do mestre Leonardo Dantas Silva.

Entretanto, as lendas servem para velar a verdade histórica, na sua narrativa heroica para a construção de um discurso de fácil assimilação. O quê levanta a suspeita de assim haverem adotado o nome para escapar das perseguições, do terror de Estado instalado por Dom João V, em fato da derrocada, em 1710, da Guerra dos Mascates.

Mas, as lendas, são apenas narrativas desenvolvidas na tentativa de um determinado grupo social legitimar-se e fazer-se reconhecer como distinto entre os demais, pela objetivação deste mesmo discurso para a dominação. Tal como da preleção de Pierre Bourdieu, citado por Edilberto Mendes da Silva em sua dissertação em sede de mestrado junto à Universidade Federal do Ceará.

Assim não fosse, o historiador inglês Henry Koster, em suas Viagens ao Nordeste do Brasil”: Londres, 1816. Não teria fixado o protagonista Manuel Martins Chaves, aliás, Manuel Gonçalves Vieira, como o terrível chefe do poderoso clã dos Feitosa dos Inhamuns. Vindo a sua única filha, Ana Gonçalves Vieira a ser a sua matriarca.

O mais intrigante é que Koster não trata Vieira, como líder do clã. Mas, chefe do partido dos Feitosa: como um grupo multifamiliar sob orientação única. O quê entendera por partido, seria em verdade um ma’amad de cristãos-novos: um Custódio de denominação criptografada? Vindo a formar unidade familiar, já no Século XIX, com a sua única filha. Tal como das notas do Barão de Studart. 

Registra Koster, ainda, Manuel Martins Chaves, morto sob torturas no Limoeiro de Lisboa, o qual deixara a cidade de Penedo, Alagoas, por ocasião da morte por enforcamento do seu pai Antônio Gonçalves Vieira: acusado de crime de usura  e de ser judaizante. O quê, ainda, mais empresta sustentação à tese da formação de um Custódio.

Declaração de bens de Eufrásia Alves Feitosa. Com terras no Ceará, Rio Grande do Norte, notadamente o Engenho Tamatanduba, Paraíba e Pernambuco.

Localizavam-se, estas propriedades, no Rio São Francisco. No Rio Jaguaribe. No Riacho dos Porcos. No Rio do Jucá. No Boqueirão do Arneiroz. No Quixelô. Na Lagoa do Iguatu e em Caiçaras: região da cidade de Groaíras. Além do Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco, como já referido.

As quais seriam, ainda, acrescidas pelo dote de Ana Gonçalves Vieira: única filha de Manuel Martins Chaves; por herança do seu tio Antônio da Costa Leitão. Como, em fato do seu casamento com  o capitão-mor José Alves Feitosa, neto de Francisco: o patriarca.

Mais tarde, com o casamento da sua filha Eufrásia Alves Feitosa com Leandro Custódio de Oliveira e Castro: filho de Bernardo de Freire e Castro, senhor do Engenho Tamatanduba.  Limítrofe do Engenho Cunhaú de Jerônimo de Albuquerque Maranhão, nosso quinto avô, em Alagoinha: Rio Grande do Norte.

O engenho Tamatanduba, quinhão do espólio de Antônia Josefa do Espírito Santo Arcoverde: neta de Jerônimo. Mãe de André de Albuquerque Arcoverde: Dendé. Senhora do engenho Cunhaú. Foi arrestado em dívidas por seu genro Bernardo de Freire e Castro. 

Leandro, filho de Bernardo, passou-se aos Inhamuns onde casou com Eufrásia. Seguro do poder bélico dos Feitosa, empossou o seu cunhado Vicente de Paiva: casado com a sua irmã Ana de Castro. Leandro engravidara uma sua prima Arcoverde, com quem não casou: Ana Tereza. Razão de graves incidentes, a culminar com o assassinato de Vicente.

Capela do Engenho Tamatanduba, Canguaretama, antiga Alagoinhas. Em Vila Flor, povoado de Pedro Velho: Rio Grande do Norte. Terras disputadas por André de Albuquerque Maranhão Arcoverde, senhor do contíguo Engenho Cunhaú, e Antônio Pereira de Brito Paiva: assassinado pelo antagonista na Ladeira do Suspiro. Antiga propriedade de Bernardo de Freire e Castro, passada a Eufrásia Alves Feitosa. Foto de Lúcia Paiva descendente do Cel. Castro Paiva: primo do Cel. Lourenço Alves Feitosa e Castro, neto de Eufrásia Alves Feitosa.

Capela do Engenho Tamatanduba, Canguaretama, antiga Alagoinha. Em Vila Flor, povoado de Pedro Velho: Rio Grande do Norte. Terras disputadas por André de Albuquerque Arcoverde, Dendé. Descendente direto de Jerônimo de Albuquerque e de Cristovão de Melo. Senhor do contíguo Engenho Cunhaú e Vicente Ferreira de Paiva, casado com Ana de Castro: assassinado pelo antagonista na Ladeira do Suspiro. Antiga propriedade de Bernardo de Freire e Castro, passada a Eufrásia Alves Feitosa: prima de Antônio, o homicida e   de Vicente; o vitimado. Foto de Lúcia Bezerra de Paiva, bisneta de Vicente: primo do Cel. Lourenço Alves Feitosa e Castro, neto de Bernardo de Freire e Castro. 

Contando, ainda, os Feitosa dos Inhamuns, ascendência em Pedro de Albuquerque Melo do Rio Formoso. Cediço ser Feitosa criptografia do hebraico Yosafet: Josafá; braço armado de Esdras. Sendo, ainda, Feitosa, o relativo português do sobrenome espanhol Bezerra e, ou, Beçerra.

lLegenda

Placa do Engenho Cunhaú. Um bisneto de Antônia Josefa, Paulo Fernando, novamente viria a casar com uma Castro: Rosa de Castro.

O epíteto Feitosa, em Portugal, aplica-se às novilhas vacuns e, mesmo, às moçoilas: meninas-moças. Sendo, em verdade, criptografia direta do hebraico Yosafeit: Josafá. Bastando inverter a ordem de leitura. Por seu turno, Melo ou Mello, é criptografia do hebraico “malla”: mensageiro. Já Albuquerque é vernáculo derivado do hebraico “alboker”: do alvorecer. Por declinação semântica: do levante ou do oriente. Para esta decodificação criptográfica usa-se a cifra Atbash: método dos rabinos cabalistas.

Este jogo de letras sempre foi de largo uso dos criptos judeus. Caesar Sobrerira, com referência no rabino Jacques Cukiekorn, do Kansas, EUA, cita-nos como exemplo o nome da cidade Venhaver do Rio Grande do Norte. Em verdade criptografia de Vem Chaver. Do hebraico chaver, pronuncia-se raver: companheiro. Portanto, se não tratando de mera suposição ou coincidência: Feitosa é mesmo Yosafeit.

Tendo, pois, Feitosa, o sentido conotativo daquilo que é novo:  moçoila e, ou, novilha. Nada mais lógico do que o emprego do vernáculo para designar um recém iniciado, um noviço: um cristão-novo.

Anota-nos Caesar Sobreira, em seu Nordeste Semita, ressaltar Gilberto Freyre a onipresença do judeu português na vida socioeconômica, em seu trabalho de inestimável valor para compreensão da brasilidade: “Casa Grande e Senzala”. Compila, Freyre, uma carta denúncia de um holandês de notabilidade, Wätjen, ao Conde Maurício de Nassau:

“Cada vês mais cai o comércio do Brasil holandês nas mãos dos judeus. Os comerciantes cristãos estão quase excluídos e tornaram-se meros intermediários dos judeus. Todos os israelitas que chegam aqui são bem recebidos pelos seus companheiros portugueses e empregados como agentes feitores ou de plantação de cana-de-açúcar. Todos os lugares de corretor são ocupados por judeus que se esforçam o mais possível para o progresso do comércio…”

Evidente! Com o advento da União Ibérica, Portugal perdeu a soberania e passou, junto a todas as suas colônias, à dominação da coroa espanhola por sessenta anos, no auge da Inquisição. Ou seja, de 1580 a 1640. Período em que amargou a decadência econômica com a perda da sua armada e da sua frota mercante. Notadamente em fato da derrota da “Invencível Armada”, organizada por Felipe II, em guerra com a Inglaterra no Canal da Mancha.

Os cristãos-novos, os judeus portugueses, refugiados em Amsterdã, consorciaram-se aos neerlandeses em luta pela independência dos Países Baixos e, como detinham o monopólio da produção açucareira, passaram a controlar o comércio do açúcar e demais gêneros coloniais.

O quê ensejou a fundação da Companhia das Índias Ocidentais. Passando a situação a ser, tal como do registro de Celso Furtado: em sua preleção sobre a “Formação Econômica do Brasil”. Vindo a conquista de Pernambuco, de Angola e o controle do tráfico negreiro, a ser consequência do processo histórico instalado.

“A partir da metade do Século XVI a produção portuguesa de açúcar passa a ser mais e mais uma empresa, em comum com os flamengos, inicialmente representados pelos interesses de Antuérpia e em seguida pelos de Amsterdã. Os flamengos recolhiam o produto em Lisboa, refinavam-no e faziam a distribuição por toda a Europa, particularmente o Báltico, a França e a Inglaterra… sic… Se se tem em conta que os holandeses controlavam o transporte (inclusive parte do transporte entre o Brasil e Portugal), a refinação e a comercialização do produto depreende-se que o negócio do açúcar era na realidade mais deles do que dos portugueses. Somente os lucros da refinação alcançavam aproximadamente a terça parte do valor do açúcar em bruto.”  

Os Ximenes de Aragão com passagem por Antuérpia, Bélgica. A ser Ximenes, valendo o “x” por “s”.  Assim como em hebraico: o “shim” por “samed”. Criptografia de Meneses: Manassés. Ressabido não haver vogais no hebraico. Sendo, pois, esta a transliteração: mnshs”. Deste imbricado parentesco, a despontar como expoente moderno o legendário pioneiro da indústria e da energia hidroelétrica do Brasil: Delmiro Gouveia.

A designação “judeu português” foi somente adotada  no Séc. XVII, pela Diáspora ibérica em Amsterdã: Holanda. São incontáveis as famílias descendentes dos judeus sefarditas chegados ao Brasil no séquito dos primeiros donatários. Ou a cumprir degredo. Ou em fuga da Inquisição, pela rota dos Países Baixos. Pulula de lápides com os seus nomes o Cemitério Judeu Português de Amsterdã, Beth Haim: Casa das Vidas, no subúrbio de Ouderkerk.

Beth Haim. Cemitério judeu português restaurado e mantido pela Fundação David Henriques de Castro. Lápide do jazigo da família Pinto. A fugir do costume dos judeus portugueses de ornar as suas pedras tumulares com as heráldicas de família. O cemitério, ainda, abriga túmulos de muitos negros libertos e convertidos ao judaísmo no Brasil, passados para a Holanda quando da queda da Companhia das Índias Ocidentais e que entraram para a comunidade judaica. Vindo a exercer posições de destaque como Eliézer, o Sábio, o qual se fez doutor em lei judaica e estabeleceu-se como agente mercantil. Muitos desses negros eram genuinamente judeus por serem originários da Etiópia. Portanto, da etnia judaica falashita dos descendentes de Salomão com a Rainha Sabah: quem o ispirou o Cântico dos Cânticos. Alguns falashitas eram adquiridos junto às outras levas africanas em fato dos muçulmanos exercerem o monopólio da captação e tráfico negreiro na África. 

São estas famílias, entre muitas outras, os: Alencar, Almeida, Álvares, Alves, Andrade, Azevedo, Barbosa, Barreto, Barros, Bezerra, Berenguer, Borba, Braga, Cardoso ou Cardozo, Cardosa ou Cardoza, Castro, Costa, Coronel, Coutinho, Dias, Domingues, Ferreira, Ferro, Fernandes, Fonseca, Gondim, Gomes, Gonçalves, Gonzaga, Henriques, Jorge, Lima, Lins, Lopes, ou Lopez, Luna, Lucena, Madeira, Mattos ou Matos, Martins, Melo ou Mello, Mendes, Meneses ou Menezes, Miranda, Muniz ou Monis, Nunes, Oliveira, Ortiz, Pedrosa, Pereira, Pessoa, Pinheiro, Pinto, Queiroz, Salsa, Silva, Soares, Souza ou Sousa, Tabosa (Sabaot, decodificado) Teixeira, Veiga ( português) e Vega (espanhol).

Diz-nos Francisco Antônio Doria, das suas notas em “Sangue Converso no Brasil Colônia I”, que todo aquele a ter sangue dos primeiros colonizadores de Pernambuco, terá, forçosamente, sangue de conversos. Indicando a si, que o marranismo da elite açucareira pernambucana encontre raiz no próprio Jerônimo de Albuquerque: o Adão Pernambucano.

Heráldica dos Castro, a qual estampa muitas das lápides de Beth Haim. Era costume entre os judeus portugueses exaltarem, em seus túmulos, as suas origens familiares. Como, até hoje, tem-se preservado em Amsterdã os brasões dessas famílias nas fachadas frontais das suas antigas moradias no antigo bairro judeu. Coração do setor histórico: Jodenburt. Interessante notar que um meu dileto irmão ashkenazita, judeu do leste europeu, protestou junto a mim que os judeus somente passaram a adotar sobrenomes no Séc. XIX. Ao que eu retruquei: Não queira o amigo atribuir a identidade judaica à exclusividade ashkenazita. Nós somos quatro etnias em franca harmônica coexistência. Mas, com história, tradições e idiossincrasias distintas. O judeu luso-espanhol sempre adotou sobrenomes. Principalmente os marranos: ditos conversos. Para tudo bem compreender, vale a consulta a Cecil Roth, Howard Sachar, Werner Keler, Zion Zohar, Mark R. Cohen, Esther Benbassa, Aron Rodrigue e Miriam Bodian. O ashkenazita calou-se.

Ainda em “Sangue Converso no Brasil Colônia I”, desfaz-nos Francisco Antônio Doria a lenda da ascendência de Arnaud de Holanda em uma tal Margreth Florenz: casada com certo Barão Hendrick Van Rhilnburg, ou, mesmo, Von Reinburg na forma alemã.

Fixando-nos a sua indubitável ascendência judaica. Havendo, mesmo, o pai de Arnaud, Jacob, casado com a judaizante Brites Mendes: “a Velha”. Acusada pelo Tribunal do Santo Ofício de ser comadre da legendária Branca Dias. Fazendo anotar, Doria, do processo de Inquisição de um seu tetraneto a imputação do visitador: de haver tido Brites Mendes os pais supliciados pelo Santo Ofício. Havendo a sua mãe, sido queimada viva em um auto-de-fé.

Arnaud de Holanda, junto a Sebal Lins Dorndoff, agentes financeiros de Anton Füger de Agsburgo. Sendo o nome Füger, obliteração germânica do português Figueira. Pioneiro do financiamento da economia açucareira, são, em linha direta de sucessão de Jerônimo de Albuquerque, os patriarcas dos Accioli, Lins, Gomes de Mello, Wanderley, Barros Pimentel, Holanda Cavalcanti, Cavalcanti de Albuquerque, Suassuna, Bezerra Cavalcanti e Pires de Carvalho. O interventor da república em Pernambuco, Etelvino Lins é seu descendente direto.

Primeira lauda dos autos do depoimento de Jacob de Holanda: bisavô de Catarina da Rocha Cardosa. Tio do patriarca Sebal Lins Dorndoff, ao Tribunal do Santo Ofício. Documento em que se confessa cristão-novo e dá a sua filiação em Jacome de Holanda e Leonor Mendes. Assim, negando a sua ascendência no tal Barão Hendrick Van Rhilnburg. Arquivo digital cedido por Francisco Antonio Doria.

Desvenda-nos, Doria, a descendência da legendária Branca Dias e Diogo Fernandes: primeiros donos do Engenho Camaragibe. Provindo, em parte, do casamento de uma sua neta Maria de Paiva com Agostinho de Holanda e Vasconcellos: filho de Arnaud de Holanda e de Brites Mendes.

Alcançando seus descendentes praticamente todas as grandes famílias de Pernambuco. Havendo, nessa linha, um casamento de um descendente de Branca Dias com uma filha de João Cavalcanti de Albuquerque: do Engenho Apoá. Descendente do ramo varonil dos Holanda Cavalcanti.

Anton Füger: Nuremberg 1493 – 1560. Foi herdeiro universal do seu tio Jakob Fugger. Casou com Anna de Augsburg. Sebal Lins Dorndoff e Arnaud de Holanda foram seus agentes financeiros pioneiros no financiamento da indústria do açúcar no Brasil. Vindo, o primeiro, a casar com uma filha e segundo com uma neta de Jerônimo de Albuquerque.

Anton Füger: Nuremberg 1493 – 1560. Foi herdeiro universal do seu tio Jakob Fugger. Casou com Anna de Augsburg. Sebal Lins Dorndoff e Arnaud de Holanda foram seus agentes financeiros pioneiros no financiamento da indústria do açúcar no Brasil. Vindo, o primeiro, a casar com uma filha e o segundo com uma neta de Jerônimo de Albuquerque.

Os Mannelli, detentores do monopólio do comércio da seda, aparentados a Filippo Cavalcanti, o qual tem por mãe a Ginevra Mannelli, têm a sua descendência, no Brasil, em Branca Dias. Assim como muitos dos Tenório de Albuquerque de Alagoas e Pernambuco. Ainda, um ramo dos Paes Barreto provem de Branca Dias.

Ou seja, o sangue desta mulher ícone das barbaridades praticadas pelo Tribunal do Santo Ofício contra judeus e judaizantes brasileiros, permanece em boa parte da população pernambucana. Notadamente da sua elite açucareira: os Bezerra Cavalcanti, os Marinho Falcão e os Lacerda Falcão.

Um filho de Filippo Cavalcanti com Catarina de Albuquerque, filha de Jerônimo de Albuquerque e da tabajara Muyrah Uby, Antônio, casou com Isabel de Goes: filha do judeu português Arnaud de Holanda. Ver o link à margem direita deste blog: FILIPPO DI CAVALCANTI – ÁRVORE GENEALÓGICA

Sendo, portanto, o Brasil, um país de ascendência judaica por excelência. Nada justificando o descalabro da atual política externa tocada a peito pelo Itamaraty ideologicamente aparelhado pelo governo Lula da Silva. Cumprindo emprestar, para título deste artigo, as palavras do Visitador do Santo Ofício, o Padre Vieira: “Cristão-novo; Judeu-Velh

A valer registro os protestos de Sebastião José de Carvalho e Melo: o Marquês de Pombal. Primeiro Ministro do Rei Dom José I. Digno livre obreiro: maçon. O qual tinha por certo ser Portugal um país de ascendência judaica por excelência. Pombal desbancou a Igreja Católica Apostólica Romana dos seus poderes temporais e cassou o poder de polícia do famigerado Tribunal do Santo Ofício. Assim, vingando os antepassados.

Conta-nos Caesar Sobreira, com base em Léon Poliacov, que o Rei de Portugal, Dom José I, ordenara que todo português com qualquer ascendência judaica usasse um chapéu amarelo. Dias depois, o Marquês de Pombal fez-se presente à Corte a portar três desses chapéus.

O Rei indagou de Pombal qual a razão daqueles três chapéus. Ao que o Marquês respondeu-lhe ser para cumprir o seu decreto. A dizer-lhe ser um para si próprio, um para o Rei e o outro para o grande inquisidor.

Assistia razão ao Marquês de Pombal. Estudos de DNA procedidos pelo Prof. Mark A. Jobling da Universidade de Leicester, Reino Unido. Publicados pela Folha de São Paulo em 5 de Dezembro de 2008. Indicam que mais de 20% da atual população da Península Ibérica é de ascendência judaica. Isto a contar o brutal genocídio e expulsão empreendidos pela Inquisição Católica Romana.

Isabel de Castro  e Artur Pio: atual Duque de Bragança.

Isabel de Castro e Duarte Pio: atual Duque de Bragança.

 

Ora, é ressabido que os judeus, juntamente com os fenícios, chegaram à Península Ibérica cerca de mil anos antes da era comum. Ou seja, do advento de Jesus. Miscigenando-se com os povos autóctones para, assim, fazer-se nativo. Como corretamente registra Caesar Sobreira.

O historiador Benzion Netanyahu, emérito professor da Universidade Hebraica de Jerusalém, pai do primeiro ministro Benjamin Netanyahu, comungando das teses de Samuel Bochart, geógrafo bíblico protestante: 1599/1667. Em seu livro “Jewish History in Spain”, localiza Tarshishi, ou seja, a riquíssima colônia fenícia de Tarsus, mencionada pelos profetas Isaías, Jeremias, e Ezequiel ( 27.12-14). Assim como nos livros dos reis (10.22), de Jonas ( 1.3) e nas cartas de Paulo aos romanos ( 15.24-28), como o ponto mais ocidental ao qual se poderia alcançar por navegação.

Na concepção de Bochart, Tarshish, ou Tarsus, seria realmente a atual Espanha, compreendendo o território português. Somente passada ao domínio romano com a vitória das Guerras Púnicas (218 a 202 AC), com a queda de Cartago: sede do império de Aníbal. Cumprindo esclarecer denominarem os romanos estas guerras de púnicas por assim chamarem aos fenícios de phunius: semitas não monoteístas que legaram o alfabeto hebraico como hoje conhecido.

Com o desenvolvimento destes estudos, é realmente possível datar a presença judaica na Península Ibérica em torno de um mil e quinhentos anos antes da presença romana. Com o estabelecimento das colônias fenícias de Toledo e Alis Ubbo. Mais tarde o Olissipo dos romanos. Finalmente denominada pelos conquistadores árabes de Al Ushbuna: do vulgar Lishbuna, atual Lisboa. Assim como outras mais ao norte a exemplo da localidade aonde refugiou-se o apóstolo Thiago na atual Galícia.

Jakob Fugger, instituído da companhia pioneira do financiamento da indústria do açúcar no Brasil.

Jakob Függer: instituidor da companhia pioneira do financiamento da indústria do açúcar no Brasil.

Sendo o judeu, em sua gênese, um povo e jamais uma raça como propuseram os manuais da Inquisição e do nazismo. Por receber, durante milhares de anos, contribuições genéticas de vários outros povos como dos caldeus, dos amitas: antigos egípcios. Dos hititas, dos persas e de povos da África Sub-Saarica. Lhe não foi difícil, nem improvável, a miscigenação com os autóctones ibéricos. Dentre muitos, os iberos propriamente ditos e os bascos. Bem como os celtas e os germânicos deslocados por força do Império Romano.

Verdade é que somente com a vitória do cônsul Tito nas Guerras Judaicas, depois imperador sob o nome de Falvius Caesar Vespasianus Augustos (39 a 81 DC). Com a destruição de Jerusalém e o desterro dos judeus para as províncias ocidentais. A Diáspora veio alcançar uma maior expressão da sua presença multimilenar. O que corrobora toda a assertiva da origem dos sefarditas e da sua natividade ibérica neste artigo defendidas.

No Brasil, portanto, não seria difícil, nem pejorativo ao judeu português miscigenar-se ao negro e ao tupinambá para amálgama da brasilidade. Cumprindo, aqui, denunciar a concepção ideológica inquisitorial nas razões do Padre Vieira, reeditada por Hitler ao infirmar que:  “Um descendente de judeu, somente limpa o sangue depois da décima geração. Até então, ao deparar-se com qualquer reminiscência, inevitavelmente retorna à identidade judaica”.

Assim, ao seu ver, a não valer esperar. Optou Hitler pela Solução Final: o Holocausto. Sendo esta a igual razão do Holocausto Nuclear: projeto maior da Ditadura Teocrática do Irã. Isto na satânica expressão do seu títere Mahmoud Ahmadinejad: apaniguado de Lula da Silva.

Pedro Alvares Cabral: “Achador do Brasil”, assim como o chamam em Portugal. Casado com Isabel de Castro, sobrinha de Afonso de Albuquerque: Vice-Rei da Índia.

Bem entender a presença do judeu luso-espanhol, na estrutura da sociedade brasileira, é tanto difícil. Mesmo, em razão e fato da Inquisição Católica Romana haver praticado um “genealogicídio”: como do protesto de Evaldo Cabral de Mello. Isto, para usar do bem empregado vernáculo desenvolvido pelo historiador Elias Lipiner.

