DITADURA DA DESFAÇATEZ ELEITORAL Domingo, Nov 22 2009 

O Presidente Lula que sempre foi eloqüente ao demonstrar, de modo inequívoco, o seu posicionamento anti Israel, anti Estados Unidos da América do Norte, anti Europa, enfim, anti Ocidente.

Lulinha Paz e Amor e o Estafeta da Desgraça: Hugo Chávez

Alinhado de primeiro momento do sanguinário ditador militar terrorista Ugo Chávez que destroçou a economia da Venezuela e suprimiu todas as liberdades democráticas, recebe, nesta segunda-feira 23, com honras de chefe de Estado, o famigerado “Laranja” da corrupta, cúpida e assassina ditadura teocrática do Irã: Mahmoud Amadinejad, eleito por fraude 

 
 

Lula e Mahmoud Abbas

 

Pior, muito pior, os nossos ministros de Estado sentarão à mesa com um criminoso comum reclamado pela Justiça da Argentina: Ahmad Vahidi, ministro da defesa do Irã. É humilhar demais o Brasil. Por menos do que isso o João Gulart caiu. Ora, não tem mais homens?

Direitos humanos no Irã. É este o Estado comandado pelo famigerado Mahmoud Amadinejad que prega a nova versão do Holocausto: a destruição de Israel e o extermínio do povo judeu. A Constituição Federal, em seu Artigo 4, expressamente veda o relacionamento do Brasil com Estados sob regimes como o Irã e a Venezuela. Mas, a Ditadura da Desfaçatez Eleitoral, que tudo pode, subverte a lei maior sob a batuta do Min. Celso Amorim.

Não bastasse, o todo poderoso Lula já mandou um recadinho amoroso para o outro bandido da sua predileção, o patifório italiano acoitado no Brasil, Cesare Batisti, vulgo Bassi: Eu já disse para ele , pare a greve de fome, porque eu já fiz isso. Isso é um ato de desespero ou de ignorância. Eu jamais faria outra vez!”   

 

O vil assassino procurado pela Justiça Argentina, Ministro da Defesa do Irã, a reencarnação de Heindrik Himmler, com quem sentarão à mesa os nossos ministros.

 

Daí, o Lulinha Paz e Amor completou para a imprensa: Quem já passou pelo que eu já passei, já fez o que eu fiz, não vai ficar preocupado com o caso Batist, é mais um caso!”

Alto lá, gente, é muita desfaçatez! Realmente o Lula fez e desfez. Mais, ainda, a sua candidata terrorista militante que participou do seqüestro do Embaixador dos Estados Unidos e do assassinato de um oficial da sua guarda, Dilma Roussef.  

 
 

Cesare Batisti, vulgo Bassi, um dos bandidos prediletos e apaniguados de Lulinha Paz e Amor. É a cartilha de Satalin amante de assassinos.

 

Na verdade, apenas sua “laranja” para um mandato tampão. Porque exercerá o mandato em nome de Lula, para não dar tão na cara a perpetuação no poder e Lula concorrer ao quarto mandato.

O golpe de Estado no Brasil já foi dado. O partido lulista e asseclas da corriola dos puxa saco, sob o comando do incomum Sarney, ontem denunciado, hoje apaniguado de Fernando Collor, usurpou o processo eleitoral. É unanimidade no Supremo Tribunal Federal. Nem o canalha Getúlio Vargas teve tanto poder. 

 
 

Zé Dirceu. Versão traquina de Rudolf Hess. Todo poderoso embaixador da Petrobras no Caribe e Embaixador de Hugo Chávez no Brasil: " Eu quelo só um taquinho mais, Lulinha!"

 

Agora resta somente consolidar o golpe. Daí a corrida do Lula para ajuntar-se com o que tem de mais crasso na política internacional: os patifes do Irã, da Palestina, da Líbia e o rebotalho Ugo Chávez. Isso, lógico, para ter o seu grupo de sobrevivência.

Em falar do Supremo Tribunal Federal, uma piada, a Corte votou por maioria pela extradição do assassino italiano Cesare Batisti, mas deixou ao encargo de Lula a decisão do caso: palhaçada! Ora, o Lula já mandou o recado para o seu criminoso predileto. O Lula pousará para a escória internacional de magnânimo e, uma vez mais, para escárnio do Ocidente. É assim que faz um revolucionário solidário e o execrável Ahmadinejad já ditou: ” É preciso estreitar os relacionamento entre os países revolucionários: Irã, Brasil, Venezuela. Será a reedição do Eixo “Roberto”: Roma, Belrim e Tóquio? 

 
 

Zé Sarney o incomum. Comandante em chefe da gurda pretoriana do füher Lula.

 

Agora vem a tola oposição burguesa. A oposição babaca liderada pelo bestão José Serra em disputa com o bonitão Aécio Neves, amigo de Dudu Maravilha, aqueles dos olhos verdes, dizer que a discussão da campanha eleitoral se centrará no enfrentamento à pobreza e à desigualdade social.  

 
 

Priscila Krause. MUlher de rara coragem e despojamento. Oposição autêntica. Combativa vereadora do Recife que fará, nesta segunda-feira dia 23 de novembro, na Câmara de veradores, contra a visita do famigerado Ahmadinejad ao nosso Brasil.

 

É, o Lula tem razão ao dizer que esta eleição será diferente de todas as anteriores porque não contará com candidatos da direita. Será tudo a farra do boi: o boi Brasil! Será, apenas, o elogio do escárnio: a consolidação da Ditadura da Defaçatez Eleitoral.

Bandagem obrigada por Hitler aos nossos queridos irmãos passados pelos campos de Birkenau, Treblinka, Sobibor e Aushwitz que o famigerado Ahmadinejad diz não ter existido e ser tudo mentira.

Mas, estaremos todos, nesta segunda-feira dia 23 de novembro, às 15:00hs, na Câmara dos Vereadores da Cidade do Recife. Todos com as bandagens amarelas da Magem david obrigada por Hitler aos nossos queridos irmãos passados nos campos de Birkenau, Sobibor, Treblinka e Aushwitz para apoiar o pronuciamento de Priscila Krause: um muler de verdade e de coragem. Viva Priscila! Abaixo a Ditadura da Defaçatez Eleitoral!

PRISCILA KRAUSE Sábado, Nov 21 2009 

A nossa muito querida irmã Priscila Krause, vereadora do Recife, mullher de rara coragem e despojamento, fará importante pronunciamento contra a visita de Mahmoud Ahmadinejad ao Brasil. O pronunciamento dar-se-á nesta segunda-feira dia 23, em sessão plenária da Câmara Municipal. Estará usando uma réplica das bandagens amarelas da Magem David obrigada por Hitler aos judeus quando da Solução Final: o Holcausto.

BILHETE PARA AHMADINEJAD Sábado, Nov 21 2009 

Este artigo enviado pelo querido  amigo Meraldo Zisman, passo a publicar por expressa autorização do próprio autor. Fernando, brilhante professor e diretor da Faculdade de Administração da antiga FESP-Fundação de Ensino Superior de Pernambuco, um dos mais atuantes assessores de Dom Helder Câmara, é hoje uma das lideranças da Igreja Episcopal em Pernambuco. Artigo de grande valor, isento e bastante esclarecedor. Parabéns Fernando, mais uma voz que soma!

Por Fernando Antônio Gonçalves

 Muito embora não tenha qualquer procuração da comunidade judaica do meu país, nem  sendo hebreu, ainda que descendente na fé de Abraão, Isaque e Jacó, dada minha condição de cristão militante, expresso minha profunda aversão pela sua presença em solo brasileiro nos próximos dias.

A explicação é simples: negar a existência do Holocausto, onde milhões de seres humanos  foram assassinados, é prova cabal de uma estúpida ignorância histórica, característica daqueles que desconhecem os ontens históricos, vivendo ideologicamente anestesiados por um sistema ainda teocrático de governo, nunca pelejando por amanhãs de mínima fraternidade universal.  

 Além disso, mesmo levando em conta uma postura recentemente mais moderada, seu país continua fechado, mantendo uma força policial secreta orientada para exterminar, sem qualquer preocupação com os Direitos Humanos, as iniciativas oposicionistas mais simples.

O Irã, para quem não conhece, é o nome atual da antiga Pérsia, que foi cenário de muitas histórias bíblicas. Entre as mais famosas encontram-se a história de Daniel na cova dos leões, a luta de Ester e Mardoqueu para salvar o povo judeu e o serviço de Neemias ao rei. Sua principal etnia, a persa, congrega metade da população, o restante se dividindo entre grupos árabe, azeri, baluche, curdo, gilaki, lur, mazandarani e turcomano. São faladas no país 77 línguas, a religião oficial é o islamismo, sendo xiitas sua maioria, convivendo conflituosamente com as minorias de zoroastras, bahaístas, judeus e cristãos. 
           

Seria bom que avisassem à sua assessoria sobre a plena liberdade religiosa reinante em nosso território, diferentemente do que está acontecendo em seu país, onde os muçulmanos que se convertem ao cristianismo são rotineiramente interrogados e espancados, acreditando-se que muitos dos homicídios não esclarecidos sejam praticados por fundamentalistas que diariamente  ameaçam os cristãos de morte.

Além da violência exercida pelas autoridades do seu país, os ex-muçulmanos são também oprimidos pela sociedade. Eles têm dificuldade em encontrar e manter um emprego, sendo  sumariamente demitidos quando se descobre que foram convertidos ao cristianismo. Até aqueles que se estabelecem num negócio próprio têm problemas em manter sua clientela. 

Para quem menospreza a História, seria oportuno relembrá-lo sobre o que foi o Holocausto. Quando da invasão da Polônia, Hitler começou a aniquilar o povo judeu, dado viver em solo polonês a maior população judaica da Europa. Para que a sua pessoa tenha noção, durante os seis anos de guerra (1939-1945), foram assassinados pelos nazistas seis milhões de judeus, incluindo 1,5 milhão de crianças, um assassinato em massa que já estava previsto desde 1924, quando Adolf Hitler escreveu Mein Kampf, de título Minha Luta em língua portuguesa, fato plenamente passível de verificação na ediçà £o feita pela Editora Centauro, em 2001, quando se lê num posfácio do autor: “Um Estado que, na época do envenenamento das raças, se dedica a cultivar os seus melhores elementos raciais, tem de um dia se tornar senhor do mundo”. 

Atualmente, somente grupos racistas de neonazistas e grupos anti-semitas tentam negar o Holocausto. Não sei, com honestidade, em qual dos grupos a sua pessoa se insere. Mas certamente seus seguidores já tomaram conhecimento das leis raciais nazistas publicadas em 1933/35, quando foram erradicados as lojas e os negócios dos judeus, os médicos tornados proibidos de exercer suas funções, nenhum judeu podendo trabalhar em áreas públicas, sendo retirado deles o direito à cidadania alemã.

 A sua pessoa e a sua equipe talvez ignorem, por ausência de cultura histórica, o que aconteceu em 1938, por ocasião da Kristallnacht (Noite de Cristal), quando foram destruídas mais de 200 sinagogas, fechadas 7500 lojas, 30.000 judeus do sexo masculino sendo enviados aos  campos de concentração. Neste mesmo ano foram construídos os primeiros ghettos na Alemanha, onde se isolavam os judeus do mundo exterior, 600.000 morrendo de fome, frio e enfermidades várias. 

Dado o desconhecimento que contamina sua mente, informo-lhe que cristãos, judeus e zoroastras continam sendo  retaliados em seu país. Na área cristã é permitido que igrejas ligadas às minorias étnicas ensinem a Bíblia ao seu próprio povo e em sua língua. No entanto, mediante uma determinação sinistra, tais igrejas estão proibidas de pregar o Evangelho em persa, a língua oficial do país. Para que seu governo não permaneça na ignorância, no ano passado, 2008, aconteceu um grande número de ataques a igrejas domésticas e muitos cristãos foram presos, tornando-se um dos anos mais difíceis para a Igreja, desde a Revolução Islâmica de 1979.

Que a sua pessoa, saída recentemente das urnas com 24 milhões de votos, 10 milhões a mais que o seu adversário mais próximo, não mais tente ofuscar a História, igual a muitos que vivem proclamando por aí um “nunca na história deste país”, que beira a uma obsessão messiânica capaz de trágicos finais.

PRESENÇA JUDAICA Terça-feira, Nov 17 2009 

Por

Pedro de Albuquerque

 

Há vinte e cinco anos me tenho batido pelo resgate da memória judia portuguesa do povo brasileiro, a memória sefardita, dos judeus espanhóis e portugueses para aqui degredados em fato da Inquisição. Sempre fazendo alerta a todos os segmentos da sociedade, afetados ou interessados no assunto, que a segurança de toda a Diáspora é, de modo inarredável, dependente do resgate desta memória.   

 
 
 

O autor no interior da Sinagoga Portuguesa de Amsterdã

 

Em razão disto, sempre me oponho, quando se fala da identidade judaica do Brasil, a termos equivocados tais como a influência judaica na cultura brasileira. O quê dá uma idéia pretérita e já estagnada desta contribuição na formação da idiossincrasia nacional a que chamamos de brasilidade. O que há, mesmo, é a presença judaica: o que firma a dinâmica da permanência.