Para imputar a Borges da Fonseca, então Comissário da Inquisição, a manipulação genealógica. Para, assim, ocultar as raízes judaicas da esmagadora maioria das famílias coloniais portuguesas e espanholas: as quais fixaram o basilar elemento europeu da nossa nacionalidade. Mas, com a Inquisição em pleno vigor. Ou Borges da Fonseca praticaria um genealogicídio, a esconder as raízes judaicas de muitos dignitários, ou seria cúmplice do genocídio Católico Romano.

Ao prosseguir na leitura deste artigo, alcança-se a compreensão do avassalador dano à História do Brasil, à identidade nacional e à Diáspora; causado pela promulgação do Dia Nacional da Imigração Judaica.  A fazer do judeu brasileiro estran”J”eiro na sua natividade. Projeto da desastrosa iniciativa do ex deputado Marcelo Zaturansky Nogueira Itagiba: não reconduzido à câmara federal.

No equívoco ideológico sectário da direta subversão do conceito de continente e contingente. Para generalizar a identidade judaica na excepcionalidade de uma etnia: ashkenazita.  Ao invés de consagrar esta identidade no geral da diversidade das etnias: ashkenazita, mizrahita, falashita e sefardita. Prestou, assim, Marcelo Itagiba, como inocente útil, inequívoco serviço ao anti-semitismo.

Com isto, vindo tão somente embasar o acintoso discurso de Lula, no parlamento de Israel. Para fazer do judeu minoria estrangeira em sua própria terra: o Brasil. Ao artificiosamente infirmar a superioridade numérica dos imigrantes muçulmanos e, assim, justificar, no seu ideal apátrida, a alienação da brasilidade em favor da Conspiração Islâmica.

Amsterdã. Ouderkerk. Segundo da esquerda para a direita da foto, Senior Coronel: presidente da Fundação David Henriques de Castro. A qual patrocina a restauração e a manutenção de Beth Haim. Senior é descendente direto de David Senior Coronel: o mesmo Duarte Saraiva. Quem comprou e pagou o preço do terreno e obteve a licença tanto para construir o cemitério em Ouderkerk, como para instalar a primeira sinagoga das Américas em Recife: Kaal Kadosh Zur Israel.

Mas, esta dificuldade de compreensão da formação idiossincrática e étnica da gente brasileira, não tem unicamente causa na imbricação histórica. Em fato de ser simples tal realidade. Tampouco na distância dos tempos, ou na assimilação das gerações descendentes. A causa reside, mesmo, na sistemática erradicação da identidade sefardita das gerações descendentes.

Isto pela supressão da memória da presença do elemento judeu colonial. Processo inquisitorial de extinção de um povo por aniquilamento moral: no dizer do Rabino Yehoshua Kemelman de Sidney, Austrália. Ora, sem memória; sem identidade. Sem identidade; sem liberdade! O quê deveria ser da sabença de um representante popular eleito em processo de legitimidade democrática de uma nação pluralista.

Tudo para consolidar o Império Português: vassalo do Sacro Império Romano Germânico, por legitimação única da Igreja Católica Apostólica Romana. Nada haver com a garantização da hegemonia do Catolicismo Romano, como religião oficial de Estado. Tampouco com o cristianismo; em aspectos teologais. Notadamente, nada haver com a catequese de evangelização.

Mesmo porque,  a  institucional Igreja Católica Apostólica Romana somente surgiu no ano 320 da era comum. Como impostura do Concílio de Nicéia. Isto para unificação das igrejas cristãs sob a égide do imperador romano Constantino. Na ocasião eleito primeiro Sumo Pontífice: Papa. Ou seja: Pontifex Maximus.

Unidade esta que viria a desintegrar-se com a Reforma e a Contra Reforma no início da Idade Moderna. Haver sido o apóstolo Pedro o primeiro Papa, investido por Jesus, é dogma. Dogma, pois, não é fato histórico; não confere veracidade. Jesus nada revogou, nem instituiu: Mateus, 5-17.

Martim Lutero: O reformador. Contudo, incoerente, incorporou o pior da Inquisição para arrimo do fanatismo protestante. Antissemita radical, legou a base ideológica do genocídio nazista em sua tese: “Sobre os Judeus e as suas Mentiras”.

Ocasião em que o Bispo Ário foi condenado como herege. Bem como inúmeras versões, autênticas, do Evangelho foram proscritas e queimadas. O próprio Evangelho Segundo Tiago foi julgado apócrifo: por embasar a doutrina de Ário.

A qual negava a identidade divina de Jesus; ao tempo que defendia a sua afinidade como homem iluminado. Negando, assim, o mito da teopsia em Jesus transmudado no Cristo. Quando o valor de Jesus, para a Civilização Ocidental, não está em uma sua virtual identidade divina. Mas, na grandeza da sua doutrina: na sua revelação para a reforma e construção da civilização ocidental.

Mas, para socorro da origem divina do poder inconteste e supra temporal do imperador. O que viria emprestar fundamentação ao direito divino dos reis. A perdurar até a Revolução Francesa. Fazia-se, pois, necessário matar o homem, Jesus, no Cristo, para encarnar no homem o Cristo divinizado.

Gaius Flavius Valerius Constantinus. Primeiro Pontifex Maximus: Papa. Sagrado pelo Concílio de Nicéia no ano 320 da era comum.

Gaius Flavius Valerius Constantinus. Primeiro Pontifex Maximus: Papa. Sagrado pelo Concílio de Nicéia no ano 320 da era comum. A sua mãe, mandante dos assassinos da nora, foi canonizada pela Igreja Católica Apostólica Romana como Santa Helena.

É que os imperadores romanos, desde o primeiro: Otávio. Foram, sempre, deificados. Idolatria: origem da canonização. Para realizar a presença do Deus pai, então Júpiter, entre os mortais. Assim, efetivado o mito de Deus feito homem. 

Para tanto, fez-se necessário o uso do sincretismo religioso. Para tudo consolidar sob a autoridade única de um Estado dualista: civil e laico e, ao mesmo tempo,  teocrático. Todavia monolítico. Sob os pés do Imperador canonizado. Tudo em direta subversão da doutrina do próprio Jesus: Mateus, XXII: 15-22; Marcos, XII: 13-17.

Sendo estas as razões maiores, para o advento da Inquisição. Como indispensável aparato de consolidação dos embrionários Estados nacionais. Para, logo mais, empestar base ideológica e método ao Holocausto: um só povo, um só líder. Na sustentação do ensandecido apelo populista do nacional socialismo: canto de cisne do Sacro Império Romano Germânico.

Todavia, a primeira iniciativa de afirmação dos Estados nacionais, para lhes garantir a soberania foi a ruptura com a cúria romana. Pela constituição de um cristianismo independente e reformado. Daí o sucesso de Martinho Lutero, Calvino e mais outros teólogos.

Notadamente, a vitória de Henrique VIII. Ao constituir a Igreja Episcopal Anglicana, para libertar-se do jugo do alongado cetro do Sacro Império Romano Germânico: a coroa espanhola. Sendo esta a verdadeira causa do seu divórcio da Rainha Catarina; filha dos inquisidores reis católicos: Fernando e Isabel de Castela.

Catarina de Aragão. Mãe da rainha Maria I da Inglaterra. Factóide de Henrique VIII para justificar o seu rompimento com a Igreja Católica Apostólica Romana. De qualquer modo, deve-se a Henrique o estado moderno inglês na sua tradicional independência do bloco europeu continental.

Em conseqüência disto, na Europa continental, a Inquisição veio a fortalecer-se como instituição secular. Para consolidação dos estados nacionais. Mesmo no controle do  aparelhamento ideológico da Igreja Católica Romana. A ter ininterrupto seguimento por mais de 700 anos: a culminar com o Holocausto.

Valendo registrar que somente no Séc. XX, os tribunais da Inquisição foram suprimidos pelos modernos Estados europeus. Mas foram mantidos pelo Estado Pontifício até 1908, sob o Papa Pio X. Quando o Tribunal do Santo Ofício foi renomeado como Sacra Congregação do Santo Ofício. Vindo, na Alemanha, no plano secular, a ser substituído pelo III Reich; mediante a célebre Concordata.

Em 1965, por ocasião do Concílio Vaticano II, durante o pontificado de Paulo VI, em clima de grandes transformações na Igreja, após o papado de João XXIII, o Tribunal do Santo Ofício recebeu a denominação atual de Congregação para a Doutrina da Fé.

Somente em 1973, no Brasil, com a Constituição Outorgada pelas forças do contragolpe militar de 1964, por gloriosa luta da Maçonaria, a Igreja Católica Apostólica Romana perdeu o status de Religião Oficial do Estado.

Sendo esta a razão da guinada do clero às esquerdas populistas, com as suas pastorais da terra e as suas comunidades eclesiais de base. As quais, na atualidade, de modo sub-reptício, ameaçam fazer impor um novo Santo Ofício junto ao poder temporal para reescrever a história. Isto nos bastidores das forças políticas comprometidas com o Foro de São Paulo. Mesmo com a instauração da Comissão da Verdade embutida, na terceira versão do Plano Nacional de Direitos Humanos.

legenda

Padre Marcelo Rossi, ao criticar a proposta da CNBB-Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, de atrair mais fiéis com a retomada das comunidades eclesiais de base: CEBs. Cujos integrantes participaram da fundação do PT e do MST. Um audacioso passo à venezualização. É textual, ao denunciar: “Se olhar os que estão no governo, a maioria surgiu das CEBs.” Em verdade, a proposta da CNBB, de manipulação das massas, vem ao socorro da candidatura de Dilma Rousseff à reeleição: expoente do período da mais acintosa corrupção da história do Brasil.

A Inquisição Católica Romana, com as suas “provanças” de fé e de pureza de sangue. Isto é, de raça. De defeitos de subalterna origem social:  mesmo dos havidos por cristãos velhos. Se é que os houve na História de Portugal. É a causa maior do atraso sociocultural e econômico de todas as nações de origem colonial portuguesa e espanhola. O padre Marcelo Rossi em declaração, na edição da revista Veja de 08 ∕05 ∕2013: de n. 2320.

Sendo, mesmo, o germe do totalitarismo latente na América Latina. Causa das cíclicas sístoles e diástoles na sua história política. Isto, para emprestar palavras ao bravo coronel Golbery do Couto e Silva.

A corroborar esta assertiva, a sobrevivência e ascensão de rebotalhos como Fidel e Raúl Castro, Hugo Chávez, Christina Kirchner, Fernando Lugo e Nicolàs Maduro: esporos desta bactéria incubada pela catequese inquisitorial; hoje mantida pela Teologia da Libertação de Leonardo Boff. Ora, todo povo retardo carece de um herói messiânico! Tal como das advertências do padre católico romano Paulo Ricardo de Azevedo, enquanto aos nefastos danos da comunhão da Igreja com o Estado. Nisto a ressaltar o exemplo do obsequioso silêncio” em favor de Hitler e Mussolini.

A tramitação do processo inquisitorial em segredo. Mesmo do acusado, considerado culpado até prova em contrário.  Com o seu interrogatório sob tortura: o que não indultava o réu da pena capital da morte na fogueira. Fez-se de consagrado ato de caridade para, com isto, livrá-lo da eternidade nos infernos.

A Inquisição constituiu-se instituição independente e, mesmo, acima da Igreja Católica Romana no seu próprio controle interno. Vindo, com isto, promover o maior genocídio de toda História. Com a matança indiscriminada de homens, mulheres e crianças imoladas vivas nos brasis dos autos-de-fé.

Isto, a exaltar a delação premiada com a recompensa celestial, prometida às crianças submetidas ao catecismo. Para acusação de amigos e parentes.  Como dos próprios pais, por práticas judaizantes. No seu aparato, ainda, o terror da exumação dos acusados. Para serem, post mortem, processados e condenados e, assim, terem os restos mortais calcinados em autos-de-fé. Tudo, para a sua eterna danação e a perpétua execração pública dos seus descendentes.

Acreditando, negado a eles o beneplácito do Juízo Final. O conhecimento da misericórdia divina. Por lhes ser impossível a ressurreição da carne incinerada e, assim,  o seu comparecimento diante da graça de Deus.

No Brasil, é caso exemplar disto Branca Dias e Diogo Fernandes, do Engenho Camaragibe: Pernambuco. Diletos protegidos do Donatário Duarte Coelho Pereira e do seu cunhado e lugar tenente Jerônimo de Albuquerque.

Matias, aliás, Psaulo de Albuquerque

Matias, aliás, Psaulo de Albuquerque. Neto do cristão-novo Duarte Coelho Pereira: primeiro donatário de Pernambuco. Sobrinho neto de Jerônimo. Líder da Insurreição Pernambucana,  que levou à queda a holandesa Companhia das Índias Ocidentais. Patrono do Exército do Brasil. Herói da Restauração Portuguesa. Conde de Alegrete, quando da ascensão do seu primo, o Duque de Bragança, ao Trono sob o título de Dom João IV. O seu irmão, terceiro donatário de Pernambuco, Conde de Basto, Duarte de Albuquerque casou com a sua prima Joana de Castro. Retrato a têmpera sobre tela e madeira: Galleria degli Uffizi, Mezzanino degli Occhi. Palácio Pitti. Florença, Itália. Matias foi confundido por Voltaire, em sua crônica “O Século de Luís XIV” com o Duque de Albuquerque. Mas, os primeiros Duques de Albuquerque foram os filhos de Inês de Castro: esposa de Dom Pedro I de Portugal.

Enquanto perdurou o poder donatarial dos Albuquerque, o quê, por ironia histórica, veio a sucumbir coincidente com a queda da Companhia das Índias Ocidentais. Até então, a Inquisição lhes não lançou mãos ao seu próprio alvedrio. Cumprindo a leitura de Alexandre Ribemboim; entre outros seus trabalhos: “Senhores de Engenho Judeus de Pernambuco”

Antiga casa sede do Engenho Camaragibe, Pernambuco. Construída no mesmo sítio da casa que pertenceu a Diogo Fernandes e Branca Dias. Onde funcionou, de modo improvisado, a primeira sinagoga do Brasil. Sendo, oficialmente, a primeira sinagoga das Américas a antiga sinagoga portuguesa do Recife: Kaal Kadosh Zur Israel.

Em razão desta mesma fundamentação teológica, o manual inquisitorial proibia a tortura, ou a execução com o derramamento de sangue. Por entender beneficiar ao réu, o fato da terra beber-lhe o sangue e, assim, permitir-lhe a ressurreição da carne com a suscetível prometida vida eterna.

Daí, mais uma razão ideológica ou, mesmo, de ocultismo, para os fornos crematórios de Hitler. Não deixar, portanto, restos a serem absorvidos pela mãe terra. Para o condenado não cumprir a sentença da terra devolver-lhe o corpo: quando do Juízo Final. Com isto, ter-se-ia operado em eficiência teológica.

Com o judaizante condenado, para sempre: morto e amaldiçoado. Para que nem Deus o pudesse redimir. A se lhes não permitir qualquer evidência material da sua existência e, assim, ter-se erradicada  a história de um povo e  o testemunho da sua civilização.

Contando, ainda, o confisco de todas as propriedades e, mesmo, dos haveres de menor importância dos condenados. Causa maior da riqueza da Igreja Católica Apostólica Romana e dos nascituros Estados nacionais.

Jovem vergando o Sambenito: hábito de penitência. Auto-de-fé em Lisboa: sempre realizado no Róssio. Hoje Praça Dom Pedro IV: o mesmo Pedro I do Brasil.   Por ironia, no final da Avenida da Libedade.Em frente ao Palácio da Inquisição: hoje Teatro Nacional.  Os autos-de-fé eram promovidos com toda pompa festiva. Missa solene, com cânticos de louvor. Primeiro a execução das penas leves: açoitamentos e mutilações. Depois, o momento máximo com centenas de vítimas calcinadas em vida. Tudo acompanhado do palanque das autoridades eclesiásticas e civis ao, som de orquestras de câmara e ao serviço de iguarias e beberagem. Hitler emprestaria mais dignidade à sua carnificina. As gaiolas penitenciais, para a exibição dos apenados à execração pública, foram mantidas até 1831 no patamar das igrejas. Com das notas de Cecil Roth em ” A history of Marranos”.

Ressaltando-se a venda dos seus filhos, como escravos, para o Império Otomano e as províncias de ultramar.  Mais precisamente, Ilha da Madeira, Açores e Cabo Verde, para servir no eito das plantações de cana-de-açúcar. Portanto, a servidão do negro não constitui fato exclusivo da escravidão.

Também, a venda das filhas dos condenados, para suprir a falta de mulheres brancas nas colônias. Tudo a vir, tempos depois, a emprestar motivação ideológica, causa e método aos horrores nazistas. Razão porque o Papa Pio XII não encontrou arrimo moral para direta, afirmativa e efetivamente condenar o Holocausto. O quê, em verdade, apenas emprestou continuidade à Inquisição. 

A colonização das Américas desviou o interesse das coroas espanhola e portuguesa do norte da África, de dificultoso povoamento e pobre em riquezas fáceis e imediatas. Provendo ao invasor muçulmano, do necessário armistício à consolidação da sua dominação do continente africano.

Contando os islamitas, em a sua lei fundamental, a Sharya, a qual, até os dias atuais, válido o instituto da escravidão das mulheres e dos outros povos. Tal como asseverado pelos acadêmicos: Bernard Lugan, em sua “Afrique l’Histoire à l’Endroit” (Perrin, Paris) e Eric Voegelin, em sua “The History of the Race Idea” (Louisiana State University). Baseados em pesquisas sobre os historiadores árabes: Ibn Khaldun, Al Abshihi e Yad Al Sabi.

Fazendo-se, com isto, o muçulmano de fornecedor da mão de obra escrava. Indispensável à exploração do Novo Mundo. Com milenares províncias cristãs e, notadamente, a judaica Etiópia, abandonadas à sua cobiça. Enquanto garantidas às coroas espanhola e portuguesa, as rotas do comércio com o Oriente. Eficaz estratégia diplomática.  Moeda de troca de um acordo tácito entre impérios, os quais por séculos digladiaram-se pelo espólio romano.

A África, contando setenta etnias de mais de setecentos idiomas distintos. Aliás, a acepção do negro como um todo único é generalização ideológica para a banalização da sua identidade histórica. Fez-se de campo aberto à escravidão dos seus povos. Havendo de negar-se o mito de haverem-se encontradas em estado primitivo. Como da assertiva de Pedro Doria em seu “1565, Enquanto o Brasil Nascia”, Editora Nova Fronteira: de leitura inarredável.

LEGENDA

O autor narra, em sua excepcional pesquisa, os episódios da rainha N’Zinga cooptada pela Companhia das Índias Ocidentais.

Assim, dando início ao ciclo do tráfico negreiro. Comércio ao qual, não muito tardou, cooptaram inúmeros reinos negros da África equatorial da costa atlântica. Ao exemplo dos Bantos: distribuídos em vários reinos e fiéis ao imperador do Congo. Vindo a ser, o independente N’Dongo, com a sua temível rainha guerreira, N’Zinga M’Bandi N’Gola, de nome patronímico católico romano Dona Ana de Souza, Rainha de Angola, o seu mais fiel aliado.

O historiador português Filipe Nunes de Carvalho, em extraordinária dissertação para a Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa: Aspectos do Tráfico de Escravos de Angola para o Brasil no Século XVII – Prolegómenos do Inferno”.

Estribado em farta documentação aferida em exauriente pesquisa. Bem esclarece sobre a escravidão e o tráfico negreiro. Inaugurado em tempos do comércio entre mouros e cristãos, ainda em tempos dos califados na Península Ibérica. Assim como, do destacado papel dos Jesuítas na legitimação deste comércio.

“A chegada dos primeiros europeus data de fins do século XV, em 1482, quando o navegador Português Diogo Cão aportou à foz do rio Congo ou Zaire. Na então capital do reino do Gongo, a ainda hoje existente cidade de M’banza Congo, no norte de Angola, o rei recebeu os estrangeiros como amigos e deixou-os converter ao cristianismo, tomando o nome de Afonso I, criando assim uma aliança entre os dois estados.

Ao longo do século XVI, e depois de contínuos e complicados jogos de sedução, intrigas e traições começaram a acentuar os laços de dependência do reino do Congo em relação à Coroa portuguesa. Do reino do Congo dependiam outros reinos menores mais a sul, como o da M’tamba e o do N’dongo, de cujos soberanos, os N’gola, provirá mais tarde o nome de Angola.

A resistência desses três reinos à penetração colonial será praticamente esmagada na segunda metade do século XVII, no curto espaço de vinte anos: Congo (1665), N’dongo (1671), e M’tamba (1681). Em 1700 os portugueses dominavam em Angola uma área de 65 mil quilómetros quadrados, com o único objetivo de manter abertas as rotas de escravos- mercadoria dominante do comércio naquela época, os quais eram exportados para Portugal, Brasil, Antilhas e América Central.

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João Maurício de Nassau. Governador holandês em Pernambuco ocupado. Para quem: “Sem escravos, o Brasil não é possível”. Ao defender a conquista de Angola junto à Companhia das Índias Ocidentais. Nota de Fernando da Cruz Gouveia em seu “Maurício de Nassau e o Brasil Holandês – Correspondência com os Estados Gerais”.

Herança da Antiguidade, a escravidão perdurou na Península Ibérica medieval. Com o início da expansão ultramarina portuguesa, no século XV, os mouros, que até então forneceram os efetivos, ao tempo já reduzidos, para o trabalho escravo, vão sendo substituídos pelos negros africanos. Em meados do século XVI cerca de dez por cento da população de Lisboa era já constituída por escravos1 e no Alentejo quinhentista o número de pessoas escravizadas correspondia a uns seis por cento do total de habitantes.

Com o descobrimento do Brasil e a progressiva fixação dos portugueses nas suas terras, o recurso à escravização dos autóctones apresentou-se aos colonos carecidos de mão-de-obra como uma solução natural. A população ameríndia não era tão escassa como em tempos se supôs ou quis fazer-se crer.

A dificuldade residia em submetê-la a um tipo de trabalho oposto aos seus hábitos ancestrais e à sua psicologia. Beneficiando do acolhimento proporcionado pelos sertões, onde o domínio português demorou a fazer-se sentir, os índios do Brasil ofereceram resistência.

A difusão pelos colonos de um discurso que enfatizava a bestialidade dos índios nem sempre se terá traduzido pelos resultados pretendidos. Os interesses dos missionários e as iniciativas legislativas da Coroa constituíram obstáculos suplementares, e nem sempre despiciendos, à redução dos autóctones ao cativeiro.

Associados ao surto da economia sacarina, uns e outras conjugaram-se para favorecer o recurso sistemático à importação de negros africanos. Além de pertencerem a civilizações tecnologicamente mais evoluídas que as características dos naturais do Brasil, possuíam condições físicas e psicológicas para o trabalho duro e continuado nos engenhos e na mineração, a qual no século XVIII se tornaria a principal fonte de rendimento da América portuguesa.

Por outro lado, os mesmos eclesiásticos católicos que se opunham à escravização dos índios mostravam-se coniventes com o cativeiro dos africanos e incentivavam a sua prática. Ainda no século XVI e durante toda a centúria seguinte desenvolve-se, em torno da produção sacarina, a estruturação da economia e da sociedade do Brasil.

É, pois, o açúcar que constitui o principal estímulo para a importação de angolanos durante o período de que este trabalho se ocupa. Dado que o território angolano não foi a única fonte de abastecimento de africanos ao Brasil, convém salientar que parece situar-se no século XV11 a época de maior peso relativo da sua exportação humana.

Quando os portugueses chegaram a Angola a existência de indivíduos reduzidos à condição de escravos já era ali uma realidade, como sucedia em muitas regiões de África. O conhecimento das suas características suscitou especial interesse na fase assinalada pela tentativa de ocupação das, afinal inexistentes, minas de prata, um mito utilizado para mobilizar homens e recursos que permitissem a colonização. Os que mais contribuíram para difundir, com destaque para os Jesuítas, tinham consciência da necessidade de se encontrarem alternativas reais para a exploração económica do território.

O conhecimento das modalidades assumidas pela escravidão em África não se deveu a uma simples curiosidade antropológica dos europeus. À luz desta ideia deve ser encarada a “Informação acerca dos escravos de Angola”.

Conjugada com documentos posteriores, permite concluir que as origens consideradas legítimas da posse de escravos entre os angolanos eram as capturas decorrentes de guerras, a redução ao cativeiro por crimes muito graves, a herança de homens e mulheres caídos nas situações precedentes e ainda as aquisições nas feiras, que não podiam ter como objeto indivíduos livres”.

Entre os angolanos a escravização assumia um carácter limitado e muito diferente da empreendida pelos europeus. Além de não determinar o desenraizamento cultural que resultava do transporte para uma terra completamente estranha, não reduzia o escravo à condição de simples executante de tarefas árduas e prolongadas. Compreende-se que a missionária e antropóloga Mary Kingsley definisse a escravidão em África como “um estado de servidão protegido por certos direitos”.

A prática da escravidão entre as populações de Angola anteriormente à chegada dos portugueses contribuiria para justificar a atividade dos negreiros europeus. Alegavam os teóricos ser mais legítimo um cativeiro que, como o empreendido pelos cristãos, possibilitasse a salvação das almas dos africanos.

Por outro lado, a escravatura nativa facilitou grandemente o abastecimento dos navios portugueses envolvidos no tráfico. Em 1594, um texto de origem jesuítica dava conta do grande número de escravos levados de Angola para o Brasil, para as índias de Castela e ainda para o reino de Portugal. Nele se afirma, também, ser a quantidade de cativos obtida por meio da guerra insignificante quando comparada com a conseguida nas feiras, por transações com os autóctones.

Estas feiras, existentes independentemente da presença dos europeus, podiam ser alvo de pilhagens, como informa o padre Diogo da Costa, em 1585, ao escrever que numa única feira lograram os portugueses capturar mais de quinhentas peças.

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Padre Antônio Vieira, em suas cartas, ao defender a dominação portuguesa em Angola,  infere da importância econômica do tráfico negreiro: “Sem negros não há Pernambuco e sem Angola não há negros!” 

         

Registros apontam que em termos do total do tráfico de escravos africanos de 1519 a 1867, 11.600.000 de homens, mulheres e crianças levadas para as Américas, 3.300.000 morreram ou foram mortos no transporte da sua região de origem ao embarque 1.500.000 milhões morreram na travessia do Atlântico. Ou seja, 28,44% mortos no transporte da sua região de origem até o embarque e 12,93% mortos na travessia do Atlântico. 

O quê representava uma perda de 41,37% e perfaz um genocídio de 4.798.920. Sendo, portanto, de inferir, que o original processo autofágico entre as mais de setenta etnias africanas, sempre operou em proveito das forças alienígenas de dominação. Sendo-lhes a escravidão, um natural fenômeno regional de largo proveito econômico projetado na atualidade.

Obsequioso silêncio. O Papa Pio XII, então Cardeal Eugenio Pacelli, em conciliações com Adolf Hitler para a Concordata. Enquanto isto, o General Francisco Franco e o ditador Mussolini, efetivos aliados do III Reich, veemente se opuseram à deportação de judeus e, nos países ocupados, abriram as suas representações diplomáticas para asilo e concessão de cidadania aos judeus de origem ibérica. Episódios que deram fundamento ao filme consagrado pela crítica mundial: Perlasca, um herói italiano. Aqui, neste ensaio, se não trata de acusar sem fundamentos a Igreja Católica Romana. Nem de revanchismo. Mas,  na ocultação da verdade não há remissão ante o fato histórico.

No Brasil, a catequese inquisitorial viria a emprestar causa, como efetivamente emprestou, a todo preconceito e desagregação social. Tanto pela estigma do defeito de sangue e de origem subalterna. Como, notadamente, pela marginalização do judeu, do índio e do negro.

Cerceada, aos seus descendentes mestiços, a promoção social. A posse e propriedade da terra. O acesso aos cargos públicos e à profissão eclesiástica. Sendo, com isto, evidente causa da genética corrupção política do Brasil. Por haver, a Igreja Romana, inaugurado a indústria nacional de criar dificuldades para vender facilidades. A qual sustenta o processo eleitoral. Revigorada, nos dias de hoje, pela Ditadura da Desfaçatez Eleitoral: em passos largos de consolidação.

Mais precisamente, causa da fragilíssima solidariedade social do brasileiro. Fundamento das exceções  pessoais. Base ideológica da formação das oligarquias e, ou, nomenclaturas de qualquer matiz ideológico. Mesmo por reação, ou cooptação. A saber, o escalonamento dos defeitos de sangue conforme o manual do Santo Ofício:

1 – defeito de sangue judeu, independente de quantos costados, ou seja, fontes ascendentes. Perdão de exclusiva competência do Papa;

2 – defeito de sangue negro, também indepndente de quantos costados. Perdão de exclusiva competência do monarca;

3 –   defeito de sangue gentílico, sangue índio. Defeito venial, desde que fosse mestiço de branco: do tupy “cariboca”. Perdão da direta competência tanto dos visitadores do Santo Ofício; assim como dos comissários da Inquisição.

Cumprindo ressaltar que o Tribunal do Santo Ofício estipulava, a peso de ouro, na distinção de casos por casos. No conceito vales o quanto pesas. As cominações pecuniárias por qualquer das suas indulgências. Razão das milionárias dotações das famílias senhoriais às ordens religiosas, como prevenção das penas compulsórias.  

Giulio de Medice, o papa Clemente VII, manejou a diplomacia na oposição à instauração da Inquisição em Portugal ao modelo espanhol. Ntas de Cecil Roth em "A history of mrranos".

Giulio de Medici, o papa Clemente VII, protetor dos cristãos-novos. Fiel à política do seu antecessor Leão X, manejou a diplomacia na oposição à instauração da Inquisição em Portugal ao modelo espanhol. Notas de Cecil Roth em “A history of marranos”.

Assim, netos e bisnetos do grande patriarca Jerônimo de Albuquerque, o Adão Pernambucano, tiveram impedido o acesso a títulos e investiduras. Como as da Ordem dos Cavaleiros de Cristo e da Ordem de Avis. Por flagrante defeito de sangue judeu ou tupinambá. Tal como registra Evaldo Cabral de Mello em seu extraordinário compêndio “O Nome e o Sangue: Uma Parábola Familiar no Pernambuco Colonial”.

Jerônimo, filho de Lopo de Albuquerque, era, portanto, bisneto de Lopo Gonçalves de Leão e sua esposa Mécia da Costa: beneficiária da chancela de Dom Afonso V; no caput deste artigo. Fundou o Engenho Nossa Senhora da Ajuda, ou, dos Fornos da Cal, em Olinda: em terras correspondentes ao atual bairro de Beberibe e arrabaldes.

Casou, em primeiras núpcias, com a tabajara Muyrah Uby, de nome patronímico católico romano: Maria do Espírito Santo Arcoverde. De quem teve oito filhos: Jerônimo de Albuquerque Maranhão, Manuel, André, Catarina, Isabel, Joana,  Antônio e Brites. Havendo mais cinco filhos de outras tupynambás. 

Dom João III, em atenção às súplicas de São Francsico Xavier, fundador da ordem Jesuíta, a Companhia de Jesus levou a Inquisição às colônias. O Infante Dom Henrique: o rei cardeal. Instaurou a mais brutal fase da Inquisição. Sem descendentes, com ele extinguiu-se a dinastia de Avis. Portugal sucumbiu à dominação espanhola sob o pesado cetro de Felipe II.

Dom João III, em atenção às súplicas de São Francisco Xavier, fundador da ordem Jesuíta, a Companhia de Jesus levou a Inquisição às colônias: sendo o responsável pela maior carnificina verificada na Índia em toda a sua história. O Infante Dom Henrique: o rei cardeal. Instaurou a mais brutal fase da Inquisição. Sem descendentes, com ele se extinguiu a dinastia de Avis. Assim, Portugal sucumbiu à dominação espanhola sob o pesado cetro dos Felipes: a União Ibérica.

Do casamento forçado com Felipa de Melo, filha de Cristóvão de Melo, por quem nutria todo o ódio, por imposição da Rainha Catarina, ainda teve onze filhos: João, Afonso, Cristóvão, Duarte, Jerônimo, Cosme, Felipe, Isabel, Maria e mais dois natimortos.

O texto da intimação da rainha para o seu casamento com Felipa é ameaçador: “… para evitar que continuasse o sobrinho de Afonso de Albuquerque, o descendente de reis, a seguir a lei de Moisés, mantendo trezentas concubinas.”  Esta carta é referida no “link” à margem direita: FUNDAÇÃO JOAQUIM NABUCO – JERÔNIMO DE ALBUQUERQUE

No entanto, servindo-se do seu ardil político, Jerônimo legitimou a todos; ao negociar com o sogro o casamento de dois dos seus filhos caboclos com as suas duas únicas cunhadas. Para fazer dos seus netos, no seu próprio dizer; como nos registra Evaldo Cabral: tão bons, ou seja, tão nobres, como as filhas e netos de Cristóvão de Melo.

Lopo de Albuquerque foi o primeiro Conde de Penamacor, por édito do rei Dom Afonso V de Portugal, quem, também, o fez senhor da Vila de Penamacor e e de Abiul. Lopo, ainda foi Camareiro Mor, Guarda Roupas, Copeiro Mor e Capitão Geral  da guarda do monarca.

Tomou parte ativa nas guerras junto aos principais do seu tempo. Foi guarda pessoal de Afonso V, em sua viagem à França. Também seu embaixador em Roma, onde tratou, junto ao Papa, da anulação do casamento do rei com a rainha Dona Joana.

Foi, junto ao seu irmão Pedro, o almirante, líder da Conjuração dos Duques de Bragança. Em fato da sucumbência do levante, retirou-se de Portugal com o passaporte falso de Pedro Nunes emitido pelo Ma’amad: órgão supremo da jurisdição civil autônoma dos judeus portugueses.

ines de castro tumulo

Túmulo de Inês de Castro, no Mosteiro de Alcobaça. Rainha “post mortem” de Portugal.  Esposa de Pedro I, progenitora dos primeiros Duques de Albuquerque. As esfinges antropoformes representam cada um dos seu ministros assassinos.

A tragédia da arrebatadora paixão de  Pedro Inês: cantada por Luís de Camões como Colo de Garça”. Fez-se da alma portuguesa e, hoje, identidade da cidade de Coimbra. Como do fado na voz de Amália Rodrigues.

Finalmente,  preso por três anos na Torre de Londres, teve o seu resgate pago pela rainha Isabel de Castela, sua prima, quem o fez Conde de Uzeda e Ubeda na Andaluzia. Morto, teve os restos trasladados para a sua terra por ordem da rainha Leonor, preceptora de Dom Manuel I; quem os encerrou no Mosteiro de Santo Antônio da Castanheira: em Vila Franca de Xira.

Com a morte de Lopo, a Inquisição foi oficialmente instaurada em Portugal. A ter início com o batismo forçado, ao quê veemente se opôs o Cardeal Alpedrinha: Dom Jorge da Costa; tio avô de Lopo de Albuquerque.

Foi casado com Catarina de Noronha; sobrinha de Felipa Moniz, esposa de Cristóvão Colombo: suspeito codinome do seu irmão exilado Pedro de Albuquerque. Felipa, também, era conhecida como Leonor de Noronha, filha do Bispo de Évora, Pedro de Noronha casado com Branca Dias Perestrello. Ela, filha de Bartolomeu Perestrello: primeiro governador da Madeira; filho de Filippo Pallastrelli, natural da Itália.

Heráldica antiga dos Albuquerque de Portugal. A contrastar com as do ramo espanhol em razão do campo azul daqueles de Castela. O uso das flores-de-lis era prerrogativa dos descendentes das casas reais

Tais pressupostos e requisitos dos manuais do Santo Ofício viriam desestabilizar todo o processo de organização política da sociedade brasileira. Desde os mais remotos tempos coloniais até 1973, com a promulgação da Constituição outorgada: da relatoria do Min. Alfredo Buzaid. Por força da qual a Igreja Católica Apostólica Romana teve cassado o status de religião oficial do Estado.

O termo Inquisição refere-se a várias instituições dedicadas à supressão das heresias no seio da Igreja Católica Romana. A Inquisição foi criada inicialmente para combater o sincretismo dentre alguns grupos religiosos. A Inquisição Medieval, da qual derivam todas as demais, foi instituída em 1184 na região de Languedoc: sul da França. Para combater aos Cátaros, os mesmos Albigenses.

Em 1249 foi implantada no Reino de Aragão, como a primeira Inquisição de Estado e, já na Idade Moderna, com a união de Aragão e Castela, transformou-se na Inquisição espanhola de 1478 a 1834: sob controle direto da monarquia.  Estendendo a sua atuação para as Américas, com o advento da União Ibérica e a sujeição de Portugal à coroa espanhola.

A Inquisição Portuguesa foi instituída em 1536 e perdurou até 1821. A Inquisição Romana, instituição sob a denominação de “Congregação da Sacra, Romana e Universal Inquisição do Santo Ofício” permaneceu a vigorar até 1965. Extinta pelo Concílio Vaticano II convocado pelo Papa Paulo VI.

Consciente da identidade judaica do brasileiro, Aracy de Carvalho Guimarães Rosa, esposa do escritor João Guimarães Rosa, expressão máxima da literatura pátria. Como oficial do consulado do Brasil em Hamburgo, Aracy resgatou milhares de judeus com a concessão de passaportes contra a ordem do ditador Getúlio Vargas: o qual mandou negar asilo e documentos aos judeus alemães. Ela é reverenciada como heroína no Jardim dos Justos entre as Nações e no Museu do Holocausto: Yad Vashem, em Jerusalém.

Assim, o terror de Estado, cúmplice do terror religioso, persistiu por quase oitocentos anos. Não há, portanto, como distinguir o Holocausto Nazista como evento histórico isolado. Sendo, em verdade, apenas uma nova fase da Inquisição: a fase germânica. Qualquer distinção, a este respeito, é de flagrante hipocrisia.

Com isto, o Brasil, com um atraso histórico de quase duzentos anos, fez-se Estado laico, para ingressar na Idade Contemporânea. Fato este, que veio provocar a guinada do clero católico romano às esquerdas. Isto para sobrevivência política, em razão da perda de cediços privilégios. Qualquer outro argumento é mera falsidade ideológica.

Sendo esta a real motivação da gramaticalmente equivocada “opção preferencial” pelos pobres. Ora, o termo opção, de si, expressa preferência. Tratando-se mesmo, de primário marqueteirismo: falácia demagógica.

O autoproclamado clero progressista, encabeçado por Dom Helder Câmara: egresso das falanges da direita integralista. Dom Fragoso, bispo de Cratéus, Ceará e Dom Pedro Casaldáliga, bispo de São Félix do Araguaia, Mato Grosso: coito e teatro de operações da mais acirrada guerrilha.  Insurgiu-se contra o poder civil laicista; na renitência do poder temporal da Igreja Católica Apostólica Romana.

Isto com a organização e fomento de movimentos de extrema esquerda revolucionária da linha maoísta e stalinista, treinada e armada em Cuba, no protagonismo de assaltos terroristas. O quê provocou os excessos do contragolpe militar: com a morte de centenas de inocentes úteis; heróis messiânicos.

Em Pernambuco, os preconceitos consagrados pela Inquisição Católica Romana viriam provocar todas as sedições, motins, escaramuças e arruaças. A culminar no êxodo das mais antigas famílias para os sertões do semi-árido nordestino. Bem como, para regiões dos Estados de Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro.

Evaldo Cabral de Mello em “Pernambuco 1666-1715″: Companhia das Letras, 1995. Registra como principais mártires do genocídio perpetrado pela Coroa e os comissários da Inquisição: Leonardo Bezerra Cavalcanti seus filhos Cosme e Manuel Bezerra Cavalcanti. Seus irmãos: Cosme Bezerra Monteiro, Manuel e Pedro Cavalcanti Bezerra, André Dias de Figueiredo e José Tavares de Holanda. João de Barros Rego, Bernardo Vieira de Melo, seu filho André e Matias Vidal de Negreiros. 

Aliás, dos mazombos: acaboclados nobres da terra. Conta-se passados a Minas Gerais, os ascendentes do poeta Carlos Drummond de Andrade. Diretos descendentes de João Escócio: quem, em 1475, casou-se com a judia sefardita Branca Afonso.

Por um lado com ascendência nos Albuquerque Berenguer. A ressaltar serem os Berenguer antiga família sefardita de Castela. Por outro, em João Escócio o qual era filho de John Drummond casado com Elizabeth Sinclair: filha de Henry Sinclair, Conde de Orkney e Jane Hallibourton.

Já a filha de João Escócio, Beatriz, casou-se com o cristão-novo Antão Alves de Carvalho: filho de Gil Carvalho, capitão mor na Índia casado com a judia Maria Eanes de Loureiro. Os quais se fixaram na Ilha da Madeira. Na Vila de Santa Cruz: na propriedade denominada Solar de São Gil. Sendo esta a comum ascendência dos Drummond do Brasil.

O ramo pernambucano dos Drummond descende do casamento de uma neta de Jerônimo de Albuquerque, com a índia tabajara Muyrah Uby: filha do morubixaba Uyra Uby, o Arcoverde. A descenderem desta e outras índias do séquito de Jerônimo os Albuquerque Arcoverde, os Holanda Cavalcanti, os Cavalcanti de Albuquerque, os Albuquerque Lins, os Albuquerque Maranhão, os Bezerra de Melo, os Albuquerque Melo, os Holanda Cavalcanti e os Bezerra de Albuquerque.

O ramo dos Drummond  de Minas Gerais é descendente de Antônio de Carvalho Drummond, quem no Séc. XVII, vindo da Madeira e passado por Pernambuco, foi nomeado capitão mor das terras de São Miguel de Antônio Dias: no Rio das Velhas.

Entre os descendentes diretos dos cristãos-novos, judeus-velhos, Gil Carvalho e Maria Eanes de Loureiro e a matriarca sefardita Branca Afonso, conta-se o juiz ordinário João Batista de Carvalho Drummond. O mesmo legendário coronel Cantídio Drummond de Drummond e o poeta Carlos Drummond de Andrade.

O poeta e escritor pernambucano Antônio Campos. Entusiasta da presença judaica no Brasil. Antônio é, ainda, por ascendência direta: Alencar e Souza Leão.

Ao contrário do quê muito se acredita, ter sido a queda da Companhia das Índias Ocidentais a causa única do êxodo das famílias senhoriais de cristãos-novos de Pernambuco. A revolução de 1710 apresenta-se como evento de maior causa emigratória.

A Guerra dos Mascates, como esta revolução ficou para a História. Veio a ser conseqüência das disputas instigadas pelo Tribunal do Santo Ofício a serviço da coroa portuguesa que, no reino, combatia a antiga nobreza para firmar-se como poder central. Ao tempo que na colônia empreendia quebrar a hegemonia da açucarocracia, para impor a nova ordem da Metrópole.

Nisto bateram-se dois partidos. De um lado os recentes imigrados portugueses afeitos ao comércio: ditos reinóis. Pretendidos cristãos-velhos, privilegiados da Inquisição. De outro, os “nativizados” cristãos-novos: ditos mazombos. Do antigo  senhoril ruralista, refutados da Inquisição.

Por ocasião do acirrado revanchismo do período pós guerra, a coroa portuguesa, contando ao seu serviço os comissários da Inquisição. De esmagadora maioria reinol. Instaurou o terror de Estado. A fazer de bandos de marginais, os tundacumbes, a sua vanguarda armada na invasão de propriedades e no incêndio de canaviais. Mesmo na violação das casas-grandes, com o estupro das mulheres das famílias senhoriais.

Quando da invasão da Companhia, Pernambuco contava cento e vinte engenhos em atividade. Sendo, desses, seis por cento de propriedade de judeus portugueses radicados em Amsterdã, o restante, evidente, em sua maioria, propriedade dos cristãos-novos ou protegidos, ou da parentela dos Albuquerque. O quê emprestou razão ideológica à cobiça dos comissários da inquisição e ao clero católico romano.

Marquês de Pombal: Sebastião José de Carvalho e Melo. Desbancou a Igreja Católica Apostólica Romana dos seus poderes temporais. Cassou o poder de polícia do Tribunal do Santo Ofício e expulsou os Jesuítas por édito do Rei Dom José I de Portugal em 1773, em fato dos excessos fomentados pela ordem religiosa na metrópole e nas colônias; notadamente no Nordeste do Brasil: “Declaro os sobreditos regulares Jesuítas rebeldes, traidores, adversários e agressores que estão contra a minha real pessoa e Estados. Contra a paz pública dos meus reinos e domínios, e contra o bem comum dos meus fiéis vassalos; mandando que efetivamente sejam expulsos de todos os meus reinos e domínios.”

Marquês de Pombal: o livre obreiro, Sebastião José de Carvalho e Melo. Desbancou a Igreja Católica Apostólica Romana dos seus poderes temporais. Revogou os odiosos estatutos de pureza de sangue e origem. Cassou o poder de polícia do Tribunal do Santo Ofício e expulsou os Jesuítas por édito do Rei Dom José I de Portugal em 1773, em fato dos excessos fomentados pela ordem religiosa na metrópole e nas colônias; notadamente no Nordeste do Brasil: “Declaro os sobreditos regulares Jesuítas rebeldes, traidores, adversários e agressores que estão contra a minha real pessoa e Estados. Contra a paz pública dos meus reinos e domínios, e contra o bem comum dos meus fiéis vassalos; mandando que efetivamente sejam expulsos de todos os meus reinos e domínios.”  Finalmente, o feitiço virou contra os feiticeiros e cumpriu-se justiça! No Brasil, com o retardo de exatos duzentos anos, em 1973, a Igreja Católica Apostólica Romana perdeu o status de religião oficial do Estado; por força da Constituição Outorgada: da relatoria do Min. Alfredo Buzaid.

O quê viria inspirar as Ligas Camponesas de Francisco Julião: causa maior dos excessos do contra-golpe militar de 1964 a culminar com o exílio do líder camponês. Sendo, ele mesmo, de inequívoca ascendência mazomba.

Isto na ignorância de si próprio: conseqüência da Inquisição. Pois, os Lucena, ascendentes diretos de Julião, são uma das mais antigas famílias judaicas da Espanha. Isaac de Lucena era sócio de David Senior Coronel. Juntamente com quem fundou a sinagoga portuguesa de Amsterdã, a sinagoga portuguesa do Recife e a sinagoga portuguesa de Nova Iorque: Sherit Israel.

Julião era herdeiro dos Lucena do Engenho Espera. Na cidade de Bom Jardim, município contíguo a Orobó:  Pernambuco. Com fortes raízes na açucarocracia paraibana. Da comum parentela do presidente da república Epitácio Pessoa e do seu sobrinho, o heróico João Pessoa Cavalcanti de Albuquerque: morto no Recife por João Dantas, da Serra do Teixeira: Paraíba. Cuja frase estampa a bandeira daquele Estado: Nego! Primo em primeiro grau de Mário Barbosa da Silva, com quem Julião partilhou a herança.

Ainda sobre Sebastião José de Carvalho e Mello, assenta-nos Francisco Antônio Doria, da sua genealogia dos Holanda Cavalcanti, ser o Marquês de Pombal direto descendente do judeu português Jacob de Holanda. Cujos autos do processo de Inquisição, estão colacionados, mais acima, neste mesmo artigo.

Sobre o heróico patrocínio da Maçonaria na luta contra a Inquisição e em prol dos movimentos libertários no Nordeste do Brasil, notadamente em 1817 e 1824. Registra-nos Maria Cristina Cavalcanti de Albuquerque, em seu romance “Olhos Negros”, enquanto a José Ignácio de Abreu e Lima. A quem foi negado sepultamento pela Igreja Católica Romana,  que: 

“O general ampliou a discussão, dizendo ter sido a reforma protestante a primeira grande revolução dos tempos modernos. Ao lado da revolução pré-liberal holandesa. Havia feito esta afirmação em seu livro ‘O socialismo’. Desejou ressaltá-la. Passou a distinguir romanismo do universalismo. Atacou a Inquisição, o Concílio de Trento e a contra-reforma. Terminou advogando o retorno a um cristianismo primitivo, ao modo de santo Ambrósio… sic…” 

Assim começou a perseguição à Maçonaria pelo imperador Pedro I e a Igreja Católica Romana: tendo ao seu serviço o Partido Conservador. Na defesa da Santa Aliança: já claudicante na Europa. Embora a fraternidade tivesse sólidas bases em Pernambuco, a própria cúria denunciou e entregou os seus clérigos para execração pública, ou para a morte por enforcamento.