 
 
 
 

Suntuoso interior da Sinagoga Portuguesa de AMSTERDÃ

Na verdade, há-se que falar da presença judaica. Presença efetiva desde o Século XVI com a designação do cripto-judeu português Pedro Álvares Cabral, casado com a sobrinha de Afonso de Albuquerque, Isabel de Castro, para o que os portugueses, mais apropriadamente, denominam de: O Achamento do Brasil. 

 
 
 
 

Sinete da Comunidade Judia Portuguesa de Amsterdã: a fênix imortal ressurgida das cinzas da Inquisição

 

Há-se de combater a terminologia viciada que dá margem a todo tipo de especulações contrárias à verdade, tal como a criação do Estado de Israel. Ora, não houve criação do Estado de Israel pelas Nações Unidas. Houve sim, tão somente, o restabelecimento político de Israel que sempre existiu desde há mais de cinco mil anos.

Constelação do Cruzeiro do Sul somente avistada no Hemisfério Sul

Vladimir Ivanov, da Universidade Internacional de Moscou, em seu artigo “A Descoberta de Dante”, ao comentar do Canto I do Purgatório, diz que Alighieri faz nítida referência ao Cruzeiro do Sul e às Três Marias. Constelações somente avistadas no hemisfério sul. Desconhecidas dos astrônomos e dos astrólogos do Século XIV.  

 
 
 
 

O Cruzeiro do Sul e as Três Marias, constelações às quais Dante faz referência na Divina Comédia

 

Assim, como declama o próprio Dante: Quatro estrelas iluminavam o céu do Pólo Sul. Quatro estrelas nunca vistas por homem algum em vida (a não ser pelo primeiro casal), pois nunca são vistas no céu do hemisfério norte.” Mas, se ninguém lhes podia avistar naquele quadrante, como, então, Dante as contemplou? Ora, Dante nasceu em 1265 e faleceu em 1321!

Dante Alighieri: o poeta dos poetas

Diz, ainda, o eminente professor, que estas constelações somente haveriam sido avistadas, no hemisfério norte, há dois mil anos de Dante, por navegadores e mercadores gregos e judeus do hoje atual território de Israel. Somente possível, por causa do fenômeno de permanente derivação do ângulo de inclinação do eixo do globo terrestre.

Majestosa Sinagoga Portuguesa de Florença em estilo mourisco, testemunho da presença sefardita.

O que causa intriga, é que isto ocorreu exatamente à época em que as tribos dissidentes do Rei David emigraram para a Península Ibérica. Ora, é bastante cediço ser Dante, como quase todo cripto-judeu italiano, descendente de judeus espanhóis e portugueses: judeus sefarditas. Quanto mais, sendo ele natural da Toscana. Em clara alusão à Inquisição sob a qual ele padecera vexames, assevera Dante na introdução do seu canto 27: Por aqui se não passa sem que sofra o calor do fogo.”

Estas constelações somente viriam a ser registradas, quase três séculos depois de Dante, pelos astrônomos Mollineux of England, 1592, Johann Bayer did it in 1603, Pieter Dirckszoon Keyser ( de nome latino Petrus Theodori, 1620), Louis de La Caille em sua obra “Coelum Australe Stelliferum” (1763) e Augustin Royer singled out this constellation in 1679.

É cediço, sem qualquer contestação, que os fenícios exploraram a costa das três Américas e aqui estabeleceram feitorias ao tempo e a serviço do Rei Salomão. Cientes deste fato histórico, os judeus portugueses e espanhóis, emigrados para as três Américas, jamais se escusavam de casar com mulheres nativas por lhes acreditarem descendentes dos seus mais antigos que aqui estiveram em tempos mais remotos.

Estes matrimônios eram, mesmo, permitido e reconhecidos pelas ordenanças manuelinas que proibiam o casamento inter-racial com povos de ouras origens, notadamente, africanos. Este registro, enquanto ao povo brasileiro, faz Sérgio Buarque de Holanda.

Sinagoga Espanhola Portuguesa de Nova Iorque. Um dos seus fundadores, Isaac Cardozo, ou Cardoso, tanto faz, foi um dos juízes inaugurais da Suprema Corte dos Estados Unidos da América do Norte

O mesmo registro, enquanto à formação do povo norte-americano, fazem historiadores da Universidade da Califórnia enquanto aos vários casamentos ocorridos entre os primeiros judeus ali chegados, notadamente judeus portugueses, oriundos do Brasil, Recife, sede da primeira sinagoga das Américas, já na segunda metade do Século XVII, com nativas das cinco tribos civilizadas do Leste: Cherokee, Choctaw, Creek e Seminole. Assim, firmando o judeu como elemento comum do povo norte-americano.

Seminole, uma das cinco tribos civilizadas do Leste dos Estados Unidos da América do Norte que, no Séc. XVII, muito cooperaram com os primeiros assentamentos judeus portugueses a exemplo de Cicinati, havendo, desse relacionamento, muitos casamentos com os pioneiros judeus sefarditas. No Brasil, Jerônimo de Albuquerque, casou com a nativa ,da tribo Tabajara, Muyra Uby. Filha do morubixaba Uyra Uby: daí os Albuquerque Maranhão, os Cavalcanti de Albuquerque e os Albuquerque Arcoverde. Duas de suas filhas casaram-se com os judeus Arnal Van Holand e Sebal Lins: daí os Holanda Cavalcanti, os Buarque de Holanda e os Albuquerque Lins. Como todas as suas derivações: Bezerra Cavalcanti, Bezerra de Albuquerque, Albuquerque Melo e Carneiro de Albuquerque.

Ora, se não descobre aquilo a que sempre se conheceu. O inadequadamente admitido descobrimento do Brasil nada foi do que um empreendimento do conselho secreto “ma’amad” dos cripto-judeus, ou seja, dos cristãos novos, sob liderança de Fernão de Noronha e Afonso de Albuquerque com o apoio financeiro de tantos outros para uma solução menos custosa para alocação definitiva dos muitos degredados judeus sefarditas em terras menos hostis do que o Norte da África. 

 
 

Afonso de Albuquerque, imortalizado por Camões na sua obra Lusíadas. Celebrado por Fernando Pessoa em " A Outra Asa do Grifo". O seu sobrinho neto viria a ser o protagonista da primeira obra literária das Américas: Prosopopéia do judeu Bento Teixeira

 

Também, uma solução política para não bater de frente com o Império Otomano. Esta é a verdade histórica. Se bem que sempre os judeus portugueses sempre contaram com a simpatia da Corte Otomana que lhes facultou a presença tanto nos países balcânicos como o retorno ao território de Israel sob o seu domínio.  

 
 
 
 

Haifa, um dos primeiros reassentamentos dos pioneiros judeus portugueses em Israel. Asher Mallah, judeu sefardita, tio do Pres. François Sarkozy, foi um dos fundadores da Universidade Tecnologica de Haifa: a Technion há duas décadas antes a 1948.