O padre Roma, pai do general Abreu e lima, fuzilado na Bahia: em Salvador. O vigário Pedro Tenório e Frei Caneca enforcados, em Recife. Já o padre Gonçalo Ignácio de Albuquerque Melo, o Mororó, no Ceará: em Fortaleza.

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Estudo de inarredável leitura, para a compreensão da verdade histórica

O quê dá arrimo à afirmação de ser Pombal da linhagem inaugurada no Brasil pelo cariboca Jerônimo de Albuquerque Maranhão do Engenho Cunhaú. Sendo, portanto, o Marquês, direto descendente de Cristóvão de Mello, por Jerônimo de Albuquerque e suas duas esposas: Felipa Sampaio de Mello, filha de Cristóvão e Muyrah Uby, a tabajara, mãe de Jerônimo o Maranhão: casado com uma irmã de Felipa. Cujos filhos vieram a casar com filhos e filhas, tanto do seu pai com Felipa. Como com netos e netas do seu pai, filhos da sua irmã Catarina com Felippo Cavalcanti. Tudo na mais hermética endogamia.

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Couto de armas, antigo, dos Cavalcanti. Encimado pela coroa ducal dos Medici. Forram o campo, as cruzes dos Templários: Pobres Cavaleiros do Templo. Arquivo cedido por Francisco Antônio Doria.

Vindo, mesmo, justificar o massacre comandado por Francisco Alves Feitosa, casado com a sua prima Catarina, neta de Felippo e bisneta de Jerônimo. No qual extinguiu a única missão jesuíta do Nordeste do Brasil. Em um domingo de São Mateus, na região da cidade de Icó: Ceará. Estaria, assim, explicada a estrutura do clã, como anotada por Henry Koster, a sugerir um Custódio, nas cruzes dos Templários que forram o campo da heráldica dos Cavalcanti? Estaria desvendado o acérrimo ódio do Marquês de Pombal ao Tribunal do Santo Ofício e à inquisição?

Seria multi secular a inimizade do Cavalcanti, papistas, e dos Albuquerque contra o clero religioso, o qual icentivou a Guerra dos Mascates. Por cuja sucumbência os Cavalcanti de Albuquerque e sua parentela amargaram as perseguições, assassinatos e usurpações dos comissários da Inquisição a culminar com a emigração para os sertões do Ceará? O ato de Francisco, teria sido uma “vendetta” em honra dos seus mais antigos de Florença e dos judeus portugueses, dos cristãos-novos? Uma deliberação do Custódio?

João Pessoa Cavalcanti de Albuquerque, assassinado por João Dantas. Precisamente na Confeitaria Glória. No Recife. Na esquina da Rua da Palma, com a rua Nova. Vindo o fato a emprestar causa à revolução de 1930. Incorporam-se às falanges de Juarez Távora vários militares paraibanos parentes do morto. Dentre eles o tenente Ascendino Feitosa, quem comandou a invasão da Casa de Detenção do Recife, onde se encontravam João Dantas e Augusto Caldas> os quais foram trucidados pelo Feitosa.  João Pessoa era filho de Cândido Clementino Cavalcanti de Albuquerque e de Maria de Lucena Pessoa, de Orobó, Pernambuco, irmã do presidente da república Epitácio Pessoa

Mário: meu sogro. Filho do major Olímpio de Lucena e de Maria de Paula Pessoa Barbosa. Quem dividiu o espólio do Engenho Espera, com Francisco Julião. Casado com Maria de Lourdes Henriques de Oliveira: filha do cristão-novo, reinol de bom partido,  Boaventura da Costa Oliveira. Mais conhecido do vulgo por Seu Pedro e de Severina Navais de Miranda Henriques: Dona Nenen. Pai de Roseana Oliveira Barbosa, minha primeira esposa.

Do assento de n.° 24.060 de Maria de Lourdes, esposa de Mário, junto ao Conservatório de Registros Gerais de Lisboa, consta ser ela, pelo lado paterno, neta de Joaquim da Costa Oliveira e de Maria de Souza Maia: naturais de Póvoa de Varzim, Vila do Conde, norte de Portugal. Já do lado materno ela ser neta de Manoel Augusto de Miranda Henriques e de Anna Eulália de Navais Henriques.

Já Mário, por seus laços com João Pessoa, faz-se-nos  próximo parente de Olga Feitosa (de Castro), minha mãe, e de Pedro Bezerra de Albuquerque: meu idolatrado pai. Eu bem poderia tê-lo feito mais feliz. Realizado comigo: fosse eu, grande empresário. Mas, o dinheiro sempre me aborreceu.

O quê fazer, se eu nasci poeta e escritor? Ora, qualquer assunto financeiro leva-me à profunda melancolia. Para mim, todo trato pecuniário é do meu mais irrelevante interesse. Contudo, eu fiz caminho inverso ao do meu primo Bruno Maranhão: líder e fundador do MST-Movimento dos Trabalhadores Sem Terra.

LEGENDA

Olga Feitosa e Castro e a sua neta Juliana: filha de Pedro de Albuquerque.

É quê eu tive um amigo de inestimável valor: Roberto de Souza Leão. Casado com Leninha: filha de Cornélio Lacerda de Almeida Coimbra Brennand. Roberto foi pai de João, Joaquim e de Roberta. Inimicíssimo dos meus inimigos e amicíssimo dos meus amigos. Acérrimo crítico do clero progressista. Mas, unicamente no campo ideológico; qualquer outra consideração é pura mitologia. 

Roberto foi irmão dos meus amigos Ricardo, Maria e Márcia. Maria, delegada de polícia, casou com Joaquim Guerra, deputado federal: filho do ex governador Paulo Guerra; correligionário de João Roma. Márcia casou com Múcio Novaes de Albuquerque Cavalcanti: filho de Leonardo, embaixador do Brasil na Argentina. Múcio é neto de Antônio de Novais de Mello Avelins.

Antônio foi ministro da agricultura, deputado federal, prefeito da cidade do Recife e senador da república. Nasceu no Engenho Pimentel: no Cabo de Santo Agostinho. Era irmão de Maria Hermila, quem casou com Fernando Carneiro Campello: tio de Antônio e de Gilson Machado Guimarães.

Um filho de Maria Hermila e Fernando, João Paulo, casou em primeiras núpcias com uma filha de Olga e Pedro Bezerra de Albuquerque, seu primo em segundo grau, e, em segunda núpcias, com uma sobrinha de Olga, de igual nome da primeira esposa: Mercês; filha de Francisca de Araújo Chaves e do seu primo Gerardo Feitosa de Souza: irmão de Olga.

Pedro, o meu pai, por seu turno, era filho de Maria Apolônia de Miranda Campos: esposa de Juvêncio Bezerra de Albuquerque, em segundas núpcias. Ele era natural de Timbaúba dos Mocós, ela de Bezerros: Pernambuco.

Estabelecendo-se, Juvêncio, na cidade de Cajazeiras. Extremo oeste do Estado da Paraíba: na fazenda Cacareco. A cidade formou-se em um sítio da antiga sesmaria do seu primo Luís Gomes de Albuquerque, da linhagem Gomes de Melo: natural de Pernambuco.

Com o casamento da filha de Luís, Ana de Albuquerque, com o cearense Vital de Souza Rolim, Luís Gomes repassou-lhe as terras como dote. Ana e Vital viriam a ser os pais de Ignácio de Souza Rolim. O legendário Padre Rolim, emérito fundador da cidade de Cajazeiras: a qual se desenvolveu ao derredor do colégio por ele fundado.

vaso

Vaso do Séc. XIX: coadeira. Da casa do Cel. Porfírio Farias de Souza; do Sítio Boa Vista na cidade do Ipu, Ceará: onde nasceu e foi criado Delmiro Gouveia. Comemorativo da revolução de 1824: Confederação do Equador. Estampa: as inscrições “in grado heroismo”, braço armado dos Ximenes de Aragão, as aves dos Marinho Falcão dos Fornos da Cal de Igarassu, Pernambuco e quadrante das armas modernas, do Séc. XVII, dos Albuquerque portugueses.

Juvêncio, seguro da proteção dos parentes, suprimiu o sobrenome Cavalcanti em razão das más querenças, delações e usurpações instaladas em Timbaúba. Em fato da derrocada da Confederação do Equador: o quê provocou cismas no núcleo do clã.  Havendo, aos treze anos, órfão de pai e de mãe, com três irmãs e um comboio de mulas de carga e mais gente sua foreira. Com títulos de terras nos sertões e mais prataria. Arribado para Águas Belas: fronteira de Alagoas. 

Onde, viveu até os 18 anos, acoitado em terras de um seu primo Tenório Cavalcanti de Albuquerque. De lá mandando uma das suas irmãs, França, para os Inhamuns e fazendo-a casar com o homem de primeira confiança do Cel. Lourenço Alves Feitosa e Castro. Seu secretário particular. Filho do Cel. Joaquim Alves. Para, nisto, passar-se, então, para o comércio no Recife: onde fez patrimônio.

Aos sessenta anos, quando emigrou para Cajazeiras, casou-se com uma sua prima  de trinta.  Já moça velha, para a época, Maria Apolônia e, com ela, teve  sete  filhos: Pedro, José, Esther, Maria, Quitéria, França e Manuel; fora dois natimortos.

Maria Apolônia era filha do judeu português, tropeiro, mascate, crediarista e caixeiro viajante João Coura Campos. Mas, filho de mãe honrada de eira, beira e soleira. Fazia, também o comércio de couro, muares amansados e de carne seca.

Cumprindo, na época de estiagem, o itinerário dos engenhos de açúcar de Pernambuco e Paraíba e, na época de chuvas, os sertões até os Inhamuns.

Juvêncio,  ainda teve mais outros onze  filhos com a sua primeira esposa em Pernambuco. Também sua prima, a supor-se em primeiro grau. Assim,  honrou Jerônimo; indubitavelmente.

Igual sina abateu Constâncio de  Albuquerque Maranhão, na mesma quase idade de Juvêncio, com as suas duas irmãs Susana e Palmira e o seu irmão Hermes. Vindo a acoitar-se, em Águas Belas, por favores de Audálio Tenório de Albuquerque, quando deixou em fuga o seu engenho em Vitória de Santo Antão. Constâncio descreveu uma verdadeira epopeia. Empobrecido, emigrou para o Rio de Janeiro onde assentou trilhos da Central do Brasil: como ele narrava na maior risadagem. Como próprio dos homens de espírito elevado e imbatível.

De volta à sua terra, casou com Maria do Carmo: filha do major Olímpio de Lucena, primo do presidente da república Epitácio Pessoa; mais adiante tratados. Amigo do Gal. Cordeiro de Farias e de Etelvino Lins, fez-se sócio de José Melício Carneiro Leão do Engenho Coimbra e dominou por décadas o comércio da carne e do gado vacum: fundando o primeiro matadouro industrial de Pernambuco em Peixinhos, Olinda. Foi deputado estadual.

Deixou os filhos Júlio Constantino de Albuquerque Maranhão e o senador Ney Maranhão. Além das filhas Maria Clementina, aliás, Santinha. Da mais estimada memória, casada com o advogado Moacir Mariz. Vera, casada com Nilson Pimentel: filho do capitão de indústrias José Albino Pimentel e Célia, casada com Luís de França.

José Melício Carneiro Leão casou o seu filho homônimo, hoje senhor do Engenho Coimbra, com uma sobrinha de Constâncio. Neta do major Olímpio do Engenho Espera: Melânia. Pedro, o autor deste memorial, casou, em primeiras núpcias, com uma outra neta do major Olímpio: Roseana, irmã de Melânia. 

João Ignácio Ribeiro Roma Filho é neto de Carlota de Albuquerque Arcoverde, dos Fornos da Cal de Igarassu: antiga propriedade de Jerônimo de Albuquerque. Viúva do médico Otávio de Freitas. Tia de Joaquim Francisco de Freitas Cavalcanti: ex-governador do Estado.  João Ignácio é  filho do legendário chefe político João Roma: sobrinho neto do Gal. Abreu e Lima; o qual empresta nome à primeira refinaria de petróleo de Pernambuco.

Dos mais ilustres descendentes diretos de Jerônimo de Albuquerque e da tabajara Muyrah Uby, conta-se o promotor de justiça Clovis Arcoverde de Freitas, irmão de Clarice e de Creuza. Filho de Carlota, dos Fornos da Cal. Casou com Odeth de Lacerda Falcão. Ambos da mais amada lembrança. Pais de Thereza, casada com o meu homônimo Pedro Bezerra Cavalcanti de Albuquerque. Thereza é imã de Teófilo José de Freitas Arcoverde. Creuza, casada com José Francisco Cavalcanti, é mãe de João e de Joaquim Francisco de Freitas Cavalcanti.

Lynaldo Cavalcanti de Albuquerque. Natural de Campina Grande: Paraíba. Casado com Lavínia Caetano de Albuquerque. Fez-se: Reitor da Universidade da Paraíba, Presidente do Conselho de Reitores das Uinersidades Brasileiras, Presidente do CNPQ – Centro Nacional do Desenvolvimento Científico e Tecnológico, Grande Oficial da Ordem Infante Don Henrique de Portugal, da Ordem Gran Cruz Del Sabio Afonso de Espanha, Assessor especial da Presidência da República Federativa do Brasil, Comendador da Ordem Aguila Azteca do Mexico, da Ordem Mayo Al Merito da Argentina, Doutor Honoris Causa da Universidade do Canadá. Comendador da Ordem do Pacificador, do Exército do Brasil e da Ordem do Rio Branco do Ministério do Exterior da República Federativa do Brasil.

LEGENDA

Casa sede e capela do Engenho Trapiche, de antiga propriedade de José Rufino Bezerra Cavalcanti 

José Rufino Bezerra Cavalcanti, governador de Pernambuco, foi senhor dos engenhos Trapiche, Novo, Barbalho, Pirapama, São João, Malinote, Malakof, Mataparipe, São Pedro e Santo Inácio. Fundou a Companhia Geral de Melhoramentos de Pernambuco, controladora da Usina Cucaú, em Rio Formoso: sesmaria de Pedro de Albuquerque Melo.

O seu neto, de igual nome, casou com Frederika Christiana Von Shostern: Sussi. Neta do ex-governador Carlos de Lima Cavalcanti. Uma filha de Sussi, Maria Cecília, casou com Ricardo Lacerda de Almeida Coimbra Brennand.

Maria Cristina Cavalcanti de Albuquerque médica, psiquiatra e psicanalista. Membro do Instituto Arqueológico Histórico e Geográfico de Pernambuco. Autora de diversas monografias e romances, tais como: o “Príncipe e Corsário”: sobre Maurício de Nassau. “Luz do Abismo”“Olhos Negros”. “Memórias de Isabel Cavalcanti”“Matias”. Este último, um testamento do herói da restauração portuguesa, enquanto às guerras de Pernambuco.

legenda

Maria Cristina Cavalcanti de Albuquerque

Contudo, das querelas e lutas intestinas dos Cavalcanti de Albuquerque e dos Maranhão de Timbaúba, o quê custou muito sangue irmão e lágrimas, ressalta-se a disputa de dois primos homônimos João e João pela herdade do Engenho Cavalcanti: em Lagoa de Itaenga. O João do contíguo Engenho Petribu, hoje sede da usina de açúcar, rompeu com a estrutura do clã e, vitorioso, adotou o topônimo “de Petribu. 

Fato do testemunho da minha inesquecível mestra de letras Cecília Guerra quem, na minha adolescência, com paciente dedicação, revisava os meus descuidados primeiros ensaios. Casada com João de Petribu: filho do patriarca e irmão de Paulo , o fundador da usina, casado com Helena Correia de Araújo

Atualmente é senhor do Engenho Cavalcanti o industrial Miguel de Petribu, amigo indissociável do seu primo e cunhado Gustavo de Albuquerque Maranhão: hoje casado com Dodora Morais e residente em Florença, Itália. Assim, retornado às origens, onde vive em alto estilo.

Mas Gustavo, não é o primeiro Albuquerque Maranhão a voltar a Florença. Um neto de Catarina de Albuquerque e Filippo Cavalcanti, Lourenço Cavalcanti de Albuquerque Maranhão, no final do Séc. XVI, de posse das credenciais de Filippo, passadas por Cosimo di Medici. Com o apoio de Sebastião Ximenes de Aragão. Regressou ao rincão do seu avô e fez-se braço direito de Ferdinando di Medici, no estabelecimento de um comércio de açúcar, tabaco e madeira com o Brasil. Obtido o privilégio, ou seja, a patente ou licença da coroa espanhola. Ali viveu na Corte, até a sua morte e deixou descendência.

Carta de nobreza do patriarca Filippo Cavalcanti, genro de Jerônimo de Albuquerque, do expediente do seu primo Cosimo di Medici. Arquivo digital cedido por Francisco Antônio Doria.

tradução:

“Cosimo di Medici, por graça de Deus, Duque segundo de Florença e Siena.   

A todos e a cada um a cujas mãos chegarem as presentes letras, saúde e prosperidade etc.

A famlia dos Cavalcanti nesta cidade de Florença, como também a família dos Mannelli

resplandecem com singular nobreza e luzimento,

das quais até este tempo têm saído varões de Nós, de nossos Progenitores e da nossa Republica

beneméritos porque eles têm alcançado, em sucessivos tempos,

todas as honras e dignidades da nossa cidade,

e têm servido aos Supremos Magistrados com grande louvor

e trazendo as armas próprias de sua Familia à maneira dos Patrícios Florentinos.

Distintas em seus campos e cores concedidas, como abaixo se pode ver,

viverão como os outros mais luzidos Fidalgos de sua Pátria.

Entre os quais contamos, principalmente, a Giovanni Cavalcanti,

pai de FiIippo Cavalcanti o qual vivendo nesta cidade

em tempos passados casou com a nobilíssima Ginevra Mannelli

de quem teve de legítimo matrimônio ao dito Filippo Cavalcanti

o qual não degenerando de seus pais,

vive com toda a pompa no nobilíssimo Reino de Portugal.

 Pelo que amamos, como nos é lícito,

as mesmas famílias e a seus descendentes,

e alem disto significamos que o mesmo Filippo Cavalcanti

nascido dos ditos pais nobres, a saber: Giovanni e Ginevra,

de legitimo matrimônio, e de famílias muito nobres com razão é muito amado de Nós,

e com o testemunho das presente letras,

que mandamos selar com nosso selo pendente de chumbo,

certificamos a sua nobreza.

E além disto desejamos e pedimos,

que por nosso respeito se lhe faça com muita benignidade e toda a honra

porque nos será isto muito agradável e o teremos em grande obséquio.

Dado em Florença no nosso Palácio dos Duques.

Agosto de 1559 e do nosso Ducado Florentino 23° e de Siena o terceiro.”

Esclarece, porém, Francisco Antônio Doria das origens dos Cavalcanti em um de quatro irmãos vindos da Alemanha e chegados à Toscana: ainda no Século IX. Um dos quais fez-se ascendente dos Cavalcanti. Um outro dos Calvi. Outro dos Malavoti e dos Orlandi de Siena e, outro mais, dos Monaldeschi de Orvieto.                                                

Certo, porém, é que desde o ano 1000 os seus viviam na cidade. Nos arredores da Via di Calimala e da Via Porta Rossa. No centro. O que lhes fazia remontar, como do protesto de Giovanni di Lorenzo Cavalcanti, à época da primeira muralha: Il Primo Cerchio.             

Eram aparentados dos condes Guidi, dos Adimari e dos Buondelmonti. Haviam dado à Florença oito cônsules. Assim gozava Giovanni de vasta influente parentela. Mas ricos, os seus mais velhos, sobretudo, devido ao comércio. Notadamente do monopólio dos tecidos de lã: daí o seu cordão umbilical com a Inglaterra. O quê lhes fazia pesar a suspeita de judeus. Mas, não eram de origem judaica. Antecessor de Clemente VII, o papa Leão X: Giovanni di Lorenzo de Medici. Ambos, primos de Giovanni Cavalcanti. 

Antecessor de Clemente VII, o papa Leão X: Giovanni di Lorenzo de Medici. Ambos, primos de Giovanni Cavalcanti.

Antecessor de Clemente VII, o papa Leão X: Giovanni di Lorenzo de Medici. Ambos, primos de Giovanni Cavalcanti.

Contudo, na minha apreensão, enfatizo manterem intenso relacionamento comercial e social com mercadores e banqueiros judeus portugueses e cristãos-novos. Notadamente, com os Ximenes de Aragão. O quê viria, obviamente, a motivar e a facilitar o casamento, no Brasil, de Filippo, filho de Giiovani, com Catarina filha de Jerônimo de Albuquerque. Assim, pela linhagem descendente, os Cavalcanti do Nordeste do Brasil, têm origem judaica.

É no quadro de horrores patrocinado pela coroa portuguesa e pela Igreja Católica Apostólica Romana, que os Ximenes de Aragão. De original ascendência basca e judaica. Da parentela dos príncipes de Navarra, Espanha, passaram-se aos sertões do Ceará.

Os quais, já em fato em fato da Inquisição na Europa, se haviam passado para Antuérpia. Na antiga Flandres: atual Bélgica. Para de lá passar-se, um grupo descendente, para Pernambuco e fixar-se no Engenho Araripe: no município de Igarassu.

Para, uma vez mais. Já com laços de parentesco  com os Holanda Cavalcanti. Passar-se ao Ceará: Serra da Ibiapaba. Onde alguns deste ramo familiar tornar-se-iam grandes produtores e mercadores de café, a exercer influência na política e na sociedade.

Ainda porquanto aos Ximenes de Aragão, fartamente documentado, complementa-nos Francisco Antônio Doria registrar esta “gente muito abastada”. Havendo adotado o topônimo Aragão já em fins do Século XVI, quando firmado o seu monopólio do comércio da pimenta para Portugal. Vindo, com isto, a fazerem-se grandes fidalgos na Itália e na Espanha.

Ressalta-nos Doria, mesmo lhes não anotando os genealogistas, a origem judaica. Ficar isto evidenciado por casarem-se nas famílias conversas dos Veiga, Elvas e Évoras. Mais, ainda, por praticarem profissão típica e empreenderem atividades econômicas onde houvesse concentração de judeus. A exemplo da Cidade Livre de Danzig, atual Gdansk: Polônia. Onde dominaram o comércio. Vindo, um dos Ximenes de Aragão, a ser médico particular, profissão de judeu, do Cardeal Dom Henrique.

Henrique VIII de Inglaterra:     o reformador.

No Século XVII, um ramo do clã dos Ximenes de Aragão fixou-se na Itália, Florença, e os seus descendentes casaram-se na família Medici, da linhagem dos Marqueses Della Castellina, do Papa Leão XI, e na família Guarini. Bem como, em outras casas nobres da Toscana.

Vindo esclarecer, ter-se como maior evidência da identidade judaica desta família o “motu proprio” que lhe foi passado em 1586 pelo Papa Sixto V: conferindo aos descendentes de Duarte Ximenes de Aragão armas de nobreza e o nome da família Peretti. Certificando-os cirstãos-velhos e, mesmo, proibindo “ad perpetuam rei memorian”, a quem quer que fosse, lhes inquirir das origens judaicas.

Carta do Rei Henrique VIII a Giovanni di Lorenzo Cavalcanti, pai de Filippo.  Quem concedeu a Giovanni armas próprias com três flores-de-lis em tarja azul e o título de cavalheiro da casa real.  Este arquivo é gentileza de Francisco Antônio Dória. O original encontra-se nos arquivos da Biblioteca Nacional Central de Florença: Sala dei Manoscritti Rari, Passerine 156

tradução:

“De Henrique, pela graça de Deus rei da Inglaterra, França, defensor da fé e duque da Irlanda. Ao magnífico Sr. Giovanni Cavalcanti, servo nosso amado ao mais elevado grau.