 

Havendo, mesmo, sido feitas concessões territoriais que deram origem às cidades de Tel Aviv, Haifa e outros reassentamentos no final dos Séculos XV e  XVI. Estas concessões foram feitas a José Mendes, o Duque de Naxos, sobrinho da legendária Gracia Mendes de Amsterdã.  

 
 
 
 

A matriarca Gracia Mendes. Moeda de circulação na Turquia dos Sécs. XV e XVI com a sua esfinge. Cunhada em hebraico.

 

Portanto, a presença judaica dista de milênios na Península Ibérica e na Itálica. Como se fez nas Américas e no Brasil desde antes dos seus primórdios coloniais. É preciso, posto isto, revisar terminologias e todo qualquer projeto de resgate desta memória há de contemplar uma releitura da historiografia oficial do Velho e do Novo Mundo conjuntamente.

 

 

 

O SEGREDO DA “RIQUEZA” DOS JUDEUS Segunda-feira, Nov 16 2009 

Recebido do amigo Arão Parnes, publico este artigo de Gilberto Dimenstein. Certo de que esta colaboração abrilhantará o nosso “blog” que estará sempre aberto às valiosas colaborações de todos que dele queiram participar. Mesmo com críticas, ou que queiram levantar dicussões. Logo em breve, eu procederei a um comentário sobre este artigo para, também, completar algumas informações.


Ao todo, 152 personalidades judaicas já receberam o Prêmio Nobel desde 1901. Desde seu lançamento, em 1901, o Prêmio Nobel foi conferido a 700 personalidades – 152 delas judeus. É uma estatística que impressiona: os judeus são hoje um grupo de quase 13 milhões para o Escritório Central de Estatísticas de Israel, 14 milhões para a Enciclopédia Britânica de 1999 e cerca 16 milhões para outras fontes, num planeta habitado por 6 bilhões de pessoas. Mas são os responsáveis por grande parte das grandes novidades científicas e dos avanços na medicina no mundo todo, deste e do século passado.

O segredo é que não existe segredo.

Ao todo, já receberam o Prêmio Nobel de Literatura 12 judeus, o Nobel da Paz outros 9 judeus, o de Química 25, incluindo os dois israelenses deste ano, Avram Hershko e Aaron Ciechanover, o de Economia 15, o de Medicina, a impressionante quantidade de 50 judeus e a expressiva do de Física 41. Outros israelenses que já receberam o Nobel foram, em 1978, o então primeiro-ministro Menahem Begin, que dividiu o Nobel da Paz com o presidente egípcio Anuar Sadat; em 1994, o ministro das Relações Exteriores, Shimon Peres, e o primeiro-ministro Yitzhak Rabin, com o Nobel da Paz. E, em 1966, Shmuel Yosef Agnon conquistou o Nobel de Literatura com a escritora sueca Nelly Sachs, também judia.

Um livro divulgado no Reino Unido, preparado por um advogado de Nova York – Michael Shapiro – atiçou ainda mais a mística sobre uma suposta inteligência apurada dos judeus. Depois de fazer pesquisas com filósofos, rabinos, escritores, cientistas, Shapiro produziu a lista dos cem mais importantes judeus. Nela, estão alguns dos maiores pensadores e criadores da humanidade. Moldaram o que pensamos e até como nos vestimos. Afinal, existe algum segredo?

O livro já começou a receber críticas antes mesmo de ser publicado. A polêmica começa logo no topo da lista. O vencedor, em primeiro lugar, é Moisés, libertador dos judeus escravizados do Egito e, mais importante, divulgador dos Dez Mandamentos que orientaram os limites da ação humana civilizada. Ficou em segundo lugar Jesus. Perdeu porque seu nome teria sido usado e abusado para servir em massacres, perseguições e intolerância: a Inquisição, por exemplo.

A lista tem vários consensos. Karl Marx, Sigmund Freud, pai da psicanálise e Albert Einstein, pai da física. Além disso, fazem companhia Levi-Strauss, criador da calça jeans, a peça de roupa mais usada no mundo e Steven Spielberg.

Mais unanimidade: Abraão, criador do conceito do monoteísmo, absorvido pelo islamismo, catolicismo e protestantismo. Num dos mais célebres símbolos de rebeldia, ele destruiu estátuas de deuses. Abraão está junto de dois americanos, conta Shapiro, Jerry Siegel e Joe Shster, criadores do Super-Homem. O próprio Super-Homem, conta Shapiro, seria “judeu”, batizado com o nome hebraico “Kalel”, antes de chegar à Terra. Uma invenção de marketing para atacar o anti-semitismo que reinava nos EUA.

Como um povo tão pequeno, consegue gerar tantos super-homens intelectuais?

Por motivos religiosos, o analfabetismo é inexistente entre os judeus. Aos 13 anos, o menino é obrigado a subir ao púlpito e ler trechos do Livro Sagrado (Bar-Mitzvá). Portanto, ele deve saber ao menos uma língua. Os judeus são ensinados a reverenciar a rebeldia intelectual – rebeldia sintetizada em Abraão, ao destruir os deuses e inaugurar o monoteísmo.

Nenhum povo foi tão perseguido e humilhado por tanto tempo como os judeus, o que gerou uma série de efeitos colaterais. Um deles é o valor da Educação para a sobrevivência. Podem arrancar suas terras, propriedades, mas não o que está em sua cabeça.

Alfabetização universal, rebeldia e reverência à educação como arma de sobrevivência – são a base fundamental, mas não explicam os super-homens intelectuais. Eles tiveram que ser dotados de extraordinária inteligência e, não menos importante, viver no lugar certo na hora certa. Desenvolveram suas idéias nas cidades iluminadas culturalmente, centros de debate e reflexões.

 

Ou seja, não existe nenhum segredo dos judeus escondido na genética ou escolha Divina. Apenas o óbvio: Culto à Educação. É uma característica de todo e qualquer ser inovador, seja branco, negro, amarelo, homem ou mulher. Ou de qualquer país que progride.


Em situações normais, sem perseguição, os judeus trabalham e conseguem empregos como qualquer outra pessoa. Em Nova York, um judeu ficou famoso e mereceu uma reportagem do The New York Times, simplesmente porque era mendigo.