Aos nossos ouvidos e certamente muito irado contra nós e para com nosso carinho por ti e pela fidelidade dos teus serviços a nós prestados. A apreensão pela a perda da tua herança que nos dias de hoje se transcrevem. Não por qualquer culpa tua, como chegamos a conhecer. Mas por enganos e falsidades de outrem, que testemunhamos acontecer a ti. Comiseramo-nos desta tua desgraça.

Todavia, como a tua inocência deve exortar-te a suportar com ânimo sereno. Assim, nós te encorajamos diante de nós que te amamos agora e para sempre e te prometemos que não te faltará, agora nem de futuro, o nosso afeto e o nosso favor.

Couto de armas, antigo, dos Cavalcanti. Encimado pela coroa ducal dos Medici. Forram o campo, as cruzes dos Templários: Pobres Cavaleiros do Templo. Arquivo cedido por Francisco Antônio Doria.

Cresto inglês de armas de Giovanni Cavalcanti. Concedido por Henrique VIII, encimado por sua coroa. Mantido o campo branco forrado das cruzes dos Templários e a contar, no passador azul, a significar a proteção dos Tudor, três flores de lis. As cruzes dos Pobres Cavaleiros do Templo, explicam a radical mudança de partido de Giovanni, em romper com a cúria romana e aliar-se a Henrique VIII? Arquivo cedido por Francisco Antônio Doria.

  

Além disso, com as nossas cartas contra esta injustiça, na ocasião protestamos por teu patrimônio e por teu primo Pier Francesco de Bardi. Por tua alma vociferamos por justiça, o que tem muita influência na tua república.

Esperamos seja benéfica e não inferior às dificuldades que se te apresentam. Assim, impusemos aos magníficos senhores Francesco Briano e Pietro Vanno ao teu favor. Aos quais nós designamos nossos embaixadores na Itália para que possa assistir ao nosso trabalho por todos os aspectos a promover, do quê não temos dúvida será empreendido por eles. Pois, te queremos de mente sã e forte. Assim preparada, em todo o teu favorável destino.”

Somente a necessidade de proteger uma sua linhagem ou legítima, porque o celibato dos Papas passou a ser exigido a partir de 1565, ou, mesmo, adulterina. Havida dos Ximenes de Aragão coligados dos Medici, justificaria tal atitude de Felice Peretti. Isto, os anais do Vaticano têm como esclarecer. A adoção patronímica e a proibição de se lhes inquirir das origens marranas são denunciadoras. “Ora, fossem cristãos-velhos; desnecessário seria o tal “motu próprio”: com propriedade, vem inferir Francisco Antonio Doria.

Esta é a verdade histórica por trás da mitologia comungada pelos Feitosa dos Inhamuns e os Ximenes de Aragão, de contarem um papa na sua estrutura genealógica.

Realmente a minha amada tia Doca Feitosa da Várzea da Onça. Tia Nenenzinha da Varzinha: mãe de Eládio e de Lourenço. Tia Guiomar do Arraial e tia Dolores de Paula Pessoa: casada com Joaquim Alves Feitosa. Nada inventaram, para mais ilustrar a ascendência. Apenas deram crédito aos testemunhos dos seus mais antigos.  

PERETTI PAPA

Felice Peretti, ou seja, o Papa Sixto V: 1520 – 1590.

Um ramo dos Xmenes de Aragão passou-se ao Brasil fixando-se no Rio de Janeiro e casou-se nos Dias de Meneses e nos Castro: antigos marranos. Damião Dias, o patriarca, era judeu converso, maçon e comerciante. Também, escrivão da fazenda de Dom João III, quem o fez casar com Joana de Meneses filha bastarda de Dom Duarte de Meneses: da casa dos Albuquerque. De família tão nobre e rica que, por orgulho, trazia como brasão um escudo liso de ouro sem incrustações.

Palácio Sammezzano, em Reggello, Florença. Mais conhecido por La Carraia. Adquirido por Sebastião Ximenes  de Aragão, neto de Duarte " O Peretti" ao correligionário Ferdinando di Medici.

Palácio Sammezzano, em Reggello, Florença. Hoje, hotel e restaurante. Mais conhecido por La Carraia. Adquirido por Sebastião Ximenes de Aragão, neto de Duarte ” O Peretti” ao seu protetor o Grão Duque da Toscana Ferdinando di Medici. Sebastião casou-se com uma sobrinha do seu podestà: Catarina di Medici; homônima da sua prima casada com Francisco I da França.

Esta linhagem, anota-nos Doria, congrega judaizantes e conversos de alto prestígio, a exemplo do Padre Antônio Vieira. Com miríades de descendentes, é de ressaltar Chico Buarque de Holanda: dos mesmos Holanda Cavalcanti e Cavalcanti de Albuquerque de Pernambuco. Assim, como nos traz a lume Francisco Antonio Doria.

O poeta, cantor e compositor Chibo Buarque, do clã dos Holanda Cavalcanti de Pernambuco. Com direta ascendência nos Ximenes de Aragão.

Na Bélgica os Ximenes de Aragão firmaram-se como grandes mercadores e agentes financeiros. Vindo, mesmo, a nobilitar. Entretanto, o ramo belga da família viria padecer sobre os horrores do nazismo. Nos bons tempos de Antuérpia, Fernão Ximenes de Aragão, “O Cavalheiro”, adquiriu, no comércio, grande riqueza e prestígio. Passando a viver no mais alto estilo.

Fernão nasceu em Antuérpia em 1526 e morreu em Florença, Itália, em 18 de Dezembro de 1600. Teve o corpo trasladado para ser sepultado em Antuérpia: na Catedral de Notre Dame. Na Capela de São Miguel. Da qual, como autêntico marrano, patrocinou a construção.

A Catedral de Notre Dame de Antuérpia, onde jazem os restos mortais do marrano Fernão Ximenes de Aragão.

Contando armada própria, Fernão estabeleceu-se como rico mercador de especiarias e  de outros gêneros importados do Oriente. Morou longo tempo na Alemanha: em Colônia. Sendo Antuérpia o seu domicílio oficial. Também chegou a manter estabelecimentos e negócios em Hamburgo e Danzig. Rodrigo Ximenes de Aragão, seu irmão e sócio,  nasceu no ano de 1534 e faleceu em 2 de Outubro de 1581.

Filantropo de grande prestígio junto ao Papa Sixto V, Ruy promoveu o resgate de muitos acusados de heresia pela Inquisição. Mesmo, no patrocínio, a peso de ouro, dos seus batistérios por livre e espontânea conversão. Isto a arriscar-se na periculosa convivência da cúria romana.

Manuel Ximenes de Aragão, cidadão de Antuérpia, nasceu em 1564 e faleceu no ano de 1632. Foi comendador e cavaleiro de Santo Estevão em Florença, Itália. Foi Senhor de Blauwhof, Vila de Bazel, município de Kruibeke. Distrito de Sint Niklaas. Província de Flandres Oriental: Bélgica.

Ana Lopes Ximenes de Aragão, Baronesa de Rhodes, nasceu em torno de 1560/70 e morreu em 28 de Agosto de 1635. Casou-se com Simão Rodrigues de Évora e Veiga: progenitor dos Marqueses de Rhodes. Foi também, Simão, cônsul em 1592,1596 e 1600.

A antiga casa de Ana Lopes Ximenes de Aragão, Baronesa de Rhodes, no Meir: Antuérpia. Onde hoje está instalado o Osterriethhuis.

Simão chegou a comprar um palácio no Meir: Antuérpia. O qual pertencera ao rico comerciante, industrial e humanista Gérard Gramaye. Fez-se, ainda, Cavaleiro de Ter Sealon, Cavaleiro da Ordem de Cristo e Cavaleiro da Casa Real. No Meir, onde, hoje o Osterriethhuis se encontra instalado: no prédio que o serviu de residência. Sendo esta a comum ascendência dos Ximenes de Aragão do Brasil.

No Nordeste do Brasil, o ramo do clã tem origem com os irmãos Duarte e Gonçalo Ximenes de Aragão.  Registram-nos Alexandre e Jacques Ribemboim, em seu livro Olinda Judaica, Duarte como controlador dos negócios do consórcio familiar de Antuérpia no Brasil. Duarte foi rendeiro dos dízimos do açúcar, no período de 1617 a 1621, em Pernambuco. Havendo,mesmo, convivido com Matias de Albuquerque.

Havendo sido Duarte o primeiro proprietário dos engenhos Araripe de Cima, Araripe do Meio e Araripe de Baixo, em Itapissuma, distrito de Igarassu: Pernambuco. Em terras adquiridas de Antônio, filho de Catarina de Albuquerque e seu esposo Filippo: filho de Giovanni Cavalcanti.  

Era Duarte filho de Ruy, aliás, Rodrigo Nunes Ximenes irmão de Fernão Ximenes de Aragão. As suas atividades constam das relações de 1609 a 1623.

A transferência do clã de Pernambuco para a Serra da Ibiapaba, Ceará, onde se fizeram produtores e exportadores de café, dá-se no Século XVIII, a partir de 1710, em fato das perseguições pela sucumbência da açucarocracia na Guerra dos Mascates.

Mapa de localização dos engenhos Araripe de Cima, Araripe de Baixo e Arararipe do Meio no distrito de Itapissuma, então Igarassu, Pernambuco: próximos à cidade do Recife. Em terras que pertenceram a Filippo di Cavalcanti casado com Catarina: filha de Jerônimo de Albuquerque ( arquivo cedido por Francisco Ximenes de Aragão Filho)

Ali, buscaram e obtiveram a proteção de alguns Cavalcanti de Albuquerque, Holanda Cavalcanti e Albuquerque Melo, descendentes de Jerônimo e de estreito parentesco ancestral com os índios Tabajaras: autóctones da região. Temíveis guerreiros, os quais muito serviram a Jerônimo e a Matias de Albuquerque nas lutas em defesa da colônia.  Por outro lado, já na consanguinidade e ascendência dos Feitosa dos Inhamuns.

Capa do livro “Os Ximenes de Aragão” da autoria de Francisco Ximens de Aragão Filho. Resultado de uma exauriente pesquisa em fontes portuguesas, espanholas, flamengas e brasileiras. Toda a saga do clã desde Navarra, Espanha, passando por Lisboa, Antuérpia, Olinda e Goiana, Pernambuco até a Serra da Ibiapaba: Ceará

O meu primo Francisco Ximenes de Aragão Filho, o qual aprendeu hebraico com o seu avô, a quem eu devo encarecidamente a conclusão deste ensaio. De quem eu, livremente empresto dados e palavras. Estribado em farta documentação, garimpada numa pesquisa de mais de vinte anos. Traça-nos a genealogia do ramo cearense destes judeus portugueses na ascendência do mitológico Delmiro Gouveia.

Diz-nos Ximenes Filho, haver Raimundo Ximenes de Aragão casado em Ipu, com a sua prima Rosa Ximenes de Aragão. Nascendo desta união o capitão José Raimundo Ximenes de Aragão, quem, do seu turno, casou-se por duas vezes.

De primeira núpcias com Maria Isabel de Souza: filha do coronel Félix José de Souza e de dona Isabel Rodrigues de Farias: da Fazenda Boa Vista. Isabel Rodrigues era neta, pelo lado paterno, de João de Farias Leite e de Isabel Vaz Silveira. Maria Isabel era bisneta de Félix José de Souza e Oliveira: genro de Manuel Mattos Madeira.

O segundo casamento do capitão José Raimundo Ximenes de Aragão deu-se com Joana Maria de Souza: filha de João da Costa Flores e de Cândida Maria de Souza Carvalho. Casamento realizado pelo padre Gonçalo de Oliveira Lima em 1892.

Neste capítulo o autor informa do processo de Beatriz Ximenes de Aragão junto ao Trbunal do Santo Ofício. Cujos autos estão arquivados na Torre do Tombo de Lisboa sob números 1.656 e 1656-1.

Cumprindo a nota de que o capitão José Raimundo era primo, em segundo grau, da sua primeira esposa Maria Isabel de Souza. Irmã de Francisca Isabel de Souza: mãe de Cândido José de Souza Carvalho. O qual, por seu turno, casou-se com Arminda Quixadá: filha de Maria Madalena Ximenes de Aragão. Sendo seu sogro o coronel Félix José de Souza, junto a quem gozava de total estima e consideração. Quem lhe confiava a direção dos negócios e a administração das suas fazendas.

Nas épocas próprias de cada ano, o capitão José Raimundo apartava as rezes “eradas” e outros animais destinados à venda. Delmiro Porfírio Farias de Souza, o Major Delmiro, pai de Delmiro Gouveia e José Soares de Souza Fôgo. Respectivamente filho  e sobrinho do coronel Félix José, eram os encarregados das transações nas praças de Sobral, Granja, Aquiraz e Fortaleza.

O legendário Delmiro Gouveia, aliás, Delmiro Augusto da Cruz Gouveia, nasceu em 5 de junho de 1863 na Fazenda Boa Vista de propriedade do seu avô: o coronel Félix José de Souza. Ficou para a História como o “Rei do Sertão” por sua riqueza, filantropia e coragem no desafiar o poderio econômico dos ingleses no Nordeste do Brasil. A falácia de ser Delmiro de origem humilde, é mito de desconstrução das esquerdas populistas na cata de um herói messiânico.

Delmiro Augusto da Cruz Gouveia. Ferrenho inimigo do governador Sigismundo Gonçalves e do Conselheiro Rosa e Silva.

Uma das suas maiores marcas foi a de  ser pioneiro da industrialização e da produção de energia hidroelétrica no Brasil. Na cidade de Água Branca, sertão de Alagoas, Delmiro instalou o seu parque industrial. Em Alagoas, vivia em boa paz na proteção dos Tenório Cavalcanti.

Mandou buscar técnicos nos Estados Unidos da América do Norte, de onde importou equipamentos e, já no inicio da primeira década do Sec. XX, quando grandes centros regionais como o Recife e Salvador eram ainda iluminados a gás, as suas indústrias eram movidas a energia elétrica.

Foi mãe de Delmiro Gouveia, a pernambucana Leonila Flora da Cruz Gouveia. A qual ficara viúva do Major Delmiro, morto na Guerra do Paraguai na campanha de Caimbocá. Havendo, o major Delmiro, sido companheiro de fileiras do, então, tenente Lourenço Alves Feitosa e Castro. Mesmo por laços de parentesco. Com quem firmou fraterno relacionamento e de quem o seu irmão, coronel José Porfírio Farias de Souza, viria a ser o mais aguerrido correligionário na oligarquia aciolista.

Atual Quartel do Derby, sede da Polícia Militar de Pernambuco. Onde funcionou o primeiro “shopping mall” da América Latina, por iniciativa de Delmiro Gouveia.

No comércio Delmiro passou a exportar 1,5 milhão de toneladas de pele por ano. Ressalta Caesar Sobreira, registrar Gilberto Freyre, ter sido o comércio de peles de monopólio israelita: dos judeus portugueses.  Restando evidente, haver-se Delmiro Gouveia valido da identidade ancestral dos Ximenes de Aragão para bem colocar-se no mercado europeu.

Já na iniciativa industrial, em mais um arroubo de ousadia, Delmiro fundou a Companhia Agro Fabril Mercantil. A qual, logo nos primeiros  meses, passou a produzir 216 mil carretéis de linha de algodão. A morte de Delmiro Gouveia fez-se de mistérios. Se não sabe ao certo se foi mandado assassinar por seus concorrentes ingleses, ou por seu ferrenho inimigo Sigismundo Gonçalves: governador de Pernambuco.

Quem jamais perdoou Delmiro da sova que lhe aplicou na, então, movimentada e chique Rua do Ouvidor: na cidade do Rio de Janeiro. Bem como haver Delmiro feito sua amante, com quem fugiu para Alagoas, Carmela Eulina do Amaral Gusmão: filha natural de Sigismundo. Delmiro teve ainda, como acérrimo inimigo ao conselheiro Rosa e Silva de quem Sigismundo era aguerrido correligionário.

No primeiro plano, à esquerda, Marianne Peretti de pai pernambucano e mãe francesa. A pedido de Oscar Niemeyer, realizou vitrais e painéis de vidro transparente monumentais, em obras como a Câmara dos Deputados, o Senado Federal, o Palácio do Jaburu e o Memorial Juscelino Kubitschek, em Brasília; a sede da Revista Manchete, no Rio de Janeiro, e o Edifício Burgo, em Turim, Itália. É dela, ainda, entre outras obras, a grande escultura de bronze do Teatro Nacional, em Brasília, e um mural de 48 m² na Câmara Sindical de Eletricidade, no Boulevard Voltaire, em Paris, além das grandes esculturas em fibra de vidro branco, dois grandes pássaros, no Espaço Cultural do Havre, Maison de La Culture. Na foto Oscar Niemeyer e José Sarney,então, presidente da República do Brasil.

No primeiro plano, à esquerda: Marianne Peretti, de pai pernambucano e mãe francesa. A pedido de Oscar Niemeyer, realizou vitrais e painéis de vidro transparente monumentais em obras como: a Câmara dos Deputados, o Senado Federal, o Palácio do Jaburu e o Memorial Juscelino Kubitschek, em Brasília. A sede da Revista Manchete, no Rio de Janeiro e o Edifício Burgo, em Turim:, Itália. É dela, ainda, entre outras obras, a grande escultura de bronze do Teatro Nacional, em Brasília e um mural de 48 m² na Câmara Sindical de Eletricidade: no Boulevard Voltaire, em Paris. Além das grandes esculturas em fibra de vidro branco, dois grandes pássaros, no Espaço Cultural do Havre: Maison de La Culture. Na foto Oscar Niemeyer e José Sarney, então, presidente da República do Brasil e Burle Max.

Do casamento de Joaquim José Ximenes de Aragão com Francisca Teodora do Sacramento, nasceram entre outros: Ana Antônia do Espírito Santo Ximenes de Aragão; Francisco Xavier de Aragão; José Ximenes de Aragão; Maria Francisca Aragão; Antônia Maria da Páscoa; Maria Ximenes de Aragão; Francisco Ximenes de Aragão; Inácia Teodora da Conceição Aragão.

O Capitão José Ximenes de Aragão nasceu em 1824, casou-se duas vezes. O primeiro casamento deu-se com Ana Joaquina Farias de Souza, quem adotou o nome do marido e passou a assinar-se Ana Ximenes de Farias. Ana Joaquina era irmã do cearense Delmiro Porfírio Farias de Souza: fazendeiro e negociante de gado, casado com a pernambucana Leonila Flora da Cruz Gouveia.

São estes os pais de Delmiro Augusto da Cruz Gouveia: pioneiro da indústria e da produção de energia hidroelétrica na América Latina. Do casamento de José Ximenes de Aragão com Ana Joaquina, irmã de Delmiro Farias de Souza e do Cel. Porfírio Farias de Souza, nasceu Raimundo Ximenes de Aragão. Quem, por seu turno casou com a sua prima, em primeiro grau, Maria Isabel de Souza: filha do Cel. Félix José de Souza do Sítio Boa Vista na cidade do Ipu: Ceará.

Maria Isabel era, portanto, bisneta de João de Farias Leite e de Isabel Vaz Silveira: neta de Francisco de Souza Oliveira, o mesmo Francisco Loyola de Albuquerque Melo descendente direto de Jerônimo; tanto com ascendência na tabajara Muyrah Uby, como em Felipa de Sampaio e Mello: filha de Cristóvão de Mello. Sendo da linhagem de Pedro de Albuquerque Melo: do Rio Formoso; Pernambuco.

Francisco foi avô do Cel. Porfírio José Farias de Souza, este, tio de Delmiro Gouveia. O Cel. Porfírio teve como preceptor o seu tio, o padre Gonçalo Ignácio de Albuquerque Melo: revolucionário da Confederação do Equador de 1824, de codinome Padre Mororó; fuzilado no Passeio Público da cidade de Fortaleza.

O Cel. Porfírio era primo, por relações fratrias, do Cel. Lourenço Alves Feitosa e Castro: de igual ascendência em Jerônimo, Filippo Cavalcanti, Arnaud de Holanda e Pedro de Albuquerque Melo. Um filho do Cel. Porfírio casou com uma filha do Cel. Lourenço: Maria das Mercês, quem teve aos filhos, por ordem cronológica: Olga, Gerardo, Porfírio, Lourenço Antônio.

Havendo o casal adotado um filho do Cel. José Raimundo. Olga casou com o seu primo, em segundo grau, Pedro, filho de Juvêncio Bezerra Cavalcanti de Albuquerque refugiado das querelas de Timbaúba, Pernambuco: em fato da sucumbência da revolução de 1824. Passado à Paraíba, adquiriu terras da sesmaria da sua prima Ana de Albuquerque: filha de Luís Gomes de Albuquerque, da linhagem Gomes de Melo.

Ana casou-se com o cearense, da cidade do Icó, Vital de Souza Rolim. Do seu casamento teve o filho Ignácio de Souza Rolim: o Padre Rolim. Fundador do educandário que deu origem à cidade de Cajazeiras; em suas terras: na Paraíba. Vital de Souza era filho de um revolucionário, iluminista francês de Marselha: o médico Isidoro Rolim, refugiado nos sertões do Ceará.

Para mais esclarecer esta imbricada consanguinidade, a irmã do Cel. Lourenço, Leonarda, casou com o seu primo carnal, irmão germânico. Mais seguramente, seu tio, Leandro Custódio de Oliveira e Castro: neto de Bernardo de Freire e Castro do Engenho Tamatanduba; contíguo ao Engenho Cunhaú de Jerônimo de Albuquerque Maranhão em Canguaretama: Rio Grande do Norte. 

Assim, é impossível aos descendentes de Lourenço e Leandro definir, com segurança, os graus de parentesco. Como aos descendentes do cariboca de tabajara Jerônimo e de Pedro de Albuquerque Melo. Estes registros, com base em Guilherme Studart no “Dicionário Bio-Bibliográphico Cearense” e Francisco Ximenes de Aragão em “Os Ximenes de Aragão”. Que, em muito, socorrem as assertivas de Gilberto Freyre em “Casa Grande e Senzala”, enquanto às ortodoxas relações endogâmicas das famílias senhoriais do Nordeste do Brasil.

O coronel José Porfírio Farias de Souza, tio de Delmiro Gouveia, dono dos Sítios São Paulo, Mato Grosso e São Félix na Serra da Ibiapaba e Boa Vista, na cidade, casou-se com Maria Elvira de Andrade de Paula Pessoa. Neta do senador Francisco de Andrade de Paula Pessoa. Filha de Leocádio de Andrade Pessoa e Hermelinda Pereira Jacinto da Motta Pessoa. Sendo ele desembargador do Tribunal de Relação da Província do Maranhão.

Francisco de Andrade de Paula pessoa nasceu em 24 de Março de 1795, vindo a morrer, aos 84 anos, em 16 de Julho de 1879. Era filho do capitão-mor Thomaz Antônio Pessoa de Andrade e de Francisca de Brito Pessoa de Andrade: prima, em primeiro grau, do legendário José Agostinho de Macedo; político, escritor, poeta e clérigo português. Ver “link” à margem direita desta página.

Francisco era irmão de João de Andrade Pessoa, identificado nas falanges revolucionárias por Dr. Anta, junto a quem tomou parte na Confederação do Equador. Ao contrário do irmão, Francisco, teve comutada a pena de morte por enforcamento. Mas, confiscados todos os seus bens. Já pai de quatro de seis filhos, Francisco passou-se ao Rio de Janeiro. Onde, aos quarenta anos, iniciou os estudos de Direito aos auspícios da maçonaria.

De volta a Sobral, foi eleito presidente da Câmara. Membro do Conselho Geral. Coronel Comandante da Guarda Nacional. Para, mais uma vez, ser eleito vice-presidente da província do Ceará e, depois, senador confirmado pela Carta Imperial de 23 de Dezembro de 1848.