Judeus com Nobel:

Literatura:
1910 – Paul Heyse, 1927 – Henri Bérgson, 1958 – Boris Pasternak, 1966 – Shmuel Yosef Agnon, 1966 – Nelly Sachs, 1976 – Saul Bellow, 1978 – Isaac Bashevis Singer, 1981 – Elias Canetti, 1987 – Joseph Brodsky, 1991 – Nadine Gordimer, 2002 – Imre Kertesz e 2004 – Elfriede Jelinek

Paz:
1911 – Alfred Fried, 1911 – Tobias Michael Carel Asser, 1968 – Rene Cassin, 1973 – Henry Kissinger, 1978 – Menachem Begin, 1986 – Elie Wiesel, 1994 – Shimon Peres e Yitzhak Rabin e 1995 – Joseph Rotblat

Química:
1905 – Adolph Von Baeyer, 1906 – Henri Moissan, 1910 – Otto Wallach, 1915 – Richard Willstaetter, 1918 – Fritz Haber, 1943 – George Charles de Hevesy, 1961 – Melvin Calvin, 1962 – Max Ferdinand Perutz, 1972 – William Howard Stein, 1977 – Ilya Prigogine 1979 – Herbert Charles Brown, 1980 – Paul Berg e Walter Gilbert, 1981 – Roald Hoffmann, 1982 – Aaron Klug, 1985 – Albert A. Hauptman e Jerome Karle, 1986 – Dudley R. Herschbach, 1988 – Robert Huber, 1989 – Sidney Altman, 1992 – Rudolph Marcus, 1998 – Walter Kohn, 2000 – Alan J. Heeger, 2004 – Avram Hershko e Aaron Ciechanover.

Economia:
1970 – Paul Anthony Samuelson, 1971 – Simon Kuznets,1972 – Kenneth Joseph Arrow, 1975 – Leonid Kantorovich, 1976 – Milton Friedman, 1978 – Herbert A. Simon, 1980 – Lawrence Robert Klein, 1985 – Franco Modigliani, 1987 – Robert M. Solow 1990 – Harry Markowitz e Merton Miller, 1992 – Gary Becker, 1993 – Rober Fogel, 1994 – John C. Harsanyi e 2002 – Daniel Kahneman

Medicina:
1908 – Elie Metchnikoff, 1908 – Paul Erlich, 1914 – Robert Barany, 1922 – Otto Meyerhof, 1930 – Karl Landsteiner, 1931 – Otto Warburg, 1936 – Otto Loewi, 1944 – Joseph Erlanger e Herbert Spencer Gasser, 1945 – Ernst Boris Chain, 1946 – Hermann Joseph Muller, 1950 – Tadeus Reichstein, 1952 – Selman Abraham Waksman, 1953 – Hans Krebs e Fritz Albert Lipmann, 1958 – Joshua Lederberg, 1959 – Arthur Kornberg, 1964 – Konrad Bloch, 1965 – Francois Jacob e Andre Lwoff, 1967 – George Wald, 1968 – Marshall W. Nirenberg, 1969 – Salvador Luria, 1970 – Julius Axelrod, 1970 – Sir Bernard Katz, 1972 – Gerald Maurice Edelman, 1975 – David Baltimore e Howard Martin Temin, 1976 – Baruch S. Blumberg, 1977 – Rosalyn Sussman Yalow e Andrew V. Schally, 1978 – Daniel Nathans, 1980 – Baruj Benacerraf, 1984 – Cesar Milstein, 1985 – Michael Stuart Brown e Joseph L. Goldstein, 1986 – Stanley Cohen e Rita Levi-Montalcini, 1988 – Gertrude Elion – 1989 – Harold Varmus, 1991 – Erwin Neher e Bert Sakmann, 1993 – Richard J. Roberts e Phillip Sharp, 1994 – Alfred Gilman e Martin Rodbell, 1995 – Edward B. Lewis, 1997 – Stanley B. Prusiner, 2000 – Eric R. Kandel e 2002 – H. Robert Horvitz

Física:
1907 – Albert Abraham Michelson, 1908 – Gabriel Lippmann, 1921 – Albert Einstein, 1922 – Niels Bohr, 1925 – James Franck, 1925 – Gustav Hertz, 1943 – Gustav Stern, 1944 – Isidor Issac Rabi, 1952 – Felix Bloch, 1954 – Max Born,1958 – Igor Tamm, 1959 – Emilio Segre, 1960 – Donald A. Glaser, 1961 – Robert Hofstadter, 1962 – Lev Davidovich Landau 1965 – Richard Phillips Feynman e Julian Schwinger, 1969 – Murray Gell-Mann, 1971 – Dennis Gabor, 1973 – Brian David Josephson,1975 – Benjamin Mottleson, 1976 – Burton Richter, 1978 – Arno Allan Penzias e Peter L Kapitza, 1979 – Stephen Weinberg e Sheldon Glashow, 1988 – Leon Lederman, Melvin Schwartz e Jack Steinberger, 1990 – Jerome Friedman, 1992 – Georges Charpak,1995 – Martin Perl, 1995 – Frederik Reines, 1996 – Douglas D. Osheroff e David M. Lee, 1997 – Claude Cohen-Tannoudji,1999 – Martinus J. Godefriedus Veltman, 2002 – Raymond Davis, 2003 – Vitaly Ginzburg, 2004 – David J. Gross e David Politzer.

Isaac Abravanel, Silvio Santos e François Sarkozy Domingo, Nov 15 2009 

Apesar de passados séculos, as coincidências remanescem. Quer pela comum etnia: ambos judeu ibéricos; sefarditas. Quer pela heróica trajetória da sua ancestralidade, assim como da sua própria. A mais valorizar a sua comum ascendência.    

O empresário e animador de televisão Silvio Santos, descendente direto de Isaac Abravanel

O empresário e animador de televisão Silvio Santos. Descendente direto de Dom Isaac Abravanel.

Isaac Abravanel, judeu, ministro de finanças do Rei Dom João II de Portugal. Conjurado dos Duques de Bragança: nacionalistas que buscavam garantir a sua dinastia em oposição à de Avis. Preso e condenado à morte. Fugiu para Castela juntamente com o seu companheiro Lopo de Albuquerque. Conde de Penamacor. Filho da judia Leonor Lopes; filha de Lopo Gonçalves de Leão: judaizante, desembargador da Corte de Lisboa. Albuquerque, onome deriva diretamente do hebraico Alboker: do alvorecer, do levante, do oriente por declinação semântica.  

SACHAR E EU

O poeta e escritor Pedro de Albuquerque. Em Tel Aviv. Em almoço na casa do historiador Howard Sachar, assessor direto dos últimos presidentes dos Estado Unidos da América: pupilo de Cecil Roth, fundador do Departamento de História Judaica de Oxford.

Uma vez no exílio, temendo pela vida de Lopo, dado às ambições do rei Fernando de Aragão, Abravanel, forjou-lhe um passaporte judeu com o nome de Pedro Nunes. Identidade sob a qual Lopo viera a exilar-se em Antuérpia: antiga Flandres; na atual Bélgica. A prosseguir na sua fuga pelos Países Baixos até a Inglaterra.

Preso, Lopo, e encerrado na Torre de Londres, por ordem de Henrique VII, Abravanel levantou fundos bastantes para a Rainha Isabel de Castela, de quem se tornara ministro e confidente, pagar por seu resgate. Lopo é o antepassado comum de quase todos os Albuquerque do Brasil.