O senador Paula Pessoa foi membro honorário do Instituto de Advogados da Corte. Vindo, em 1850, a ser elevado, de revolucionário proscrito, a Fidalgo Cavaleiro da Casa Imperial. Um seu neto, Francisco de Paula Rodrigues, filho de Maria Luiza de Paula Rodrigues e do conselheiro Antônio Joaquim Rodrigues Júnior, viria  ser doutor em medicina pela faculdade do Rio de Janeiro. Deixou várias dissertações científicas. Foi sócio do célebre Dr. Wecker de Paris e do renomado Dr. Moura Brasil.

O coronel José Porfírio Farias de Souza teve por preceptor ao seu tio Gonçalo Ignácio Loyola de Albuquerque Melo, de codinome revolucionário Padre Mororó: mártir da Confederação do Equador. Executado por fuzilamento, ao exemplo de Frei Caneca em Pernambuco: em 30 de Abril de 1825, no ângulo norte do Passeio Público da cidade de Fortaleza.

O seu pai coronel Félix José de Souza era filho de Francisco de Souza Oliveira, o mesmo, Francisco Loyola de Albuquerque Melo. Se lhe não sabe ao certo originário da Paraíba, ou de Pernambuco. Mas, lhe sendo asseverada a ascendência direta em Pedro de Albuquerque Melo: do Rio Formoso.

É cercada de mistérios a vida de Francisco de Souza Oliveira, na verdade Francisco Loyola de Albuquerque Melo: pai do coronel Félix José de Souza. Avô do coronel José Porfírio Farias de Souza. Este, por seu turno, pai de Luís Porfírio Farias de Souza.

 …

LEGENDA

Fortaleza dos Reis Magos, em Natal: Rio Grande do Norte. Onde foi morto em prisão André de Albuquerque Maranhão, Morgado do Cunhau,  um dos líderes da revolução de 1817, em 26 de Abril de 1817.  Por ironia do destino, na casa forte mandada construir e da qual foi o seu primeiro comandante, há cento e cinqüenta anos, o seu bisavô Jerônimo de Albuquerque Maranhão: instituidor do morgadio. De qualquer modo, a Independência do Brasil viria a acontecer cinco anos depois da sua morte: em 1822. Esta revolução de 1817, a qual conjurou o clã dos Albuquerque, emprestou causa final à emigração das famílias senhoriais de Pernambuco para os sertões. Notadamente, para a Serra da Ibiapaba: Ceará. A desagregação do clã foi iminente.  Centenas de Cavalcanti de Albuquerque foram perseguidos e tiveram os bens expropriados. Outros mais, executados por enforcamento, por ordem de Dom Pedro I: Pedro VI, de Portugal. Cinco anos depois, o imperador declarou a Independência do Brasil.

Francisco Loyola de Albuquerque Melo, refugiado do terror de Estado que fez o inferno das famílias de mazombos da Paraíba e de Pernambuco, como já anotado. Casou-se no Ceará, com Águeda Xavier de Mattos Madeira filha do não menos misterioso Manuel de Mattos Madeira: legendário português, que se passou à povoação do Riacho dos Guimarães: atual Groaíras. Então Caiçaras: sesmaria dos Feitosa dos   Inhamuns.

Diz-nos o Barão de Studart, no seu Dicionário Bio-Blibliographico Cearense Vol -I-, pag. 259/260, ao testemunho do seu coetâneo Manuel Ximenes de Aragão que, ao morrer Mattos Madeira: verificou-se dos seus papéis tratar-se de um alto titular da nobreza de Portugal. Porém, de nome diverso. Em fuga da mortal perseguição que lhe movia o Conde de Oeiras: ministro do Rei Dom José I.

Infelizmente, o celebrado linhagista deixou-nos de registrar o seu verdadeiro nome. Quiçá, propositadamente para proteger os seus familiares. Hoje, eu ando à cata dessas anotações, jamais publicadas, de Manuel Ximenes de Aragão: falecido por volta de 1870. Para o resgate da sua ascendência.

São, ainda, primos em primeiro grau do coronel José Porfírio Farias de Souza: Thomaz Pompeu de Souza, o Senador Pompeu. Milton de Souza Carvalho, presidente do inaugural conselho de administração da Usina Siderúrgica Nacional, Volta Redonda. Félix Cândido de Souza Carvalho: desembargador presidente do Tribunal de Justiça do Estado do Ceará. Este, por sua vez,  cunhado de Maria Elvira de Andrade de Paula Pessoa, sobrinha do legendário Vicente de Paula Pessoa: o Vêpêpeia. Ou Milton, ou Felix José, é avô de Antônio Cândido de Souza Carvalho: filólogo membro da Academia Brasileira de Letras.

Vicente de Paula Pessoa, sobrinho do revolucionário João de Andrade Pessoa, o Doutor Anta, o qual participou da Confederação do Equador ao lado do padre Gonçalo Ignácio de Albuquerque Melo: o Mororó. Primeiro dos seis filhos do senador Francisco de Paula Pessoa com Francisca Maria Carolina, filha do coronel Vicente Alves da Fonseca e de Antônia Pinto de Mesquita. Prima, em primeiro grau, da mãe de Tomás Pompeu de Souza: o Senador Pompeu. Por mesma linhagem, prima do Cel. Porfírio Farias de Souza.

Formou-se em Direito, em 25 de novembro de 1850, na Faculdade de Olinda, Pernambuco, na mesma turma que seu meio-irmão mais velho: Leocádio de Andrade Pessoa. De volta à província, iniciou a carreira como juiz municipal de Ipu.

Foi também juiz municipal de Fortaleza, de Lagarto, em Sergipe , de São José de Mipibu, no Rio Grande do Norte. De Saboeiro, Aracati e de Sobral: Ceará. De juiz de direito de Sobral, passou a desembargador da Relação do Pará do qual foi presidente.

Aposentado, a seu pedido, como ministro do Supremo Tribunal de Justiça do Império do Brasil. Sendo, ainda, vice-presidente da Província do Rio Grande do Norte e vice-presidente do Ceará. Também senador eleito e confirmado por carta imperial.

São estas as raízes do parentesco dos Ximenes de Aragão, com os descendentes do coronel José Porfírio Farias de Souza: tio de Delmiro Gouveia. Cujo filho, Luís Porfírio Farias de Souza veio casar com Maria das Mercês: filha do coronel Lourenço Alves Feitosa e Castro; patrono do 23.° Batalhão de Caçadores sediado na cidade de Fortaleza.

Lourenço Alves Feitosa e Castro era filho de Luzia Alves Feitosa e Vale e do capitão-mor Lourenço Alves de Castro. Sendo este, filho de Leandro Custódio de Oliveira e Castro e neto de Bernardo de Freire e Castro do Engenho Tamatanduba: limítrofe do Engenho Cunhaú de Jerônimo de Albuquerque Maranhão, no Rio Grande do Norte. Sendo, ainda, neto  da única filha de Manuel Martins Chaves, aliás, Manuel Gonçalves Vieira.

Sobre a hegemonia socioeconômica dos Feitosa, até a primeira metade do Século XX. A sua organização familiar em “casas” e o seu relacionamento senhoril. Da maior relevância, ler a dissertação em sede de mestrado de Edilberto Silva Mendes: A Santa Negra dos Inhamuns. Universidade Federal do Ceará, 2010. “Link” colacionado à margem direita deste “blog”Ainda, valendo ouvir, com atenção, o registro de Luiz Gonzaga; abaixo indicado:

A região em que se situa a cidade de Ipueiras, Ceará, fez parte da imensa sesmaria que pertenceu a Manuel Martins Chaves: coronel do 5.° Regimento de Cavalaria de Vila Nova d’El Rey e presidente do senado da Vila de São João d’El Rey. uma das mais curiosas figuras da história colonial.

Certo dia do ano de 1806, o governador da capitania, João Carlos Augusto d’Oeynhausen Gravemburg, resolveu por fim ao poderio de Manuel Martins Chaves acusado de vários crimes, dentre muitos, o de matar o juiz ordinário Antônio Barbosa Ribeiro.

Verdade é que Manuel Martins, querendo ser gentil ao governador, acompanhou-o na sua revista por várias pousadas até que, na Serra da Ibiapaba, o revés o alcançou.  Em uma latada, armada para o refrigério dos oficiais, estava uma coroa depositada sobre uma mesa. João Carlos, então, indagou de Martins Chaves se este sabia a quem pertencia a indumentária.

Ao que ele respondeu afirmativamente, que à sua majestade a Rainha Dona Maria. O governador retrucou, para dar-lhe voz de prisão. Manuel Martins foi remetido a Lisboa. Para o terrível encarceramento do Limoeiro: Palácio da Inquisição. Onde morreu, dois anos depois, em conseqüência das torturas sofridas.

O Palácio da Inquisição, Lisboa. Atual Teatro Nacional. Por ironia histórica, no final da Avenida da Liberdade. Na Praça Dom Pedro IV: o mesmo Dom Pedro I do Brasil.  Onde foi morto, sob torturas, Manuel Martins Chaves, aliás, Manuel Gonçalves Vieira.

Todas as propriedades de Martins Chaves foram confiscadas, como do manual da Inquisição. A sua única filha, Ana Gonçalves Vieira, viria padecer na indigência não fosse adotada, como herdeira universal, por seu tio Antônio da Costa Leitão. Ana casou-se com José do Vale Pedrosa, vindo a ser matriarca do clã dos Feitosa: passando à história como Don’Ana do Cococi. Abrindo-se, com isto, um novo capítulo desta saga: Os Inhamuns.

Mapa do Ceará em 1930. No destaque a região dos Inhamuns, nas fraldas da Serra da Ibiapaba: alí conhecida como Serra Grande.

Cumprindo reprisar, para melhor dirimir, ser Ana Gonçalves Vieira avó do coronel Lourenço Alves Feitosa e Castro. A sua filha Luzia Alves Feitosa e Vale, mãe do coronel Lourenço, casou-se com o capitão-mor Lourenço Alves de Castro: filho de Eufrásia Alves Feitosa e de Leandro Custódio de Oliveira e Castro do Engenho Tamatanduba: Alagoinha; Rio Grande do Norte.

Como visto, a endogamia funcionava como um artifício de defesa e sobrevivência no fechamento do grupo familiar. Assim preservados os costumes, a segurança do grupo e a integridade patrimonial. A endogamia permaneceu, entre os Feitosa, até a segunda metade do Séc. XX, como instituto.

Os Castro passaram-se ao Brasil na segunda metade do Sec. XVII, por ocasião  da ocupação de Pernambuco pela Companhia das Índias Ocidentais. Com as levas do filantropo Manuel Nehemias Mendes de Castro: bisneto do judeu agente financeiro, Manuel Mendes de Castro de Flandres, Bélgica, Antuérpia. Íntimo de Henrique IV de Inglaterra e fomentador da insurreição dos Países Baixos contra a coroa espanhola.

Túmulo de João de Albuquerque, Senhor de Aveiro. Casado com  Leonor Lopes: filha do judaizante Dr. Lopo Gonçalves de Leão desembargador da Corte. João foi pai de Lopo de Albuquerque e, assim, avô de Jerônimo de Albuquerque. Descendente direto do Rei Dom Dinis e de Aldonça Rodrigues Telha. Portanto de Hermenegildo Gonçalves, primeiro Conde de Portugal  e sua esposa legítima Mumadona Dias: direta descendente de Rodrigo Diaz de Vivar, eternizado como El Cid, e sua esposa Dona Ximena Diaz de Oviedo. Ximena foi Regente de Valência: filha de Diogo Fernadez de Oviedo, Conde de Oviedo, Espanha. Os domínios dos Albuquerque, em Portugal, estendiam-se:  de Aveiro, desde a encosta ocidental da Serra da Estrela, Penalva do Castelo, Coja, Fornos de Algodres, Seia e Gouveia. Até à fronteira: Sabugal, Alfaiates e Penamocor: de onde foi o primeiro conde, Lopo de Albuquerque. Reduto de cristão-novos que viviam sob a sua multi secular aguerrida proteção.Ver o “link” à margem direita deste “blog”: ALBUQUERQUE, ÁRVORE GENEALÓGICA.

O relacionamento marital entre os Castro e os Albuquerque, tange à noite dos tempos. Este parêntese bem esclarece  de como os Castro chegaram ao Brasil para, originalmente, fixarem-se no Nordeste sob dominação holandesa. Mais precisamente no Rio Grande do Norte para, de lá, passarem-se a: Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro. Domitila de Castro, a Marquesa de Santos, amante de Dom Pedro I, era deste mesmo grupo familiar. Assim, como o são, deploravelmente, os Castro de Cuba.

Cel. Lourenço Alves Feitosa e Castro, em uniforme de campanha, a ostentar a comenda de passador número cinco por constância e bravura. Cumprindo a registro dele haver entrado para a guerra no corpo dos Voluntários da Pátria como simples alferes, para vir a ser promovido a coronel de exército.

Desde os primórdios do clã, os casamentos deram-se na mais estrita endogamia. Motivo porque os Feitosa da Casa do Cococi, Varzinha, Barra, Papagaio e São Bento: casas ancestrais. Barra do Puiu, Cococá, Arraial e do Forte: casas descendentes.  Constituem uma única linhagem de imbricada consanguinidade.

O casamento de Maria das Mercês, filha do coronel Lourenço com Luís Porfírio: bisneto do senador Francisco de Paula Pessoa, neto de Leucádio e sobrinho de Vicente. Filho do coronel José Porfírio Farias de Souza, seria fato excepcional, não fossem, ambos, descendentes de Jerônimo de Albuquerque e das suas duas esposas: Felipa de Sampaio e Mello e a tabajara Muyrah Uby. Aliás, Maria do Espírito Santo Arcoverde.

Valendo a registro a ironia do destino. Por serem, além de primos, descendentes de dois inimigos mortais. Protagonistas de uma grande tragédia: Manuel Martins Chaves, morto no Limoeiro de Lisboa e o juiz ordinário Antônio Barbosa Ribeiro, por ele assassinado.

O poeta pernambucano João Cabral de Melo Neto. Irmão do prof. Evaldo Cabral de Mello. Expoentes do clã Albuquerque Melo.

O poeta pernambucano João Cabral de Melo Neto. Irmão do prof. Evaldo Cabral de Mello. Expoentes da linhagem Albuquerque Melo.

Aliás, como bem registra Caesar Sobreira, pupilo de Gilberto Freyre, os processos por denúncias de bigamia abundam nas confissões do Santo Ofício: “O concubinato, na qualidade de substitutivo da poligamia é, ou foi, uma característica social e familiar dos nordestinos, como entre os muçulmanos e os judeus sefarditas”.

Para completar, a interdição imposta aos judeus, contra o direito à poligamia, só atingiu aos judeus da Europa Oriental: os ashkenazitas. Tendo, entre os sefarditas, perdurado por mais de mil anos. Proclamado o interdito, pelo rabino Gershon de Mongúscia no ano 1000 da era atual, jamais seria aplicado, ou aceito, pelos judeus ibéricos. Hoje, o preceito é dispositivo e não imperativo.

Mas, voltando ao enredo. Ana Gonçalves Vieira, referida no início deste ensaio, filha de Manuel Martins Chaves, viria a casar com José do Vale Pedrosa, filho do capitão-mor José Alves Feitosa e sua esposa Maria Madalena Vieira. Daí, vir Ana a ser matriarca do clã. Passando à posteridade como Don’Ana do Cococi.

Mesa da Assembléia Legistiva do Estado do Ceará. Terceiro da direita para a esquerda o Cel. Lourenço Alves Feitosa e Castro. Segundo da esquerda para direita, o seu irmão o padre Francisco Máximo Alves Feitosa e Castro: legendário Padre Feitosa.

Sendo avó do Cel. Lourenço Alves Feitosa e Castro. A sua filha Luzia Alves Feitosa e Vale casou-se com o capitão-mor Lourenço Alves de Castro; filho de Eufrásia Alves Feitosa e Leandro Custódio de Oliveira e Castro da Casa do Papagaio. Este, por seu turno, filho de Bernardo de Freire e Castro, reprisadas vezes comentado.

Para bem entender a estrutura do clã e o seu modus operandi”, cumpre a narrativa de dois incidentes. Leandro Custódio de Oliveira e Castro do Papagaio, irmão de Lourenço Alves de Castro e pai do filho de mesmo nome Leandro, o da Barra, foi morto por seu primo José do Vale Pedrosa, irmão de Luzia, em revide de flagrante de adultério. Crime a ter repercussão no Jornal Pedro II, da capital cearense.

Câmara Municipal de Tauá, Ceará: 1958. Primeiro da esquerda para a direita, Gerardo Alves Feitosa de Souza. O qual viria a ser eleito prefeito.

Maria, de apelido Iaiá, causa da tragédia, era sobrinha tanto do seu marido José, como do seu amante Leandro. O assassinato de Leandro pôs em cheque a unidade do clã: cindido-o em dois partidos. Um liderado por Lourenço Alves de Castro, a exigir o pagamento da morte de Leandro na mesma moeda, com a execução de José do Vale. Outro, liderado por Pedro Alves Feitosa, irmão do assassino, a jurar revide caso este sofresse qualquer atentado.

Os laços de parentesco das duas facções são de muita complicação. Lourenço, o qual exigia a morte de José do Vale, era irmão da vítima, Leandro, casado com uma sua prima, irmã do assassino e, ao mesmo tempo era tio da esposa da vítima: como do próprio criminoso.

Entre os dois grupos rivais, intervieram os primos Joaquim Felício de Almeida e Castro, advogado, e Joaquim Leopoldino de Araújo Chaves, da Casa do São Bento: bisneto de Francisco Xavier de Araújo Chaves. Sobrinho de Manuel Martins Chaves e, por conseguinte, bisavô de Antônio de Ferreira Sampaio: o Gal. Sampaio, patrono da Infantaria do Exército Brasileiro.

O três patriarcas. Da esquerda para a direita: Cel. Lourenço Alves Feitosa e Castro, da Varzinha; Cel. Joaquim de Souza Valle, do Arraial e o Cel. Leandro Custódio de Oliveira e Castro, da Barra: casado com Leonarda, ou seja, Mãezinha, irmã de Lourenço. Os filhos de um de outro são irmãos germânicos entre si.  Ou seja, primos carnais.

Francisco Xavier de Araújo Chaves, sobrinho de Manuel Martins Chaves, casou-se com Isabel Ferreira de Souza e foram pais de Antônia Xavier de Araújo que se casou com Antônio Ferreira de Sampaio, alferes da Segunda Companhia do seu sogro e não ferreiro, como narram alguns biógrafos.

Foram eles os pais do general Antonio de Sampaio, patrono da Infantaria do Exército Brasileiro. Nascido em 24 de maio de 1810 na fazenda Vitória em Tamboril, Ceará.

Não sendo este o único parentesco dos Feitosa com os Sampaio, Alencar, Peixoto e Saraiva do sul do Ceará e sertões de Pernambuco. Descendentes dos Saraiva que se passaram ao Brasil via Amsterdã. Isto com a Companhia das Índias Ocidentais e participaram da instalação da primeira sinagoga das Américas: Kaal Kadosh Zur Israel em Recife: Pernambuco.

Cel. Lourenço ladeado por seu irmão o padre Francisco Máximo, à sua esquerda e o seu sobrinho o monsenhor Leopoldo de Araujo Feitosa à sua direita.

Ver Duarte de Saraiva, aliás, David Señor Coronel fundador do cemitério judeu português de Amsterdã, subúrbio de Ouderkerk. Beth Haim: Casa das Vidas. Tetravô de Senior Coronel: presidente da Fundação David Henriques de Castro. Fotografia no caput deste ensaio.

Depois de uma semana de reuniões de acirrados enfrentamentos, chegou-se à conciliação. Com a família reunida em “custódio”, corte excepcional de justiça, ao estilo dos antigos “ma’amads” da Península Ibérica, Francisco Alves Feitosa sugeriu que o assunto passasse à decisão da sua sogra Ana de Castro. Irmã do vitimado, Leandro, e tia da sua viúva.

Don’Ana chegou à sábia decisão de que José do Vale seria submetido ao Tribunal do Júri ordinário. Mas, que o corpo de jurados deveria ser instruído para votar por sua absolvição. Em contrapartida, o acusado cumpriria banimento perpétuo “cherém” da família e não mais retornaria aos Inhamuns sob pena de pagar com a própria morte.

O Cel. Lourenço, ladeado pelas duas únicas filhas. à esquerda da foto: Maria de Lourdes, sem descendentes. À direita: Maria das Mercês, casada com Luís Porfírio de Souza do clã dos Ximenes de Aragão, neto de Francisco Loyola de Albuquerque Melo.

O desfecho do caso é evidência do poder supra estatal do clã dos Inhamuns, no enfrentamento da Inquisição e do Estado constitucional. Os Feitosa dominavam a sociedade a tal ponto que nos casos mais importantes, eram das suas decisões grupais os veredictos.

Nesses casos envolvendo membros da família, os funcionários da justiça apenas emprestavam sanção legal às decisões do clã. Tal como do registro do sociólogo Billy Janes Chandler em seu “Os Feitosas e o Sertão dos Inhamuns”: University of Florida Press, edições UFC e Civilização Brasileira para língua portuguesa – 1980.

Outro incidente pôs em cheque a unidade do clã e, por fim, empresta maior evidência do seu poder político. José Bizarria, um Feitosa, foi morto, a golpes de faca, por um seu morador: Antônio Preto, filho de escravos. No dia 20 de Março de 1912, na fazenda Poço Comprido, no Distrito do Cococi, termo de Arneirós. Propriedade do seu primo e cunhado Vital de Souza Feitosa.

A mucama alforriada, de ascendência falashita: Bébé. De nome patronímico: Maria Isabel Alves Feitosa e Castro. Amada dos seus, foi sepultada no mausoléu do Cel. Lourenço: homenagem da Câmara Municipal de Tauá.

Testemunhos da época deixam claro haver-se tratado de um desfecho de intrigas intestinas do clã. Antônio Preto era pai de José Antônio e Pascoal. José Antônio havia deflorado uma moça da criadagem de Vital de Souza Feitosa, o qual o pressionou por casar-se com a vítima.

No dia aprazado para o casamento, José Antônio arribou para refugiar-se na casa de um Feitosa despeitado de José Bizarria: Francisco das Chagas Cazé, da Fazenda Riacho dos Cavalos, também no Cococi.

Pascoal vivia a desdizer da acusação de Vital de Souza, contra o seu irmão José Antônio. O que veio emprestar motivo para que Vital de Souza mandasse dar uma sova no rapaz. Se não sabe ao certo da participação de José Bizarria. Francsico Cazé protestava proteger Antônio Preto no caso de vingar-se da afronta ao seu filho. Fato é que Antônio Preto veio a matar Bizarria e refugiar-se na casa de Francisco Cazé.

A incontinenti resposta do clã, o qual não poderia permitir a morte de um  primo por outro, dar-se-ia no anoitecer do dia 1.° de Julho do mesmo ano. Cazé foi assediado e morto a golpes de faca, em sua casa, por três homens que chegaram a cavalo e apresentaram-se como romeiros em marcha para o Juazeiro do Padre Cícero Romão Batista.

Logo em seguida um bando de mais de quarenta homens a cavalo, nas notas de Leonardo Feitosa, em seu Tratado Genealógico, cercou a casa de Cazé e trocou tiros com os assassinos matando a dois e deixando um sobrevivente.

Belaynesh Zevadia. De etnia falashita. Atual embaixadora de Israel na Etiópia. Giora Becher, embaixador de Israel no Brasil, por doze anos, foi remanejado e indicado para o seu primeiro secretário de embaixada. Dado à impotância da sua missão na África: o resgate dos últimos contingentes falashitas, para a sua inserção social em Israel. Enquanto isso, seguimentos falashitas mizraitas e sefarditas torcem por sua nomeação como embaixadora de Israel nas Nações Unidas

Os conjurados reuniram-se na Fazenda Várzea do Estreito, de onde Vital de Souza Feitosa partiu com a notícia para a Fazenda Barra, para pedir o apoio do Cel. Leandro Custódio de Oliveira e Castro, Pai Lin, cunhado e primo, ou mesmo, tio do Cel. Lourenço Alves Feitosa e Castro.