Vindo, na ocasião, a promover os arranjos do casamento de Isabel e Fernando, Abravanel fez-se um dos pais da unidade espanhola e um dos impulsionadores das grandes navegações. Cuidou, porém, da indicação de Lopo a Conde de Uzeda e de Ubeda, na Andaluzia, para, com isto, garantir a autonomia das comunidades judias.                 

Mas, o despótico rei Fernando, na sua sanha por dinheiro e poder, assinou, em 1492, o “Édito de Expulsão” dos judeus. Abravanel negou-se em aceitar o convite dos reis para a sua permanência em detrimento do seu povo. Nisto, seguiu para Veneza, depois Nápoles, depois Salônica e, de lá, os seus descendentes fizeram-se para Istambul, onde se fixaram. No Brasil, é Sílvio Santos o descendente direto de Isaac, aliás, Señor ou, ainda, Sênior Abravanel.

Já, Lopo, primo da Rainha Isabel, viria a ser envenenado, provavelmente a mando do rei Fernando que lhe não podia confiscar os bens dado o seu parentesco com a monarca para, com isto, consolidar a Inquisição.

A família Mallah, referencial hebraico do luso-espanhol Melo ou Mello, da qual François Sarkozy é membro, deixou a Espanha e, como muitos outros judeus ibéricos, refugiou-se no sul da França: Provence. Vindo a estabelecer-se em Salônica já no Séc. XVI

SARKOZY E LULA

O Pres. François Sarkozy e o Pres. Lula. Como negar o Holocausto ? Não é o mesmo que negar a Inquisição?

Uma vez na Grécia, os seus descendentes tornaram-se proeminentes. O avô de Sarkozi, Aaron Mallah, aliás, Beniko, lá nasceu em 1890. O seu tio Moshe, famoso rabino, redigiu, naqueles idos, o principal manifesto sionista da época. O primo de Sarkozy, Asher, elevado ao parlamento grego, veio garantir o estabelecimento da Technion a universidade tecnológica de Haifa: primeiro reassentamento judeu sefardita em Israel dos tempos de José Mendes, Duque de Naxos, sobrinho da judia portuguesa Gracia Mendes.

Em 1934 Asher Mallah emigrou para Israel, para onde ajudou fugir muitos outros judeus da perseguição nazista. Com o advento do Holcausto, muitos dos Mallah que permaneceram na França e na Grécia, a exemplo dos muitos dos judeus portugueses e espanhóis, foram mandados aos campos nazistas de extermínio.

Cerca de 67 membros da família foram assassinados. Documentos apontam que Buena Mallah foi usada para experiências médicas e, assim, morta em Birkenau. Um outro primo de Sarkosy, Peppo Mallah, em 1920, fora indicado para ministro das finanças pelo parlamento grego. Cargo a que se recusou. Vindo a, igualmente emigrar. Com o restabelecimento político de Israel, Peppo cuidou do envio da primeira representação diplomática israelense à Grécia. 

Ora, como é estrábica a visão histórica e política do Ministro Celso Amorim! Esquece o Ministro que o seu próprio nome lhe denuncia a ascendência judia portuguesa. Amorim vem direto do hebraico e quer dizer secretários: cargo de destaque na Sinagoga.  Realmente acredita, a isto lhe perdoar o famigerado Machmoud Ahmadinejad?

PAGINA SEGUINTE Quinta-feira, Nov 12 2009 

Ao concluir a visita a esta primeira página, os amigos encontrarão, na página seguinte, é só clicar no ícone, ao final desta página correspondente, mais crônicas, fatos e fotos de Tel Aviv e Amsterdã

A poesia de Deborah Brennand Quinta-feira, Nov 12 2009 

Difícil empreendimento, destacar poemas de Deborah Brennand. Discorrer sobre eles, quanto pior. Notadamente por não ficar, Deborah, nada a dever à casta dos nossos mais expressivos poetas, tais como: Maximiano Campos, os Cunha Melo, pai e filho, Carlos Pena Filho, João Cabral de Melo Neto, Manuel Bandeira, Joaquim Cardozo, poeta que deu vez e vida à obra de Oascar Niemeyer.

Muitos outros poetas mais. Uma constelação. É que Pernambuco é pródigo em poetas de estirpe. É esse o meu orgulho por meu povo: minha gente!

Passo horas a maravilhar-me com a sua coletânea organizada por Cecília Nogueira, em que se tem reunido os poemas os seus livros: O Cadeado Negro; Noites de Sol ou As Viagens dos Sonhos; O Punhal Tingido ou O Livro das Horas de Dona Rosa Aragão; Claridade; Maçãs Negras e Letras Verdes.

Vejo despir-se, nos seus versos, uma alma neerlandesa. São-me companheiras das horas, as suas palavras: cá do meu terraço no Poço da Panela curtindo a brisa mareja e o verde que, ainda, se espraia. Eu aqui no Engenho de Anna. Anna que o Conde Nassau me roubou e eu, tolo da vida, acreditei havê-la resgatado em Amsterdã! 

Anna, minha só paixão. Anna judia olhos de rapadura, beijos de melancia: versos meus. Versos tintos da sangria do meu coração! Para matar às minhas saudades a mais de uma  geração. Do lado de cá do Capibaribe. Do lado contrário do lado de lá do rio. Do lado de cá do Engenho São Francisco fica aolá. Cá de cá no Engenho Santana: o engenho da casa forte.

A BATALHA

Coração africano, animal selvagem,

Não me assustam a hienas

Nem os tigres que caminham

Ávidos de sangue:

 

Aí, notívago cortejo de feras.

 

Nesta selva congolesa

Nua pela, branca sem guia,

Cortando cipós, ferida em espinhos,

Atravesso a floresta da vida

 

Sozinha.

 

VORAGEM

 Presunçoso domador, vê as tuas mãos:

São frágeis para laçar rédeas

Os relâmpagos que fogem luzindo

Nos dorsos selvagens dessas éguas.

 

Feroz é a selva escura e sem perdão:

 

com garras afiadas fere o vento,

E as árvores inimigas lutam pelo sol,

Entre espinhos, folhas e serpentes,

Com o tempo voraz matando a vida.

 

ALGUÉM ME FALA QUE

O VERÃO CHEGOU 

 

Se, morto o sol, atrasados voltam

Cansados pássaros à procura do sono

Nas árvores de sombras, os ninhos

Impiedosos recusam um novo acolher.

 

Por que então hei de pensar

Do sonho achar o verde pouso?

 

Alguém me fala que o verão chegou

Em ramos floridos de abacateiros,

Prometendo frutos de popas macias,

Coberta de roxa luz verdejante.

 

Será, então, neste pomar

Que gasto os dias sonhando?