Entre as muitas desfeitas de Cazé, contava-se haver rompido com a orientação política do clã e de haver apoiado o interventor federal Marcos Franco Rabelo. Encarregado por Hermes da Fonseca, para por fim ao poderio de Antônio Pinto Nogueira Accioli: aguerrido aliado do Cel. Lourenço e do Cel. Porfírio.

Sem mais demora, diligenciou-se em por à disposição da justiça os envolvidos na morte de Francisco Cazé. Foram tomados os depoimentos de mais de quinze testemunhas. Na sua maioria vaqueiros e foreiros dos Feitosa. Orientados a declarar terem notícia do fato: por assim terem ouvido dizer. O álibi se haveria como impor.

Na ocasião do julgamento, Franco Rabelo havia sido deposto, por uma insurreição pacificada por intervenção federal. Os inimigos de Franco Rabelo, fizeram-se de volta ao poder: notadamente, os Feitosa dos Inhamuns.

O Tribunal do Júri instalou-se nos dias 23 e 24 de Setembro de 1914. Dos doze membros do corpo de jurados, quase todos eram Feitosa. Funcionou na defesa o Cel. Lourenço, o mais influente do clã. Em suas alegações interpôs que a acusação contra os seus constituintes era fundada em depoimentos sem provas, prestados por pessoas duvidosas.

Contrapôs o Cel. Lourenço tratar-se Cazé de homem violento e coiteiro de criminosos, para defesa da tese de que a sua morte resultara de uma disputa em que só os envolvidos sabiam dos reais motivos e que contra os réus não poderia pesar a acusação. Ao que o Júri aquiesceu.

Também o Cel. Lourenço pediu pela absolvição de Luiz Pereira de Souza, sobrevivente dos três assassinos de Cazé. Posto que não poderia ser a ele imputada a responsabilidade dos ferimentos mortais. No que o juiz discordou. Mesmo, assim, todos foram absolvidos.

O procurador geral de justiça recomendou que o caso voltasse a julgamento. Mas, na pauta, apenas o reexame das circunstâncias de Luiz Pereira. O Tribunal do Júri foi novamente instalado em 21 de Setembro, já falecido o Cel. Lourenço. Sendo confirmada a absolvição.

Mas, voltando ao parentesco colateral dos Ximenes de Aragão e dos Feitosa. Luís Porfírio Faria de Souza era sobrinho de Ana Joaquina de Farias casada com o capitão José Lourenço Ximenes de Aragão: filho de Joaquim José Ximenes de Aragão e de Francisca Teodora do Sacramento “a filha”.

Um filho natural do capitão José Raimundo, por seu turno neto do Cap. José Lourenço, foi dado pelo próprio capitão para ser criado pelo casal Luís Porfírio Faria de Souza e Maria das Mercês Alves  Feitosa e Castro.

Deram-no o nome de José Feitosa de Souza e os seus sobrinhos chamavam-no, carinhosamente, de “Tio Zeca Mata Mosquito”. Luís e Mercês tiveram aos filhos, em ordem cronológica, Olga, Porfírio, Lourenço, Gerardo e Antônio: este, recentemente falecido para a minha consternação.

Tauá, 1930. No canto direito da foto a igreja Matriz de Nossa Senhora do Rosário. Da qual foi vigário por trinta anos o legendário padre Odorico Andrade. Tio de David de Andrade e do folclórico presidente da república o Dep. Paes de Andrade: presidente interino da república, no governo José Sarney. Ao fundo, a casa do Cel. Lourenço. Conhecida por Casa da Vidraça.

Por ironia, dessas que somente o destino apronta, o Cel. José Porfírio e o Cel. Lourenço. Tão aguerridos correligionários políticos e amigos, a ponto de casar os filhos para vir a ter descendência comum. Eram bisnetos de dois ferrenhos inimigos, a reprisar: Antônio Barbosa Ribeiro e Manuel Martins Chaves.

Retrata-nos o Barão de Studart a Manuel Martins Chaves, chefe dos Feitosa, como homem “Rico, valente, impetuoso, mandando centenas de homens em armas, constituía um legítimo barão do Reno. Um autêntico Herrenmeister de pulso de ferro e coração de bronze.” Revista do Instituto do Ceará, 1919, Tomo XXXIII, pag. 03.

Antônio Barbosa Ribeiro, juiz ordinário da Villa Del Rey, hoje Campo Grande, na Serra da Ibiapaba, foi morto por Manuel Martins em 3 de Março de 1795, por motivo de várias disputas, a golpes de adaga, espada e tiros. Morreu abraçado aos pés do Cruzeiro da povoação.

Estas são algumas das raízes da valiosíssima herança cultural legada pelos cristãos-novos, ditos marranos, na sua luta por sobreviver. A serem exaltadas para o resgate da identidade judaica do Brasil.

As apostasias e conversões por força da Inquisição, a qual permaneceu com o Tribunal do Santo Ofício instalado até 1953 no Brasil. Embora sem mais poder temporal. Todavia como órgão de execração social. Não constituem causas de impedimentos ao retorno à comunhão judaica, desde as firmes “responsas”, no Sec. XIV, do Rabino Beveniste.

Atualmente tramita no parlamento israelense um projeto de lei para reconhecer o incontinenti retorno destas famílias marranas, sem maiores complicações protocolares e religiosas. Isentando-lhes da pecha de convertidas, para, assim, conferir-lhes o status de retornados. Por serem, seus membros, genuínos judeus sefarditas.

O Rossio, hoje, com o Palácio da Inquisição reformado como Teatro Nacional: um escárnio à memória universal. Palco das maiores atrocidades da Inquisição. Não bastassem as ocorridas na Baixa da Pombalina, em 1506: lideradas pelos monges beneditinos, o  quê resultou no massacre de centenas de cristãos-novos no pátio do Convento de São Domingos. O evento passou para a história como  “O Massacre de Lisboa”.

Contudo, a mais surpreendente história dos Inhamuns, a merecer todo destaque, é a de David de Andrade. Aliás, Francisvaldo Monteiro de Andrade: natural da cidade de Arneiroz, filho de Francisco Elias de Andrade e de Maria Valda Monteiro Chaves. Maria Valda é descendente direto de Manuel Martins Chaves, ou seja, Manuel Gonçalves Vieira. Ela, portanto, uma Feitosa legítima.

Francisco Elias, por sua vez, era sobrinho do legendário padre Odorico de Andrade: vigário da cidade de Tauá, tio do Dep. Paes de Andrade. O padre Odorico, ainda, era tio de Maria Elisa de Andrade Feitosa casada com Lourenço Alves Feitosa: neto do Cel. Lourenço e irmão de Olga, Gerardo, Porfírio e Antônio.

Carente de recursos. Pobre, jamais. Porque pobre é falta de identidade e sem dinheiro é mera circunstância. Graduado em Economia e em Filosofia. David de Andrade, é descendente direto de Duarte Saraiva, aliás, David Senior Colonel, fundador do cemitério judeu português de Amsterdã: Beth Haym. Da Sinagoga Portuguesa de Amsterdã. Da Sinagoga do Recife: Kaal Kadosh Zur Israel e da Sinagoga de Nova Iorque: Estados Unidos da América.

David de Andrade fez-se ao Oriente Médio. Assim encaminhado pelos rabinos Simonovitz do Beith Chabad de São Paulo e Abraham Anidjar do Rio de Janeiro: Brasil. Alí, contou com a amizade de Schulamith Chava Halevy e do rabino Soloveitchik.

Duarte Saraiva, seu ascendente direto, o mesmo David Senior Coronel: 1572-1650. Português da família mercantilista Senior Coronel, passada a Hamburgo. Rendeiro cobrador dos dízimos do açúcar e proprietário de imóveis. Arrematou em leilão a cobrança dos impostos da Companhia da Índias Ocidentais sobre a indústria e comércio do açúcar em Pernambuco por 128.000 florins.

Ao falecer, deixou 351.502 florins em créditos a receber da coroa portuguesa. Foi proprietário do engenho Engenho Madalena, no Recife. Hoje, bairro do mesmo nome. Engenho Rosário da Torre e Santo Antônio da Várzea, depois Eenkalchoven; também no Recife. Também dos engenhos Bom Jesus, São João do Salgado, Novo, Velho; antes chamado Madre de Deus: no Cabo de Santo Agostinho. Ainda, Camaçari, Trapiche ou Bom Jesus em Sirinhaém. 

Schulamith Chava Halevy, assessora do rabino chefe de Jerusalem, Schlomo Amar para assuntos “anussim”: dos conversos cristãos-novos. Em jantar com Pedro de Albuquerque, em restaurante no bairro dos judeus do Yemen: Tel Aviv, Israel.

Em Israel, David de Andrade conversou com os grandes rabinos. Dentre eles, Schlomo Amar: o rabino chefe de Jerusalém. Fez provar a sua ascendência e conquistou o “retorno”. Hoje, David de Andrade é membro efetivo do Beith Chabad.

De volta ao Brasil, casou-se com Rivka Frida Esses: secretária da Ministra de Administração Federal e Reforma do Estado, Claudia Maria Costin: filha de um milionário romeno Calmanovitz, o qual alterarou o nome e a religião para fugir da Europa sob o domínio nazista.

Educada como católica romana, a ministra Costin, só foi saber da sua origem judaica quando adulta. Descoberta sua identidade, procurou rabinos do Beith Chabad que estudaram a sua genealogia e a trouxeram para a sinagoga. Hoje a Sra. Costin é observante da religião judaica pela vertente ortodoxa. Assim, portanto, escreve-se a história dos cristãos-novos: judeus-velhos.

Bem verdade que setores radicais, movidos pela ignorância que os leva ao preconceito, renitem na oposição da proposta do retorno incontinenti. Mas, o que irá prevalecer é o entendimento de quê a segurança de Israel e da Diáspora está no resgate da identidade judaica do Brasil. Tanto porque: sem Diáspora, sem Israel; sem Israel, sem Diáspora. Tudo para expungir iniciativas sectárias, ou no mínimo desavisadas, tal como a do “Dia Nacional da Imigração Judaica”.

 …

Comments
70 Responses to “Cristãos-Novos: Judeus-Velhos”
  1. Kleber Ximenes Melo disse:

    Que belo! Faz-me sentir parte da história.
    Minha mãe é Ximenes (de Aragão), Cavalcante e Albuquerque; meu pai é Albuquerque Melo, Madeira e também Ximenes (de Aragão), e os dois são da terra de padre Mororó, a atual Groaíras, ao qual (pelo que sei) se ergueu busto na praça da cidade.

    • Kleber, amigo!

      Eu sempre fico muito feliz quando contacto um primo ou outro disperso, como eu, neste mundo afora.

      Assim,eu fico ainda mais curioso. Aliás, se eu não fosse curioso eu não seria historiador e escritor.

      Todo historiador é um curioso profissional.

      Mas, onde você mora atualmente?

      Forte abraço!

      Pedro

      • Kleber Ximenes melo disse:

        Pedro, não sei se já respondi essa sua pergunta, por e-mail, mas relendo esse teu verdadeiro épico. Aqui vai:
        Já morei no Rio, Fortaleza, Brasília e Paraná, agora estou na terra de Sarney.
        Forte abraço.

      • fernando de albuquerque disse:

        Poxa,fico muito contente em saber sobre meus ascendentes. Legal, muito bom mesmo os Albuquerque.Fiquei impressionado. Mas, não entendi direito se temos parentesco com judeus!

  2. Lúcia Bezerra de Paiva disse:

    Oi, Primo!

    Que felicidade te reencontrar! Que beleza de post. Agora que sei que somos primos pelos meus dois ramos, Bezerra/Menezes/ Albuquerque Melo/Albuquerque Lima/ Castro Paiva e não sei que mais, ando me aprofundando nestes estudos genealógicos, que é apaixonante e viciante – no melhor sentido!

    Estou lendo, via net, os exemplares da Revista do Instituto do Ceará, descobrindo alí muito de nossa história.

    No Tomo LX,, Ano LX, !946, pg 215/225- Famílias Cearenses, de Murilo Bezerra de Sá (primo nosso, mais que carnal,: o avô dele era irmão do da mamãe e as esposas dos dois eram irmãs) .
    LI:

    Dr. Manuel Soares da Silva Bezerra (este era meu bisavô/trisavô materno) (……) c..c. sua prima Maria Tereza de Albuquerque Lima (minha bisavó/trisavó), natural de Quixeramobim, filha de Manuel Alexandre,de Albuquerque Lima o quase frade.

    “Viera para Quixeramobim , fugido de Pernambuco por pertencer à família de José de Barros Lima, o “Leão Coroado”, figura egrégia, como se disse na revolução de 1817.
    Manuel Alexandre de Albuquerque Lima era filho do Cel. Joaquim dos Reis Lima e de D. Tereza de Jesus Melo Albuquerque, filha de Estevão Ferreira Nobre, natural da Paraiba e de D. Leonor de Melo Albuquerque.

    Dr. Teófilo Rufino Bezerra de Menezes (este era avô do autor do artigo), nasceu no Riacho do Sangue (….) c.c. Maria Leopoldina de Albuquerque Lima, flha de Manuel Alexandre de Albuquerque Lima e de D. Maria de Nazaré Bezerra de Menezes, sua segunda esposa.

    (Eram ,portaanto, dois irmãos casados com duas irmas e suas primas

    Quando “encontrei” você, primo, por acaso aqui neste blog, lembra(?) foi por conta de Paiva/Castro, Tamatanduba…… e agora descubro nosso parentesco mais conseguíneo ainda (meio “agoadinho”, mas é ,e pronto, e basta!!!!) nesse entroncamento maravilhoso de nossas mais profundas raízes.

    À cada dia fico mais encantada!!!!!

    Agora me diga: como e onde está você?????
    No momento, estou enlutada, partiu (não sei pra onde) meu mano Maurício. Éramos seis, paridos por mamãe, agora somos quatro, habitando este planeta: ficou o mais velho dos meninos e nós três as meninas, que nasceram “por derradeiro”…..

    Primo Pedro, quero continuar a ler suas maravilhosas histórias verdadeiras e encantadoras. Não se ausente, tanto!

    Fortíssimo abraço fraterno,
    da prima Lúcia

  3. Eliete Azevedo disse:

    Que belíssimo trabalho de pesquisa!!!!!! Fotos lindas, históricas!!!
    Onde posso encontrar o livro “Nordeste Semita”? Busco informações sobre meus antepassados nordestinos que possuem fortes indícios judaicos!
    Abraços,
    Eliete Azevedo.

  4. Eliete Azevedo disse:

    Pedro, realmente, Azevedo, belíssimo nome e vem de meu querido avô materno: Isaac de Azevedo! Algo sugestivo? E de meu bisavô João Teixeira de Azevedo, filho de Pedro Pereira de Azevedo.
    Abraços!

    • Eliete, irmã!

      Azevedo é uma das mais antigas famílias judias de Espanha.

      Thereza de Azevedo, do Sul de França, Provence, é protagonista de uma romance ou crônica de Jacques Marritan.

      Reinaldo de Azevedo, da Revista Veja, se declara judeu em todos os seus artigos.

      Os Pereira, quanto mais!

      Beijão!

      Pedro.

  5. Eliete Azevedo disse:

    Como você pediu, Pedro: Meu antepassado (tetravô materno) era natural do Piauí, mas viveu bom tempo na Paraíba, era Capitão da Guarda Nacional da cidade de Piancó. Chamava-se Silvestre Rodrigues de Carvalho e Silva. Casou-se com Maria Raymunda e foram pais de minha trisavó Rosa Maria. Esta dizia que era de Pernambuco e passou para a filha e depois para a neta, minha avó, uma medalha da Estrela de Davi e vários costumes judaicos. Por isso tento obter o máximo de informações do Nordeste. Preciso ainda descobrir mais coisas sobre este meu tetravô.
    Abraços!

    • Thiago azevedo disse:

      sou um Cardoso de Azevedo família do MA e PI, gostaria de entrar em contato com você para saber se tem mais dados . PAULO42@OI.COM.BR

      • Oi, Thiago!

        Eu não posso afirmar de quê vocês são parentes.

        Mais, ainda, do grau de parentesco.

        Mas, Azevedo é Azevedo.

        A dúvida fica, pela dúvida que o Santo Ofício implantou:

        os batismos patronímicos.

        De qualquer forma. o Brasil foi colonizado por judeus portugueses: sefarditas.

        O quê passa a valer entre vocês é, tão somente, as afinidades.

        Forte braço!

        Pedro

  6. Adolfo Berditchevsky disse:

    Pedro Albuquerque,Pedroza,Feitosa,Menezes…inclua por favor meu apelido azkenazi europeu pois,considerado pelo ancestral Levi Ytzhak Derbarindiker,o Berditchever Rabi que todos as almas judias nao se perdem; voltam `a procura dos seus ninhos, entao devemos , tambem, fazer parte das suas familias sefaraditas,recebendo-os de volta em nossos coraçoes .
    Nascido nos Campos dos Goytacazes,la na planicie mais bela do Estado do Rio de Janeiro,vale rico do Paraiba,no ano de 1934.
    A historia dos anussim,os macabeus marranos, sempre se fez presente em nossa casa, desde os Brant aos Feitosas de Belem do Para’.E por isso mesmo,encontra-lo casualmente na leitura de uma nota no jornal Diario de Pernambuco,nesse Israel distante daquele mundo,foi uma grata surpresa.
    O meu mais efusivo abraço,em agradecimento por mais esse capítulo da historia dos judeus no Brasil,
    Em Shalom,verdadeiro,
    Adolfo. :

  7. Lindalberto Seixas Alves disse:

    Shalom chaverim! Paz irmaos!
    Que materia maravilhosa!
    Sou tambem parte desta historia, dificio, mas vencedora, porque o Eterno D-us de Isrel nos guardou.
    Tenho por parte de meus pais sobrenomes de cristaos novos: Seixas. Rodrigues.Lins. Albuquerque por parte de mae e Alves. Barros. Estevao. Batista por parte de pai e isso me deixa feliz neste meu prossesso de Teshuvah (retorno) a minha fé primeira.
    Agradeco ao Eterno por ter me dado esta oportunidade.
    Parabens a voce por este trabalho e que o Eterno D-us de Israel de Abencoe. Shalom!

  8. Prezado Professor, o assunto Sefardita me fascina! Sou graduada em Odontologia pela UFBA. Estou pesquisando(não sistematicamente mas intuitivamente) uma comunidade de indivíduos louros de olhos azuis, alta estatura, presumivelmente descendentes de holandeses. Afirmado, mas sem registro oficial.
    Trata-se da comunidade de Cajaíba, distrito de Valença, Bahia. Valença, no sec. XVI e XVII pertenceu à
    Capitania de Ilhéus.
    Gostaria que me instruisse no sentido da sugestão literária quanto à minha busca.
    De dez famílias, catalogando os nomes de avós e bisavós. Visitando um pequeno cemitério do sec, XVII ao lado de uma pequena igreja no mesmo povoado. Parece-me que aí somente portugueses católicos estão enterrados. Estou buscando evidências da presença “dutch” nesta localidade.
    Grata pela atenção.

  9. Thiago Pinho disse:

    Pedro, sou cavalcanti de albuquerque por pai e miranda henriques por mãe, vivo em joao pessoa – paraiba. Adorei seu blog, gostaria de manter contato. Abraço do primo.

  10. A Coletânea Genealogia Sobralense trata de um estudo sobre as primeiras familias a pisar o solo da antiga Fazenda Caiçara atualmente Sobral, no Estado do Ceará. As famílias Ferreira da Ponte, Gomes Parente, Linhares, Arruda, Rodrigues Lima, os Frotas, Ferreira Gomes, Ribeiro da Silva e outras. Já foram publicados 7 livros da referida coletânea.

  11. Francisco Antonio Doria disse:

    Oi,

    Não há documentos conhecidos sobre Branca Afonso, apenas o testemunho, que data do século XVI, e que a fez irmã do primeiro vigário de Santa Cruz (e não da Covilhã). Noto que por volta de 1430-1440 não existia a distnção entre cristãos e x-novos; os judeus eram habitualmente recenseados ao tempo, em Portugal, porque restritos a morar nas judiarias.

    E muitos judeus quatrocentistas eram notáveis: sem contar Dom Izaac Abravanel, banqueiro de D. João II, temos os irmãos Lucenas, sendo o Dr Rodrigo de Lucena físico-mor do reino de Portugal, ou o Dr Mestre Afonso Madeira, que o precedeu no cargo e converteu-se em 22 nov 1451, com o pai, batizado Vasco Lourenço e feito vassalo d’El Rei – o filho de mestre Afonso foi jurista, doutorado em Siena em 1518, Dr Cristóvão da Costa, reitor da universidade em 1526 e depois chanceler mor do reino, o que o fazia, no organograma administrativo do reino, o segundo homem. Um converso…

    • Meu caro Francisco Doria

      Os seus equívocos têm causa na sua irresignação ante a identidade judaica dos seus antepassados. Isto, aliás, é um fenômeno bastante conhecido em fato e razão da Inquisição.

      Não paira qualquer dpuvida de Branca Afonso ser de sacendência judaica. Basta consultar a sua genealogia. Ademais, a massa colonial portuguesa sempre foi de conversos. Notadamente na Ilha de Madeira.

      Apenas, se não pode obnubilar a identidade de um judeu converso e tê-lo como cristão-velho. Nisto cabe razão ao inquisidor Padre Antônio Vieira: “cristão-novo, judeu-velho”

      Enquanto às distinções ou restrições legais aos cristãos-novos, elas sempre houveram. Certo é que somente veio a tornar-se mai efetivas quando do ápice da Inquisição a partir de 1492.

      Atenciosamente,

      Pedro

  12. Francisco Antonio Doria disse:

    Bom, só faço genealogia documentada. E vejo que você me desconhece totalmente, pelo que você afirma sobre minha supostamente inassumida ou negada identidade judaica…

    Muitas pessoas próximas entre os anussim, e tenho inclusive feito palestras para esclarecer-lhes as origens. mas deixa pra lá… O ponto é o seguinte: prova de judaísmo, em genealogia, precisa ser documental, em fonte primária. Isso já bota no uudaismo muitas famílias: Holandas, Suassunas, os Antunes ditos Macabeus, Lopes Franco, Dias de Meneses, Paredes, Aragões, Mendanhas, Pedrosos de Barros, Bicudos, Moraes Barros, etc

    Ah, o Pe Vieira é meu tio ancestral: descendo de sua irmã D. Inácia de Azevedo. De onde vc tirou que ele era inquisidor? Foi, sim, inquisidado, e muito!

  13. Carmen Maria de Almeida Teixeira disse:

    Pedro – Belíssimo o seu trabalho! Parabéns.
    Meu nome é Carmen Almeida – sou piauiense, descendente de Antonio Barbosa Ribeiro. Surpresa tomei conhecimento de que ele teve um bisneto por outras bandas. Sabiamos que após seu assassinato a viúva, Ponciana, grávida, fugiu para Valença e depois passou a morar na fazenda Nova Olinda, médio Parnaiba, com os filhos – Raimunda, Antonia, João, José, Joaquim e Antonio (caçula que nasceu em Valença). A viúva do cap. Antonio faleceu em Lisboa antes que os criminosos fossem presos. Seus descendentes contribuíram (e ainda contribuem) na construção de municípios piauienses e maranhenses. Gostaria de entrar em contaco com você a fim de trocar idéias e obter mais detalhes sobre este parente até então desconhecido.

    • Carmem, prima!

      Grata surpresa haver -me você contactado.

      Há várias gerações a morte de Antônio Barbosa Ribeiro por Manuel Martins Chaves, o mesmo, Manuel Gonçalves Vieira, rompeu a comunicação entre os seus descendentes.

      Para mim, havermos nos encontrado trata-se de inusitado resgate dos laços familiares.

      Além do seu testemunho ser do maior valor histórico.

      Beijão!

      Pedro

      • Carmen Maria de Almeida Teixeira disse:

        Pedro,
        somente hoje, 23 de setembro, voltei a fazer contato. Gostaria de ter seu telefone e melhor dirimir algumas dúvidas, especialmente a respeito da esposa do capitao Antonio Barbosa Ribeiro, Ponciano “… da família Brito de arias (ou Farias Brito).. O nosso parente, historiador emérito professor Odilon Nunes, a respeito da família escreveu: ” Irmãos de Antonio – Apolônia [...], Albina [...], Ana, casada com João de Faria Leite; Isabel, casada com o coronel Felix José de Souza, filho de Francisco de Souza. [..] Francisca [...], Vitorino e Venceslau. Também gostaria de lhe e”xemplar do livro “Seguindo Nossos Trilhos”que escrevi sobre a família. Um abraço. Carmen..

  14. GILENO CALDAS BARBOZA disse:

    “Jerônimo de Albuquerque (que posteriormente acrescentaria o agnome Maranhão por mercê real) assumiu o cargo de Capitão da Fortaleza do Rio Grande em 7 de julho de 1603. No ano seguinte, concedeu ele aos filhos infantes Antônio e Matias de Albuquerque, cinco mil braças de terra em quadra (12.100 hectares) na várzea do rio Cunhaú, no Rio Grande do Norte. Logo surgiria o primeiro engenho de açúcar da capitania, o tradicional engenho Cunhaú, cenário de tantas páginas de nossa história.

    Cunhaú tornou-se o principal núcleo econômico da Capitania. Em 1630 o Engenho Cunhaú produzia de 6 a 7.000 arrobas (88 a 103 toneladas) de açúcar, ali morando 60 ou 70 homens com suas respectivas famílias. Durante o período do domínio holandês, Cunhaú foi confiscado, passando às mãos de diversos proprietários. Após a expulsão dos holandeses, o engenho reverteu ao domínio da família Albuquerque Maranhão, com ela permanecendo até a terceira década do século passado, constituindo-se em uma verdadeira Casa Hereditária através das gerações varonis que ali sucederam. ”

    nÃO SERIA POSSÍVEL QUE A DESCONHECIDA fEITOSA QUE SE CASOU COM jÚLIO DA cOSTA bARROS, FOSSE PARENTE DE EUFRASIA ALVES FEITOSA, JÁ QUE MORAVA VIZINHA AO CUNHAU, E JULIO MORAVA NO CEARÁ MIRIM ?

  15. Venício Feitosa disse:

    Caríssimo parente Pedro de Albuquerque, parabéns pelo extraordinário Artigo, venho acompanhando seus temas há um bom tempo e a cada dia percebo o quanto tenho a aprender com você, somente um grande pesquisador, um estudioso incansável consegue atingir tamanho conhecimento.
    Um grande abraço, Venício Feitosa Neves.

  16. Lamartine disse:

    Meu avô Chegou no maranhão com o nome de Francisco xavier, sabemos que vei atrás de alguns prentes Araujo Chaves,ele falava que er desse mesmo sobrenome e tmbém feitosa,
    gostaria de conhecer os parentes dele mas as informações são muito limitadas. Não sbemos o nome de seus pais e irmãos. Ele chgou no inicio da décda de 1920 mais ou menos casou-se com minha avó Rita dde Sousa Carvalhedo.. Caso alguém tenha alguma informação por favor entrar em contato comigo.

  17. Sergio Mattos disse:

    Pedro: fantastica a sua pesquisa. Estou tentando lvantar os dados de minha familia por parte de pai. Meus bisavós, pais de minha avó (Clarice de Castro Mattos), eram Afonso de Castro e Clarice Ramos de Castro. Os meus avós: Clarice de Castro Mattos e Amarilio Brasil de Mattos.
    Existe alguma fonte que eu possa consultar para chegar a eles? Aguardo um contato seuu e-mail: sasmattos@gmail.com
    grato pela atenção
    sergio mattos

  18. salete feitosa disse:

    Olá primo…
    Como sempre vc. é imbatível nas suas pesquisas…fiquei muito feliz com seu valiosíssimo trabalho e vou repassar aos meus irmãos e primos…
    Fico muito grata pelo novo conhecimento..
    bjss
    Salete Andrade Feitosa

  19. rafael chaves de farias disse:

    caramba estou aqui fascinado com isto pois sou desta familia, minha avó me disse mesmo que Feitosa, araujo Chaves e uma familia só estas cidades ai ela me comentou a

  20. regina tavares feitosa disse:

    Parabens pelas pesquisas a favor dos judeus sefarditas e raizes brasileiras. Viva os Feitosa,os Ferreira,os Tavares,os Santos. Viva voce.Amem!

  21. Pedro que Deus cada vez mais te ilumine na tua jornada brilhante. E que os Feitosas sejam lembrados como parte do progresso do nosso Brasil. Que para os Judeus. o Brasil foi o mar vermelho de todos povos sefarditas Paz. Primo!

  22. Sadoque Lee disse:

    Olá Pedro, meu bisavô é Cavalcanti, ele veio de pernambuco para Manaus, ele veio foragido da prisão, não sei muito bem a historia, mas parece que ele matou um homem e veio foragido de navio. Meu interesse era saber se os Cavalcanti’s são de origem judaica.

  23. Pedro
    Não posso deixar uma resposta mas, um elogio. Você se superou e fez um resumo de toda a documentação existente e com um poder didático sem igual. Muitos dos seus críticos, possivelmente não alcançaram as suas pesquisas. Mª N. Cavalcante C.

  24. Sr. Pedro de Albuquerque:

    Na qualidade de descendente do primeiro donatario da capitania do Espirito Santo, percebo que o sr. não cita nada sobre a genealogia do capitão VFC. Ele era Coutinho e Albuquerque pelo lado materno e Mello do lado paterno. Desse modo, era descendente de Joanna de Albuquerque, meia irmã de Teresa (ancestral do Adão Pernambucano), ambas filhas de Fernando Afonso de Albuquerque, bisneto de D. Afonso sanches, filho bastardo e predileto do rei D. Diniz.
    Vasco Fernandes Coutinho era primo de Francisco Pereira Coutinho 1º cap. donatario da Bahia, alem de primo de D. Antonio de Athaide, o idealizador do plano das capitanias hereditarias. Esse por sua vez, era primo de Martin Afonso de Sousa e Pero Lopes de Souza, alem de ainda ser primo de Thomé de Sousa (por bastardia), 1º governador geral do Brasil.
    Devo lembrar ainda, que o primeiro duque de Bragança era criptojudeu materno e bastardo de D. Joao I mestre de Avis e depois rei de Portugal; pai da ínclita geração.
    o 1º duque de bragança se casou com Beatriz, filha de D. Nuno Alvares Pereira (irmão de Joana Pereira, ancestral de Vasco Fernandes Coutinho), e Leonor Barroso Alvim (tambem do lado paterno do capitão Vasco Fernades Coutinho), que era descendente de Vasco Gonçalves Barroso e de D. Egas Moniz “O Aio” de D. Afonso Henriques, este, descendente de Hugo Capeto.
    Como o Sr. Pode perceber, D. Antonio de Athaide enviou para o Brasil, cinco capitães donatarios ligados por sangue à sua familia. E ainda tem gente escrevendo por aí, que ele queria remover tais “desafetos” da corte de Lisboa…Ao contrario, seu interesse era manter o poder familiar junto à coroa portuguesa…

    Sudações!

    Pedro Vianna Born.

  25. Que texto bem elaborado. Retorno à leitura sempre que posso. Que genealogia nobre, meu caro poeta pernambucano! Bonita história de inegável estirpe. Abraço, Amália Grimaldi.

  26. britpo disse:

    ola sou da familia cordeiro de brito e leitão dos inhamuns

  27. Lúcia Paiva disse:

    Olá, Pedro
    Como você acrescentou um pouco mais à matéria, quero dizer-lhe que, não foi Castro Paiva (alás, Brito Paiva) o assassinado do Tamatanduba ( foto da capela do Engenho Tamatanduba).O assassinado foi do pai dele, meu bisavô Vicente Ferreira de Paiva (casado co Ana de Castro). Esta, a viúva, emigrou com os filhos para o Ceará, depois do assassinato. Apenas para esclarecer.
    Um abraço

  28. Marlon Jorge de Albuquerque disse:

    Como vai irmão e amigo Pedro de Albuquerque, parente ancestral e colegionário. Passeando pela internet, deparei-me com seu artigo e ao ler ví riqueza de conhecimento, ha muito tempo não falamos não é mesmo? Desejo muita paz e muito sucesso. Shalom!

  29. Maria Luíza Gouveia da Silva Pereira disse:

    Exmº. Senhor,
    Gostava que me informasse, se o nome Úria é judeu e se tem alguma ligação a Úrias de Etnia Hitita ou heteus como dizem os judeus. Estou a fazer a genealogia da minha família Úria e sempre me disseram que era um nome judeu, agora o rabino da Sinagoga de Lisboa, põe em dúvida afirmando que é um nome hebreu.
    Peço que me esclareçam essa dúvida o mais breve possível.
    Obrigada
    Maria Luiza G.da Silva Pereira

  30. maria Cristina Cavalcanti de Albuquerque disse:

    Gostei do blog! Publiquei dois livros sobre a genealogia do meu ramo Cavalcanti de Albuquerque. Descendo, via Antônio, o da Guerra, de Isabel de Holanda Cavalcanti de Albuquerque. Entre muitas Anas, suas netas, uma delas casou com Pedro Alves Feitosa e foi morar nos Inhamuns. Através dela conheci a impressionante figura de dona Catarina Cardosa Macrina, viúva sertaneja que me fecundou a ficção. Emprestarei ao Pedro Albuquerque o livro :”The Feitosas and the Sertão dos Inhamuns” de Jayne Chandler, tese de doutorado de 1972 publicado pela Universidade da Flórida.
    Nasci entre os Alves Bezerra Cavalcanti de Vertentes, sesmaria de terra próprias para criação de gado adquiridas por minha pentavó Gertrudes Bezerra Cavalcanti casada com seu primo Francisco em troca do Engenho Terra Vermelha: situado em Carpina. Gertrudes era sobrinha de José Rufino Bezerra Cavalcanti, o velho (avô do José Rufino, governador). Possuo a árvore genealógica de todos os seus descendentes em desenho de época. Agradeço a publicação de retrato de Matias de Albuquerque o que ajuda a divulgação de meu último livro.

    • Oi, prima!

      Bom demais receber o seu comentário.

      Notadamente, o seu email, no qual você informa de Catarina da Rocha Cardosa de Resende e Macrne, esposa de Francisco Alves Feitosa, ser filha de Isabel de Holanda Cavalcanti de Albuquerque.

      Enquanto à foto de Matias, pode tomar como uma homenagem ao seu romance de inestimável valor: “Matias”. Fundado nas anotações do protagonista ditadas à sua esposa Catarina de Noronha (Meneses): Marquesa de Alenquer. Ou seja: “Opúsculos das Guerras de Pernambuco”.

      Enquanto a José Rufino Bezerra Cavalcanti, eu gozei da intimidade do seu neto José Bezerra, meu vizinho da rua Benfica, casado com a minha querida Sussi: mãe de Maria Dulce, Eduardo, Cecília, Carolina, Christiana, Julieta, Frederica e Frederick. Sussi, filha de Frederck Von Shostern e Maria Dulce Cavalcanti, filha de Carlos Lima Cavalcanti.

      Morávamos confrontantes e os mais belos momentos da minha infância e da minha adolescência eu vivi na casa de Sussi. Até hoje, eu sonho lá no reencontro dos mais felizes momentos. José, sensível e paternal. Sussi, mãe por excelência. Dona Dulce, dizê-la a mais doce avó sugere pleonasmo.

      Beijão!

      Pedro

  31. José Custódio Bizarria Neto disse:

    Excelente trabalho! É a minha história familiar completa. Parabéns!

    • José Custódio, primo.

      É com muita alegria que eu recebo o seu comentário.

      Aliás, faz gerações que a gente se não encontra.

      Mas, agente da família tem disto. Quando se vê, ou
      tem notícia um do outro, se identifica.

      Forte abraço!

      Pedro

      • José Custódio Bizarria Neto disse:

        É verdade, Pedro. A família, realmente, tem essa característica… rsrsrs. Mas, há tempos venho tentando descobrir a razão do sobrenome Bezerril, usado por Leandro Custódio Bezerril, filho do relacionamento de Leandro Custódio de Oliveira e Castro com sua prima Ana Tereza… Seria da parte dos familiares dela?!…

        Grato pela atenção,

        José Custódio Bizarria Neto

      • José Custódio, primo!

        Tudo do quê eu sei, é que o relacionamento
        de Leandro, do Tamatanduba, com Ana Tereza,
        antes do seu casamento com Eufrásia, foi
        tanto rumoroso.

        Findou por emprestar uma das causas
        ao assassinato de Vicente de Paiva,
        por Dendé Arcoverde, do Cunhaú.

        Quem de tudo isto sabia era o Tio Major
        da Tia Nenenzinha. Aliás o Tio Major
        tinha um pergaminho assinado por
        Dona Maria I de Portugal com
        toda a nossa ascendência. Eu não sei
        de onde este documento foi parar.

        O Leandro da Barra, não o velho casado
        com Leonarda irmã do Cel. Lourenço,
        recitava uma glosa que Ana Tereza compôs para
        Leandro quando ele esteve na prisão por sua causa.

        Mas, vou procurar saber das coisas para você.

        Forte abraço!

        Pedro

  32. João Benjamim Albuquerque Baêta disse:

    Caro Pedro, sou João Benjamim Albuquerque, e como faço para saber se tenho descendência juadaica?

    • Primo
      Espere um pouco mais.
      Até o dia 25 de Julho.
      Compre nas melhores livrarias:
      “Albuquerque, a herança de Jerônimo o Torto”
      Editado e publicado
      pela Fundação Gilberto Freyre.
      Daí, você terá documentos.
      Forte abraço!
      Pedro

  33. Thiago azevedo disse:

    sou descendente dos Cardoso de Azevedo do MA e PI , tem informações sobre ? Vi que uma senhora postou que pertencia a família Azevedo , talvez possamos ser parentes. Gostaria muito de uma ajuda .

  34. Adailton Feitosa lima disse:

    Passaram-se as gerações depois de Branca Dias. A repressão
    ideológica e a diluição destas famílias através dos casamentos mistos,
    num processo de “cristianização” crescente levaram esta minoria
    etno-cultural ao desaparecimento. Mesmo assim restou na cultura
    cearense um ar levemente judaico que reaparece nos momentos mais
    inesperados. Durante a cerimônia de posse de
    Miguel Arrais de
    Alencar
    , (ele fôra eleito Governador de Pernambuco depois de seu
    exílio na Argelia), leram-se as palavras do profeta Jeremias (24: 5-7),
    sobre o desterro dos judeus. Ou achar como o Padre
    João Mendes
    Lira
    (descendente dos Ferreiras da Ponte) que pesquisou este assunto
    no Ceará, “
    em Sobradinho, reduto principal deles
    [os Ferreiras da
    Ponte],
    encontrei um pequeno cemitério contendo um túmulo no qual
    se lia uma inscrição com duas letras portuguesas, quatro em he-
    braico e números de difícil decifragem
    ”. Na linhagem dos Montes há
    até aqueles que retornaram ao judaísmo como
    Flávio Mendes Car-
    valho
    (1954-1996 ), autor de “
    Raizes Judaicas do Brasil – O Arquivo
    Secreto da Inquisição
    ” (1992); Andrelino Alves Feitosa, o Andre
    Fitousie
    , que hoje vive em Haifa, dentre outros que já encontramos
    pela vida. Natércia Campos, aproveitando os poemas de
    Virgílio
    Maia
    e os trabalhos de
    Socorro Torquato
    sobre
    site http://www.ahjb.org.br/pdf/jornal_may00.pdf

  35. Angelusa Cavalcanti de Albuquerque Sá Barreto disse:

    Me chamo Angelusa Cavalcanti de Albuquerque Sá Barreto. O Sá Barreto é da família do meu falecido marido. Meu pai descende dos Cavalcanti de Albuquerque de Umbuzeiro. Ele era filho de Gonçalo Calixto Cavalcanti de Albuquerque, que por sua vez era filho do Deputado provincial Jovino Modesto Cavalcanti de Albuquerque. Pelo lado da mãe do meu pai, o sobrenome é Cavalcanti correia de mello. Minha mãe já descende dos Chacon Marinho Falcão. Não sei se de Garanhus, minha mãe era desse município. Meu interesse era saber como se formou esse ramo dos Cavalcanti de Albuquerque em umbuzeiro/PB. Sempre ouvi falar que o João Pessoa era primo do meu avô, porem não sei em que grau. Por outro lado Li no seu blog que a mãe de João Pessoa era de OROBÓ/PE, sendo meu bisavô Salustiano Cavalcanti Correia de Mello (com dois eles)dessa mesma cidade, Orobó. Bem, acho que nem é preciso lhe perguntar se corre nas minhas veias o sangue judaico, pois só do lado materno sei que CHACON MARINHO FALCÃO é sobrenome de cristão novos, não é? e pergunto se esse ramo dos Cavalcanti de Albuquerque de Umbuzeiro/Pb também provem dos de Pernambuco? Grata e adorei ler seu blog com esse estudo fantástico sobre a origem de tantas famílias e indo até tão longe no tempo! não tenho outro adjetivo para qualificar senão de maravilhoso estudo. Abraços Angelusa

  36. Caro Pedro de Albuquerque, sua pesquisa é fantástica e demonstra um bom embasamento. Você precisa transformar isso em livro, depois que aprofundá-la ainda mais. Sou escritor e estou envolvido numa pesquisa muito interessante que também remete à genealogia e origens judaicas. Meu tataravô, Fortunato José de Souza Mello era sobrinho do Padre Gonçalo Inácio de Loyola Albuquerque e Mello (Pe. Mororó), filho, possivelmente de Maria Joaquina de Souza Oliveira, sua irmã. Ao nascer, teria sido adotado pelo casal José de Páscoa Loreto e Maria Madalena Madeira Matos. Casou-se em 1818, na Capela de Nossa Senhora da Conceição, na Barra do Sitiá (no atual município de Banabuiú, com Ana Úrsula Cavalcanti de Albuquerque. Desde casal nasceu o meu trisavô Miguel José de Sousa Mello, que residia no município de Quixeramobim. Gostaria de entrar em contato com você para checar algumas informações e enriquecer a nossa pesquisa. Meu contato: arievaldoviana@gmail.com.br

  37. Pedro, parabéns pelo texto. Gostaria de entrar em contato com você. Meu tataravô se chamava Fortunato José de Souza Mello e era sobrinho do Padre Mororó. Estou escrevendo um livro e gostaria de trocar informações com você por e-mail.

  38. Denice Bezerra Cavalcante disse:

    Gostaria muito de saber se temos sinais de parentesco, pois venho de uma família que assina o sobrenome de Bezerra Cavalcante. meu pai se chamava Ezídio Bezerra Cavalcante filho de Sergio Bezerra Cavalcante do Estado de alagoas casado com Nelci Ferreira Calado do Estado de pernambuco.

    • Esta discussão da grafia de Cavalcanti e Cavalcante é hoje ponto pacífico. Trata-se de uma mesma família de igual ascendência. Apenas Cavalcante é a forma obliterada pelos batistérios e, ou, oficiais de registro público no começo do Séc. XX.

  39. Eliana de Albuquerque disse:

    Maravilhoso estudo, Sr Pedro de Albuquerque. Deliciei-me por longas horas viajando na historia da familia. Meu avo de nome Qintino Cavalcanti de Albuquerque, era natural de Alagoas e este nome de familia, tão aventureira linhagem que se encontra até no Novo México, cidade de Albuquerque, sempre mexeu com minha imaginação e curiosidade, além de simpatia pelo judaismo e uma certa reticencia ao catolicismo.Bem, creio que sempre voltamos a encarnar na mesma linhagem, de modo que, penso agora que minha aguda intuição de ter sido queimada pela inquisição, tem conteúdo, e parabenizo-o e o saúdo como família.
    Eliana de Albuquerque

  40. rosa bemvinda da cunha c, falcão de carvalho disse:

    adorei tanto conhecimento de imensa famlia ,pois faço parte dela,sou bisneta de rosameia cavalcantide arruda câmara e Feliciano da cunha cavalcantirosinha

  41. sonia disse:

    Excelente seu estudo estou impressionada com a riqueza de detalhes!Faço pesquisa genealógicas sobre as famílias:Braga,Borges,Rangel,Machado Freire,Mendes, Carneiro, da Costa,Calheiros, da Silva,Nonato e Waterloo,na verdade não sei se são judeus.Nas minhas pesquisas feitas sobre a família Machado Freire a qual lancei um livro,não encontrei nada sobre o assunto,apesar de algumas evidencias me levar a crer que sim,mas o mesmo tempo vi alguns familiares fazendo parte dos tribunais da inquisição.Mas até agora nas pesquisas sobre as outras famílias não consegui chegar a nenhuma conclusão.Alguns como os Borges,Rangel,Braga e Nonato creio serem da Espanha.O Waterloo(Vaterloo) não faço a mínima ideia de onde vieram e nem se são judeus.mas pelo que li é muito difícil identificar algumas famílias.Tenho muita vontade de comprovar o que eu acho, que temos sangue judeu!Admirável esse seu trabalho!

  42. Adriano, amigo.

    A tarefa é das mais difíceis.

    A maioria das famílias brasileiras têm o conhecimento da sua genealogia absolutamente prejudicado.

    Seja, porquanto a Inquisição Católica Romana. Seja, em fato das muitas revoluções.

    Enquanto à Inquisição, os defeitos de sangue, como anotados no meu ensaio em pauta, emprestaram causa às manipulações da realidade. O quê, se projetou no tempo e veio a consolidar-se como verdade. Já, tocante às muitas revoluções, disputas familiares, lutas intestinas e querelas regionais: provocaram migrações e êxodos regionais.

    Contudo, todo mal traz um bem. Nem tudo é prejuízo. Estas mazelas consolidaram a integração nacional.

    Nem todas as famílias têm preservadas as suas inrfomações genealógicas. Daí, é agarrar-se ao conceito geral que a genealogia preservada de raras famílias informam. Por exemplo: Lopes, ou Lopez, é uma família de iminente origem judia portuguesa. Isto é, ibérica: sefardita. Almeida é uma família judia portuguesa por excelência. Com isto se chega a uma aproximação da realidade histórica de cada grupo familiar e dos seus descendentes.

    Também há o advento da miscigenação. Por um aspecto validíssimo. Por outro, negativo. Porque artifício da Inquisição para o aniquilamento das memórias étnicas. Mas, como dito, nem tudo é absolutamente mau, nem bom. A miscigenação nos legou a brasilidade. A Vantagem de ser mestiço e quase todos nós o somos. De mais ou menos acentuado fenótipo. É poder optar pela identidade étnica, ou herança cultural, a qual mais afeta à sensibilidade.

    Forte abraço!

    Pedro.

  43. Francisco Doria

    Meu caro, desculpe!

    Mas, com honra eu publico o seu comentário.

    Bom demais!

    De primeiro plano você deveria ater-se ao título do artigo:

    “Cristãos-novos; Judeus-velhos”

    Aliás, de passagem, não foi eu quem o inventou.

    Foi o inquisidor Padre Antônio Vieira.

    Branca Afonso era realmente judia. De família judia: apenas conversa.

    João Escócio. Aliás, João da Escócia. O Drummond, não era judeu: lógico!

    Era um degredado sem eira nem beira. Expulso da terra natal.

    A ele, como nobre arruinado, somente caberia casar par viver de arrego na casa de uma família da burguesia mercantilista.

    O fato e a verdade de ser irmã do Vigário de Covillã: a tudo denuncia! Judia.

    Os meus avós, bisavós, tetra avós eram irmãos, primos ou achegados de clérigor Roamnos Católico.

    Como está explicitado no artigo.

    Mas, como você é um expert da genealogia,

    de muito a sua crítica!

    Construtiva. Demais construtiva.

    Você, conforme o manual ditado por Hitler e Rudolf Hees,

    é judeu por declinação genealógica.

    A genealogia é contada pela linhagem feminina.

    Bom para você: dez!

    Procure estudar mais; sem paixões.
    !
    Seja humilde!

    Aprenda a ler!

    Forte abraço!

    Pedro de Albuquerque

  44. Fiquei feliz por ficar conhecedora dessa historia,tambem sou uma feitosa, da raiz. tenho sangue judeu sou da familia soares,tavares santos e principalmente ferreira. parabens.

  45. Bem dito!
    Amália Grimaldi

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