 

Abelhas famintas assaltam com o zumbido

A doçura escondida nas flores

Enquanto o vento, desordeiro,

Ondula os capins verdes do monte

E arrepia o negror dos meus cabelos.

 

PAIVA (PRAIA)

 

São dias longos, de ouro,

Que sobrepõem a luz no azul de outros

Como se a vida fosse a claridade de um só dia,

E a noite, a escuridão de uma só noite.

 

Que me falou no tempo

Se os relógios giram sem as horas

E cortam os altos cataventos

As mesmas ventanias?

 

Somente o sol acorda, mas de novo fecha

O seu olhar pestanudo e amarelo.

Ó lençol nacarado que envolves

Ó leito deste jovem, louro e belo.

 

E deixas o meu no frio

 

NÃO DESMANCHES

 

Não são asas de pássaros nem vagas,

São sonhos cativos em grampos negros.

Como raízes, molham-se chuvas,

E igual ao capim se queima em janeiro.

 

Ai, vento, não desmanches no azul

O traçado mistério destes cabelos

Que, sombrio, se recusam a esvoaçar

Nas lábias de um tempo fugitivo.

 

LEMBRA-ME SEMPRE

 

Lembra-me sempre, no ferro ardente,

A sorte das ferraduras

Que, com dureza, sepultam ervas

Ressuscitando caminhos.

 

Lembra-me, no vidro sensível,

A fragilidade de um coração

Que, sem cuidados, mancha o chão

Com sangue rubro da vida.

 

A VOLTA

 

Sonhos rudes erguem do abandono

Alvas colunas de um jardim

E traindo o silencioso de um rio

As margens dizem o que o lodo escondia

Pedras sem fim.

 

Adiante onde avencas ressuscitam

Ramagens de encanto antigo,

A vida acorda seus olhos de bicho

Espreguiçando patas na luz do sol

 

E do azul surge o infinito.

 

O RIO

 

Rumo de águas fugindo?

Giram os sonhos: nascer é uma sina

E a serpente fria rasteja além dos montes

Engolindo tempo pedras e caminhos.

 

Ó surdas margens, a correnteza é breve.

Rios de inverno morrem no verão

E até quando, vivo, corre o sangue

Nos vales ocultos desse coração?

 

TEMPESTADE

 

Fugiu apavorado um claro azul

Das águas cansadas de latejarem

E prisioneiro das rochosas nuvens

Não bate asas o pássaro do sol.

Ó ventos, ferozes e atrevidos corsários:

 

Este barco endoidecido que veleja

Sem temer os teus suspiros rudes,

Leva o peso de um tesouro,

Sonhos de prata e de ouro

 

Que deves, sem demora, naufragar.

 

FALSO MENDIGO

 

No vermelho real da goiaba

Mastigo o gosto acre da vida

E nos cabelos ruivos das espigas

Deito as mãos em sedoso ninho,

Igual, à ave, cansada de vôos.

 

Lá fora, o milharal, falso mendigo,

Engana o sol, tolo e rico senhor,

Escondendo em palhas mortas

Grãos de ouro reluzentes.

 

Assim, também um coração

Receoso guarda o seu tesouro.

 

A RENDA

 

O tilintar dos bilros

E os sonhos com pálidos dedos

Rendando na almofada do sol

Ramos de flores acesas.

Folhas com asas de ouro

Nos metros e metros do tempo. 

 

ELAS

 

Trazia  um colar  aceso

ouro e pérolas em seu colo trigueiro.

Era a rainha de Sabá voltando

para redizer o cântico.

 

“Beije-me ele com os beijos da sua boca.”

 

Então chegou a vez de outra

contar um enredo falso de amantes

todos mortos sem combates

numa floresta longe, bem longe

 

sem o eco sangrento dos sonhos.

 

E agora, apenas uma é ela,

debruçando a alma em soleira de pedra,

olhando o mundo. Cega, cega.

Não vendo, tão perto, o sol nas

abrir asas de luz sem vôos.

 

PROSOPOPÉIA Quarta-feira, Nov 11 2009 

 Publicado no Diário de Pernambuco 

Prosopopéia

Matias, ao contrário do que muitos supõem, era neto e não filho do Donatário de Pernambuco, o cristão-novo Duarte Coelho Pereira casado com  Brites, aliás, Brith de Albuquerque. Filha de Lopo de Albuquerque Conde de Penamcor: Portugal. Conde e Senhor de Uzeda e Ubeda; Andaluzia: Espanha. Este, filho de João de Albuquerque, João do Azeite, dado à sua atividade econômica típica de judeu: ler Antônio de Vasconcelos Nogueira da Universidade de Aveiro, Portugal, em seu “Os Judeus Portugueses e o Capitalismo Moderno”. Este, casado com Leonor Lopes filha do judaizante, desembargador em Lisboa, Lopo Gonçalves de Leão. Brites, por sua vez,  era sobrinha neta de Afonso de Albuquerque: Vice Rei da Índia, imortalizado por Luís de Camões sob o apodo de “O Terribil”. Também celebrado por Fernando Pessoa em “A Outra Asa do Grifo”.

Brasão da Casa de Albuquerque. Armas originais portuguesas. O escudo espanhol difere apenas por ter o campo azul. As cinco flores de lis, lírios do campo, simbologia judaica, símbolo de Jerusalém, denuncia a ascendência carolíngea. A família descende diretamente de Leonor de Aquitânia.

Era, Matias, filho de Jorge de Albuquerque o qual nasceu em Olinda. Jorge estudou em Portugal mas, com a morte do Donatário, seu pai, retornou ao Brasil em companhia do seu irmão primogênito; tendo, mesmo, explorado o curso do Rio São Francisco. Em 1565, Jorge, tornou a regressar ao Reino. Sendo esta sua viagem resgistrada na “História Marítima”.         

 
 

Castelo de Albuquerque. Hoje em território espanhol: Badajoz. A poucos quilômetros de Extremadura: Portugal. Abrigou Inês de Castro em seu exílio. Os Castro e os Albuquerque são consanguíneos. Em portugal são seus primos os Alencastro e na Inglaterra os Lancaster: obliteração inglesa de Alencastro. Lopo era primo, em segundo grau, do Rei Henrique VII da Inglaterra.

 

Depois de resistir heroicamente ao assalto de uma frotilha pirata francesa, ficando mesmo à deriva, veio a descrever uma aventura que veio a servir de enredo a lendas e canções. Nisto, Jorge e os seus tripulantes tiveram de lançar sorte para determinar quem dos companheiros mais fracos deveveria ser morto para servir de alimento aos demais.         

Matias de Albuquerque

Vendo-se, Jorge, a uma milha da costa africana mandou lançar âncoras e, num gesto de bravura idômita salvou a nado, resgatando homem a homem, parte da sua tripulação. Em 1578, havendo milagorsamente retornado a Portugal, foi por Dom Sebastião encarregado da cavalaria do exército português no Norte da África.          

 
 

El Rei Dom Sebastião. Defendido a unhas e dentes por Jorge de Albuquerque.

 Na batalha de Alcácer-Quibir defendeu o seu rei e quando este teve o seu cavalo morto em batalha, achando-se a pé meio aos árabes, Jorge cedeu-lhe o próprio cavalo; sem esperanças de sobrevivência. Prisioneiro, foi levado a Fez onde, em conseqüência de torturas, restou paraplégico. Sendo resgatado por ordem de Felipe I de Espanha, retornou a Portugal. Havendo perdido o seu irmão Duarte; morto no cativeiro pelos mouros que bem lhe sabiam da ascendência. Saga cantada por Bento Teixeira na primeira obra literária da história das Américas: “Prosopopéia”.  

 
 

Solar dos Albuquerque. Vale do Rio Dão: Portugal.

Albuquerque, o nome vem direto do hebraico: Alboker ( do alvorecer; do levante; do oriente, por declinação semântica). Este sobrenome é dado aos descendentes diretos do Rei Dom  Afonso Sanches por casamento com Tereza Martins de Meneses ( Manassés), filha de João Afonso Telo de Meneses, Conde de Barcelos, primeiro Senhor de Albuquerque.     

 

Amsterdã. Bairro Judeu: Jodenburth. Pedro de Albuquerque: mirando a casa que pertenceu a Isaac Pinto um dos líderes do antigo Ma’amad.

A ascendência dar-se por linhagem feminina, passando aos antigos Cunha   ( Cohen; do hebraico) e destes aos Melo ( Mallah, do hebraico: mensageiro) e aos Cavalcanti: descendentes da judia de Florença, Itália, Ginevra Maneli di Aciayolo, mulher de Giovani di Cavalcanti: judeu elevado a Cavaleiro da Corte do Rei Henrique VIII da Inglaterra. Ler J. Matosos em “Identificação de um país”. Tudo amplamente documentado desde o ano 1171.       

 
 

Olinda, berço de Matias de Albuquerque. Teve o seu foral instituído pelo avô de Matias, o cripto-judeu Duarte Coelho Pereira: dos mesmos Pereira de Amsterdã.

Por falecimento do seu irmão herdou Jorge a Capitania de Pernambuco. O que viria abdicar em favor do seu filho Duarte de Albuquerque: Marquês de Basto; Conde e Senhor de Pernambuco; autor das “Memórias Diárias da Guerra do Brasil”: Madrid, 1645. Morreu, Jorge, no início do Século XVII no encargo dos seus estudos e memórias sobre a exploração do Brasil.    

 
 

Recife: primeira comunidade judaica das Américas. Vista da Ilha de Antônio Vaz: terras do antigo Engenho de Açúcar de Jerônimo de Albuquerque.

 Matias não deixou descendentes no Brasil, onde todos os Albuquerque ou são descendentes das suas tias ou de Jerônimo, irmão de Brites, também reverenciado por Camões como “O Torto”, com a índia tabajara Muyra Uby. Daí os Arcoverde, daí os Maranhão, daí os Cavalcanti de Albuquerque,

 

Jerônimo, com a sua segunda esposa, Filipa de Melo, teve a Pedro de Albuquerque, comandante do fortim do Rio Formoso, depois governador do Grão Pará, morto e sepultado em Belém. Havendo, ainda, casado, Jerônimo, duas das suas filhas havidas com a índia com os judeus Sebal Lins Dorndorf  e Harnald Van Holand agentes do banqueiro de Agsburg Anton Fügers, aliás, Antônio Figueiras: primeiro financiador da indústria do açúcar em Pernambuco. daí os Holanda Cavalcanti, daí os Albuquerque Lins, daí os Buarque de Holanda. Pois é, há mais laços entre o Brasil e Israel do quê a nossa vã historiografia oficial possa asseverar.

 

 

 

A preço e muito pago Terça-feira, Nov 10 2009 

A preço e muito pago:

simplesmente versos em prosa 

Pedro de Albuquerque

Fundação Biblioteca Nacional

© 414509  

Há quanto me tenho dado de cansar em busca do amor. Tanto cassei quanto cansei. Como gastei. De mim, carne e energia. De sobra, sombras cinzas. Tão cinzas quanto o dia que deixei pelo luzir das noites com as quais eu me entorpecia. De energia, conto pouco. Aos poucos conto. Conto ponto a ponto. Mesmo porque, o álcool que à carne me consumia em mesma combustão ardia.

Nessa danada alquimia, noites varadas e roubado o dia, de mim fez-se-me amante a boemia. De nada tenho a reclamar. A dizer-me de tudo insatisfeito. Deu-me mais em lucidez as noites, do que em sanidade o eito. Certo que tudo vai a preço e muito pago. Opção de que me fiz sujeito e, assim, me trago a mim: trago a trago.                                  

Desvario: joga-me à cara a medíocre unanimidade. Mas, não! Sereno, eu ponho com idade. Se a opressão enlouquece mesmo a um sábio, quem dirá ao comum do ser; eu? Portanto, não! E o que é da loucura, além do exaspero da consciência? Vai-te, angústia dos desvalidos. Onde a tua razão? Nada mais dos meus dias espero: pudor, amor, dor ou clemência. Tampouco dos meus ais e sais. Além de ter-me assim. Mesmo a mim; enfim! 

À deriva dos anos. Quiçá dos anjos e dos muitos que encontrei da guarda. Lanço âncora onde a infância alarda. É-me terror a noite em sonhos passada. Eu, algoz de mim. Mais o tormento da insônia aclarada. A tantos devo, ficam-lhes tostões. Aos quantos amados: recordações.

Nada de pobre, nada de vil, sequer de metal atulho em féretro, ou em inventário lego. Mas, nada sonego. Levam-me as traças as roupas. Já os cupins: os cabides e o armário. E neste breviário, mesmo a carne eu deixo. Vai-se do pó ao pó, a que eu a desleixo. E, se da tumba reflete-se o Limbo. Numa réstia de luz. Ao que a escuridão seduz. Resgata-me a eternidade. E tudo é vida, mesmo nos profundos do inferno. Quiseram matar-me; morreram-se! Diabos assassinos; cúmplices do tempo a roer-me o fígado!  Mas, eu não morro, eu teimo e hiberno! Seja verão, seja inverno.   

Lápide de Beth Haim: Casa das Vidas. Cemitério Judeu Português de Amsterdã onde pululam lápides com nossos nomes bem brasileiros: Bezerra, Pereira, Silva, Souza, Pinto, Costa, Henriques, Teixeira, Oliveira, Castro, Azevedo, Coutinho, Torres, Saraiva etc.

Próxima Página »